Internacional

Mursi diz que ainda é presidente do Egito

Folhapress
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O líder egípcio deposto Mohamed Mursi adotou um tom desafiador no primeiro dia de julgamento ontem, em que gritou dentro do tribunal “Abaixo o regime militar” e disse ser o único presidente “legítimo” do país.

Mursi, um islâmico que foi derrubado do poder pelo Exército em julho após protestos em massa contra o governo, pareceu irritado e interrompeu a sessão várias vezes, o que levou o juiz a adiar para 8 de janeiro o julgamento que mal começara.

Os opositores do governo egípcio apoiado pelo Exército dizem que o julgamento é parte de uma campanha para esmagar o movimento Irmandade Muçulmana, de Mursi, e reviver as reminiscências do regime autocrático de três décadas de Hosni Mubarak, derrubado por uma revolta popular em 2011.

Mursi, de 62 anos, que fugiu da prisão nos últimos dias de Mubarak no poder, viu-se novamente atrás das grades acusado de incitar a violência, o que pode levar à pena de morte.

Essa é a segunda vez em pouco mais de dois anos que um presidente deposto comparece a um tribunal no Egito. O julgamento ocorre no mesmo local onde Mubarak enfrenta uma acusação de cumplicidade na morte de manifestantes.

“Esse julgamento é ilegítimo”, disse Mursi, que estava vestido com um terno escuro e que, segundo a mídia estatal, recusou-se a vestir roupas da prisão.

Mursi viajou de helicóptero para o tribunal fortemente vigiado a partir de um local não revelado.

Centenas de partidários do presidente deposto reuniram-se do lado de fora do edifício do tribunal. Um cartaz com a frase “A vontade do povo foi violada” fazia referência à derrubada de Mursi pelo Exército.

A Irmandade Muçulmana, que está banida, afirmou que não vai abandonar os protestos de rua para pressionar o Exército a reempossar Mursi.


Segurança reforçada

Mas uma forte presença de um esquema de segurança em todo o país serviu como um lembrete da ofensiva das autoridades contra a Irmandade este ano, em que centenas de partidários de Mursi foram mortos e milhares detidos.

O julgamento não foi exibido na televisão estatal e os jornalistas foram impedidos de levar telefones celulares para o tribunal criado dentro de uma academia de polícia no Cairo.

Durante sua aparição, Mursi fez um sinal da Irmandade com a mão para expressar indignação com uma operação das forças de segurança contra um acampamento de manifestantes, em agosto, em que mais de 200 pessoas foram mortas, no auge da ação contra os islâmicos.

Mursi e outros 14 islâmicos são acusados “de incitar a violência relacionada à morte de cerca de uma dúzia de pessoas em confrontos do lado de fora do palácio presidencial, em dezembro, depois que Mursi enfureceu adversários com um decreto ampliando seus próprios poderes.

A imprensa estatal disse que Mursi, que até hoje não tinha sido visto desde a derrubada, seria transferida para a prisão de Borg al-Arab, em Alexandria.

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