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Ele é a segunda causa de morte por câncer entre homens no Brasil e, apesar da expectativa de cura ser de 90% quando a doença é diagnosticada no início, a prevenção do câncer de próstata ainda é um tabu para a maioria dos brasileiros. Segundo pesquisa realizada em 2009 pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), cerca de 80% deles não vão ao médico por puro preconceito.
Para iluminar essa questão, a SBU, em parceria com o Instituto Lado a Lado pela Vida, lançou esta semana o Novembro Azul, campanha que alerta sobre a importância da prevenção da doença que afeta um em cada seis homens e mata um a cada 36.
Para tanto, o presidente da SBU, o urologista Aguinaldo César Nardi, esteve em Brasília no início da semana, onde lançou a edição 2013 do movimento e recebeu a homenagem feita pelo Senado e Câmara dos Deputados à SBU pelas ações de esclarecimento realizadas ao longo dos anos. O Congresso Nacional recebeu iluminação azul e a campanha teve início em todo o Brasil.
“A gente vem fazendo campanhas desde 2003 e, no ano passado, resolvemos entrar na mobilização mundial conhecida como Novembro Azul. Depois do câncer de pele, o de próstata é o mais frequente em homens. Mas o preconceito ainda os afasta dos consultórios”, observa Nardi.
A realidade foi comprovada por uma pesquisa feita pela SBU em 2009, com homens de 11 capitais brasileiras. 80% deles responderam que não realizam o exame preventivo por puro preconceito. E quase a metade da população masculina nunca consultou um urologista.
“Queremos que o homem brasileiro seja tratado dignamente. Ele se acha o super-homem. A campanha é um passo enorme e tenho certeza que gerará bons frutos para a saúde masculina”, afirma Nardi. Além do Congresso, a Igreja da Penha, no Rio de Janeiro, e a Arena Fonte Nova, em Salvador, já estão com iluminação especial.
Exame
Mesmo na ausência de sintomas, a SBU recomenda que homens a partir dos 45 anos de idade façam anualmente um exame de próstata, o que compreende o toque retal feito por um urologista e o exame de sangue para a dosagem do PSA, uma proteína que serve como marcador tumoral utilizado para diagnóstico. Se houver histórico familiar, a rotina anual deve começar aos 40 anos.
Fatores de risco
Existem três principais fatores de risco da doença: hereditariedade (maior influência), além de pele negra e obesidade.
“O câncer de próstata costuma ser mais agressivo em pacientes obesos. Já indivíduos com parentes de primeiro grau com a enfermidade, como pai ou irmão, chegam a ter oito vezes mais chances de desenvolver esse tipo de tumor. Por essa razão esse grupo de risco deve ter muito cuidado e seguir uma rígida rotina de avaliação anual”, alerta o urologista.
A idade é um fator de risco importante para o câncer de próstata, uma vez que tanto a incidência como a mortalidade aumentam significativamente após os 50 anos.
Diagnóstico tardio
No Brasil, o número de diagnósticos aumentou, segundo o presidente da SBU. Contudo, não se sabe se a razão está no aumento da procura por consultas ou se a incidência da doença realmente está maior. “Certeza mesmo é que a mortalidade cresce ano após ano no Brasil, devido à descoberta tardia, enquanto que na Europa isso diminuiu 40% nos últimos dez anos”, comenta.
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A campanha
O Novembro Azul nasceu há cinco anos na Austrália e se difundiu por todo o mundo. Muitas entidades de classes, governamentais ou não, aderem à campanha iluminando prédios e monumentos de azul. Em Bauru, uma campanha está sendo elaborada para os próximos dias e, segundo o urologista, toda adesão é bem-vinda.
FALA-POVO:
‘Você faz o exame anual de prevenção contra o câncer de próstata?
“Fiz o exame de toque apenas uma vez, mas faço o PSA todo ano” - José Luís Bastazini, 57 anos, empresário
“Ainda não fiz, mas vou fazer porque sei da importância do exame” - Paulo Henrique Martins, 42 anos, corretor de imóveis
“Sim. Faço anualmente há cerca de dez anos. A saúde vem em primeiro lugar e a prevenção é fundamental” - Marco Antônio Orlandini, 64 anos, aposentado


