Foi realizada ontem a primeira audiência pública entre a Câmara de Vereadores e a Associação Hospitalar de Agudos (AHA) para a discussão de denúncias de negligência e descaso no atendimento. O clima na reunião foi tenso, e os vereadores chegaram a pedir a troca da diretoria.
Compareceram ao encontro o prefeito Everton Octaviani (PMDB), os vereadores do município, o gerente administrativo do Hospital de Agudos, Alberto Alves Lima, o diretor-provedor Sérgio Abreu, Anderson Sebastião Padilha, da contabilidade, José Carlos Pirozi, do financeiro, Antônio Pedro Bernardinho, assistente administrativo, Miguel Simões, tesoureiro, e ex-funcionários da unidade de saúde.
“Os vereadores chegaram a pedir a demissão do diretor-provedor. É um descaso muito grande. A situação chegou em um ponto crítico e nós não vamos deixar isso avançar. Vamos fazer de tudo para resolver o problema. A diretoria do hospital chegou a ameaçar cortar o atendimento, mas nós não vamos deixar isso acontecer”, frisou o presidente da Câmara, Auro Octaviani (PMDB).
Estrutura
Sem aparelhos básicos como o de aferir pressão, o de medir a taxa de glicose, macas sem proteções laterais, e até colchões em mau estado de conservação, a situação do Hospital de Agudos fica cada vez mais crítica.
O gerente administrativo nega essas acusações. “O que acontece é que os materiais novos ficam na farmácia do hospital que fica a 30 metros e é preciso pegar lá. Não está faltando material”, rebateu. Na audiência pública foi levantada novamente a discussão sobre a morte de uma mulher de 83 anos que caiu de uma maca sem proteções. Auro também aponta outro caso, o de um paciente que estava entubado, retirou os tubos na ausência de um médico e também morreu.
“A mulher que caiu da maca já estava debilitada, com problemas de saúde. Não morreu por conta da queda, quando quebrou o cotovelo. Este caso do paciente entubado, pode ser uma mulher que estava internada ao lado desta senhora, mas ela não retirou o tubo. O clima na reunião foi muito tenso”, desabafou Alberto.
Onde está a solução?
Afinal, onde estaria a solução para este caso? Na contratação de mais médicos? No aumento do repasse? Na verdade o problema é trabalhista. Como o corpo clínico é autônomo, não há como “cobrar” horários, ausências e carga completa, explica o gerente administrativo Alberto Lima.
“Nós explicamos que os médicos não são funcionários do hospital. Eles são autônomos. Isso dificulta o relacionamento. Quando é empregado, você tem como cobrar. Como eles são autônomos, você cobra, mas tem que pensar quem você vai colocar no lugar dele para ganhar o que ele ganha. Esses médicos autônomos têm contrato com o SUS”, esclareceu.
Então, por que não desligar esses médicos do quadro clínico? O problema está no corpo clínico, onde estão os profissionais mais experientes, com mais anos de “casa”. A dificuldade, segundo o gerente administrativo seria, além de trabalhista, moral e ética.
Ainda nesta semana a AHA deverá convocar todos os associados para uma reunião e discutir a possibilidade de troca na diretoria.
Providências
Na audiência pública o vereador Glauco Luis Costa Ton (PMDB), o Batata, propôs abertura de nova Comissão Especial de Inquérito (CEI), que será votada na próxima sessão da Câmara, na segunda-feira.
Neste mesmo dia, às 9h, haverá uma nova reunião, onde os vereadores fazem questão da presença dos 60 associados à AHA, que não compareceram à audiência pública realizada ontem.
“Nós ficamos sabendo que tem associados que não pagam a mensalidade há quase três anos. Para que ser sócio, então? Só para votar a diretoria? Queremos estudar uma maneira jurídica de transferir essa administração para o município, se isso for possível. Vamos lutar até o fim e resolver esse problema rapidamente”, enfatizou Auro.
Se a CEI for aprovada na sessão da próxima segunda-feira, o presidente da Câmara pretende já começar a ouvir os envolvidos no caso.
Relembre
Em 2011 o Ministério Público (MP) instaurou inquérito civil para investigar as denúncias de negligência e descaso no Hospital de Agudos, que é particular. Em 2012 a Câmara de Vereadores abriu uma CEI e os estudos, até hoje, não ajudaram a resolver o problema, por isso o assunto foi retomado e nova CEI será votada na próxima segunda-feira.