Que Vinicius de Moraes me perdoe por discordar de sua famosa frase, mas Tom Jobim é quem estava certo: fundamental é mesmo o amor. Não que a beleza seja desimportante, mas quando se chega a uma certa fase da vida em que o vigor da juventude e a gravidade nos falta, o sexo começa no coração.
Esse foi, inclusive, um sábio comentário de Bernarda (personagem interpretada pela atriz Nathalia Timberg), de "Amor à vida". Na novela das nove, recentemente ela passou a primeira noite de amor com o namorado, o médico Lutero (Ary Fontoura), após se convencer de que existe prazer em qualquer idade.
"As coisas só foram melhorando com o tempo. Até hoje estamos nos descobrindo", pondera a dona de casa Gloria Mello, de 79 anos, casada há 61 com Walter Mello, de 82.
"Na vida é muito importante a gente se amar. Se você gosta da pessoa, tudo acontece", afirma o aposentado, morador de Engenheiro Paulo de Frontin.
Como no folhetim, muitos pensam ser impossível namorar na terceira idade. O casal da trama de Walcyr Carrasco sofrerá preconceitos, e Félix (Mateus Solano) pensará até em colocar a avó numa casa de repouso, além de chamá-la de periguete.
Para a psicóloga Luciana Mescolim, do Clube da Longevidade Silvestre Sênior, essa preocupação dos jovens é até mais comum do que se pensa.
"Na terceira idade, existe uma desobrigação do orgasmo. Quando o casal compreende isso, os dois podem ter uma vida feliz e saudável. Até mais do que os jovens, que estão focados no prazer orgásmico. Nesses, sim, vejo muito medo quanto à performance e à frequência."
Segundo o ginecologista Marcos Arcader, do Hospital Adventista Silvestre, é normal que, com o tempo, a mulher tenha dificuldades com o ressecamento, assim como o homem com a ereção, mas ensina: "Carícias são importantes. O sexo é um momento, algo que vai muito além da penetração."
E, se alguém ainda tem dúvidas quanto aos benefícios do sexo na terceira idade, Luciana garante: "São os mesmos para todos, afora a melhora na autoestima e no sono."
Gloria Mello
Dona de casa, 79 anos
Gloria está casada com Walter Sousa Mello, de 82 anos, há 61. Moradores de Engenheiro Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro, eles afirmam que nunca precisaram recorrer a medicamentos para ter uma noite agradável.
"Claro que não é a mesma coisa que na juventude, mas a gente tem relações. Tudo vai acontecendo naturalmente. Acho até que hoje está melhor do que antes. Tive sete filhos e ajudei a criar sobrinhos. Para curtir, era complicado. Agora está todo mundo casado, então aproveitamos. Não sou vaidosa, mas coloco uma camisola, perfuminho... Temos muito romantismo. Essas coisas seguram", ensina ela.
"Seo" Walter admite desgaste, mas garante: "A idade pega, mas os dois querendo, o namoro continua".
Geralda Maria de Jesus
Dona de casa, 66 anos
"Fui casada por 40 anos e fiquei viúva durante nove. Nesse período arrumei uns dez namorados. Meus filhos viviam colocando defeito neles. Quando conheci Oswaldo, ficamos noivos em 20 dias. Casamos ano passado. E estou muito feliz, como não fui no meu primeiro casamento. Agora, descobri o amor. Nossa primeira vez foi ótima e o sexo só melhora. Fazemos tudo e bastante! Com ou sem remédio", diz a moradora de Nova Iguaçu.
O técnico em manutenção Oswaldo Moskozo, de 66 anos, dá dicas para manter a chama da sedução: "Os jovens pensam que não prestamos para nada. Pois saiba que já fui à farmácia comprar remédio para marmanjo de 28 anos. O segredo é não deixar a brasa da mulher esfriar".