No passado, alguns países, em função do estágio de sua economia e do perfil econômico e social de sua população, eram considerados subdesenvolvidos ou em desenvolvimento ou desenvolvidos. Com o passar do tempo pinçaram outra nomenclatura: países emergentes, substituindo a denominação de países em desenvolvimento. Em seguida, os países foram agrupados, e surgiram blocos econômicos e ainda outros agrupamentos como os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), dadas as semelhanças econômicas entre os mesmos. Ocorre que em momentos de nervosismo internacional ficam evidentes as diferenças entre os países.
Isso pode ser claramente observado quando há um evento econômico internacional, portanto, afetando a maior parte das economias mundiais. Peguemos como exemplo a influência da economia norte-americana. A leitura é que aquele país em breve apertará a sua política monetária. Esta política tem se mantido frouxa a partir da estratégia adotada pelo Banco Central daquele país, garantindo que no pós-crise haja recuperação econômica mais elevada e em maior velocidade. Pois bem, o indicativo é que este ciclo está chegando ao fim. Os juros internos, básicos, poderão ser elevados e a política monetária como um todo alterada, à medida que o pior momento no desempenho econômico americano passou.
Títulos públicos americanos são atraentes em qualquer momento, afinal, a economia americana responde por um quarto do Produto Interno Bruto mundial e um terço do consumo mundial. Não é pouca coisa. Neste contexto, é previsível que investidores internacionais queiram investir novamente nos Estados Unidos. Para que isso ocorra é necessário desfazer de suas posições nos países que até então abrigavam seus recursos, como o Brasil, por exemplo, aumentando a demanda por dólar, com venda de títulos públicos e títulos de renda variável, entre outros.
A explicação de parte do movimento dos investidores internacionais vem desta leitura. Saque de recursos do mercado acionário derrubam as bolsas de valores. Demanda por dólar provoca elevação na cotação da moeda norte-americana. Quem acompanhou o mercado nesta semana viu nitidamente este movimento. Acontece que, como colocado acima, no Brasil as oscilações são potencializadas.
Dá a impressão que somos o primo pobre dos emergentes. Isso tem explicação. Sigamos o raciocínio do câmbio. Haveria, como houve, valorização do dólar praticamente no mundo todo. Os BRICS não ficaram fora. Mas o aconteceu com o Brasil? A valorização foi mais acentuada. Neste momento, além dos aspectos externos, são incorporados os aspectos internos, ou seja, a fragilidade econômica brasileira é precificada pelo mercado.
A principal fragilidade neste momento são as contas públicas. O país não consegue passar credibilidade. Os gastos estão elevados mesmo com boa arrecadação tributária e o que é pior, gastos elevados em custeio, sem muita sobra para investimentos. Quando dois fatores importantes se juntam, evidentemente que o movimento interno é potencializado.
Em resumo: as características econômicas dos países emergentes indicam comportamento fragilizado quando há movimentos importantes no contexto internacional, contudo, as características atuais da economia brasileira potencializam esta fragilidade. Ou o governo atual é capaz de manter a política econômica rígida ou então o Brasil será sempre o primo pobre dos emergentes e isso tem um preço e é muito caro.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC