Polícia

Violência: preso assassino de jogador do amador

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Divulgação

Foto mostra Ana Maria com tênis de Rebeca, que está para nascer, e o pai, José Roberto, morto a tiros no dia 19

Nesta semana, nascerá Rebeca Vitória. A pequena, porém, não conhecerá o pai. O empresário e jogador do futebol amador de Bauru José Roberto Basílio, 36 anos, perdeu a vida no último dia 19, vítima de quatro disparos de arma de fogo. Por um lance do destino, a pequena vem ao mundo na mesma semana que o autor do homicídio foi preso. Ontem, Everton Henrique Ortiz, 26, apresentou-se à Polícia Civil e confessou o crime.

A vítima, conhecida como Dino, foi assassinada durante a madrugada em frente a uma casa noturna. As investigações preliminares apontavam que o motivo foi uma desavença dentro do estabelecimento.

“As testemunhas apontam que o Everton, que é chamado de Tim, entrou no estabelecimento e encontrou, na área vip, uma adolescente que ele conhecia. Lá, ele teria desferido um tapa nela. Foi quando a confusão começou”, conta o delegado Cledson do Nascimento, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ).

Nessa confusão, Everton, que trabalha em uma distribuidora de bebidas e é morador do Santa Edwirges, relata que foi agredido por algumas pessoas, incluindo José Roberto. “Foi então que ele ‘jurou’ os agressores e saiu da casa noturna”.

As investigações indicam que Everton Ortiz teria saído do estabelecimento e voltado com um adolescente (leia mais abaixo) em uma motocicleta. Além da arma, o acusado vestia um colete à prova de balas. Assim que visualizou os agressores, fez os disparos. “Ele descarregou o revólver calibre 38 em José Roberto”, complementa o delegado.

Everton confessou o crime, porém alega legítima defesa. Ele afirma que não saiu do estabelecimento e voltou após a confusão. “Ele disse que o José Roberto sacou uma arma. Não temos qualquer indício disso. O fato de ele dizer que não foi para casa é para tirar a premeditação do crime”, explica Cledson do Nascimento.


Prisão

No decorrer das investigações, a Polícia Civil conseguiu a identificação de Everton e obteve um mandado de prisão temporária por 30 dias. Anteontem, policiais fizeram buscas em um imóvel localizado no Parque Santa Cândida.

“Quando chegamos lá, havia indícios de que o suspeito havia acabado de fugir. Encontramos o colete à prova de balas e um revólver calibre 22 municiado. Essa arma não foi a usada no crime”, esclarece o delegado.

Everton Henrique Ortiz, que não tinha passagens criminais, apresentou-se ontem na CPJ. Ele não quis falar com a imprensa. O advogado também disse que só irá se manifestar quando conversar com seu cliente, porém, mantém a tese do depoimento de legítima defesa.

Como a polícia aponta uma versão diferente, ele foi indiciado por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e meio que impossibilitou a defesa da vítima. Ainda ontem seria encaminhado para a Cadeia Pública de Avaí.


Suspeito em outra ocorrência

Apesar de não ter passagens pela polícia, Everton Henrique Cruz, o Tim, é alvo de outra investigação da Polícia Civil. “Ele é suspeito de outro caso recente que estamos investigando”, conta o delegado da DIG, Cledson do Nascimento.

Para não atrapalhar as apurações, não há detalhes do suposto envolvimento do homem com o outro caso. Sabe-se que é um homicídio ocorrido no Parque Jaraguá, em Bauru, no mês de abril.


O caso

Na madrugada do dia 19, o empresário José Roberto Basílio, 36 anos, conhecido como Dino, foi atingido por quatro tiros, sendo um na altura do ombro direito e três entre a região do tórax e do abdômen. O 28º homicídio do ano ocorreu em frente a uma casa noturna localizada na quadra 22 da avenida Duque de Caxias.

José Roberto era morador do Jardim Petrópolis e jogador do Oriente, time de futebol amador da cidade.

Uma adolescente de 17 anos, que seria amiga de José Roberto e estava ao lado dele no momento do crime, também foi baleada na perna.


Polícia busca jovem que teria ajudado no crime

As investigações apontam que, após sair da casa noturna, Everton Ortiz teria voltado ao local com um adolescente de 17 anos. O jovem, que já foi identificado, é recém-egresso da Fundação Casa.

“Pelo que apuramos esse adolescente fez o disparo que acertou a porta da casa noturna. Mas não foram os disparos que mataram a vítima. Ele ficou afastando os amigos de José Roberto”, destaca o delegado Cledson do Nascimento.

O adolescente estava recolhido na Fundação Casa, de onde saiu recentemente, pelo crime de tráfico de drogas. O delegado completa que já existe um mandado contra o jovem e ele é considerado foragido.


‘Ele só pôde conhecer a filha pelo ultrassom’

Ana Maria Vieira, 31 anos, esposa da vítima, ainda fala de José Roberto como se ele estivesse vivo. A tragédia está longe de ser superada. Ao menos, uma nova vida chega para amenizar a tristeza. Trata-se da planejada Rebeca Vitória – o segundo nome foi escolhido pelo pai na semana em que morreu.


Jornal da Cidade - Quando nasce a bebê? Tem nome já?

Ana Maria – Nasce nos próximos dias. Tem nome sim. Vai se chamar Rebeca Vitória. Todos aqui temos dois nomes, inclusive o José Roberto. Por isso, estávamos estudando um segundo nome para ela. Na semana em que ele morreu, ele sugeriu Vitória.

JC - E como foi essa gravidez?

AM - Foi planejada. Ele já tem outros dois filhos, de idades 13 e 15, de outro casamento. Estávamos muito felizes. Ele, inclusive, só pôde conhecer a filha pelo ultrassom. Fizemos aquele exame 3D e ele dizia que o queixo, o rosto era igual o dele. Tudo nela ele dizia que parecia com ele

JC - Ficou sabendo que o autor foi preso?

AM - Sim. Ficamos. Nada vai trazer meu marido de volta, mas dá um alívio no coração. Ele precisa passar pela justiça dos homens. Nada muda a perda dele. Mas é bom saber que esse homem não vai fazer isso de novo. Ninguém tem o direito de tirar a vida de outro ser humano.

JC - Eu estava no Facebook vendo as fotos de vocês dois...

AM - Sim, sim. Eram as fotos para receber a Rebeca. Ele (José Roberto) morria de vergonha de tirar. Então, tive a ideia de tirar só nossos pés e os sapatinhos da bebê. Vou fazer de novo essa foto mais para frente quando ela estiver maiorzinha. Mas, será o par de tênis dele que estará vazio.

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