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Dengue: Bauru corre risco de nova explosão de casos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Com registro recorde de casos de dengue em 2013, Bauru está em estado de alerta para o risco de nova explosão de casos durante o próximo verão. Realizado em outubro pela Secretaria Municipal de Saúde, o Levantamento Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (Liraa) apontou que o nível de infestação do mosquito na cidade está acima do ideal.

Com a chegada da época chuvosa e do calor, o inseto se prolifera com maior facilidade e, como consequência, o índice de contaminação de pessoas por dengue tende a aumentar. “A partir do começo do ano que vem, quando as pessoas entram em férias e viajam mais, o vírus se desloca com mais facilidade ainda e podemos, sim, ter uma situação mais grave”, pondera Daniel Godoy Tarcinalli, chefe da seção de ações de meio ambiente da secretaria.

Realizado de 15 a 28 de outubro por agentes de endemia do município, o Liraa demonstrou que o índice de infestação em Bauru está em 2,1. Isso significa que foram encontradas larvas de Aedes aegypti em 2,1 imóveis de cada 100 pesquisados. Ao todo, foram visitadas 5.508 residências, sendo que a presença do mosquito foi detectada em 119 delas. O índice considerado ideal pela Organização Muncial de Saúde (OMS) é menor que 1.

O nível é considerado de alerta, já que o Ministério da Saúde preconiza como aceitável índice de até 1. Acima de 3,9, há risco de epidemia ou surto de dengue. Mas, em outubro do ano passado, o Liraa de Bauru foi de 1,9 e, mesmo assim, a cidade não se livrou da maior epidemia de dengue de sua história, registrada em 2013.

Até ontem, a Secretaria Municipal de Saúde já havia notificado 7.441 casos da doença, com duas mortes (leia mais no quadro). Tarcinalli aponta que, embora o nível infestação de mosquitos influencie no índice de contaminação, o tipo de vírus circulante e as áreas onde a infestação fica mais concentrada também contribuem para que o volume de doentes seja maior ou menor.

“Se forem bairros com maior densidade populacional, as chances de termos mais casos é bem maior quando um vírus começa a se disseminar naquela área”, explica. Ele destaca ainda que também precisa ser considerada a quantidade de casos importados, ou seja, de pessoas que viajaram a voltaram para a cidade contaminadas.

Novo tipo

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Levantamento Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (Liraa) apontou que o nível de infestação do mosquito em Bauru está acima do ideal

Em relação às variantes de vírus, existe outra grande preocupação, já que o sorotipo 4, ainda não registrado em Bauru, foi detectado em municípios próximos, como Macatuba e Lençóis Paulista.

“Quando uma pessoa é contaminada, ela fica imune àquele tipo de vírus que a deixou doente. Portanto, poderá ter dengue de novo apenas se for picada pelo mosquito que carrega outro tipo. Como o sorotipo 4 é novo, toda a população da cidade fica suscetível”, observa Tarcinalli.

Neste ano, o principal sorotipo circulante em Bauru foi o 1, mas também houve registros da presença dos tipos 2 e 3. Segundo Tarcinalli, os bairros onde a contaminação foi mais intensa neste ano foram o Jardim Redentor, Núcleo Geisel, Bauru 2000, região do Distrito Industrial, Núcleo Beija-Flor e Núcleo Mary Dota, entre outros.

“São os locais que acabaram ficando em segundo plano dentro das nossas ações de eliminação de criadouros ao longo do ano, que tiveram de ser muito intensas por conta da epidemia”, pondera.

Já nos locais onde os bloqueios foram realizados com maior abrangência, como o Jardim Vânia Maria, Parque Santa Edwirges, Parque Jaraguá, Jardim Ouro Verde e Vila Independência, os níveis de contaminação foram menores.

Prevenção

Por conta da epidemia registrada neste ano e com a aproximação do verão, a Secretaria Municipal de Saúde destaca que os moradores devem redobrar os cuidados para combater a infestação da dengue.

Entre as recomendações, está evitar vasos de plantas com pratos de plásticos; manter ralos internos e externos tampados, bem como vasos sanitários; manter piscinas limpas, tampadas ou desmontadas; descartar todo material inservível com potencial para criadouro de larvas do mosquito Aedes aegypti, tais como garrafas, latas, embalagens vazias e pneus; manter a limpeza das calhas e fazer a limpeza e troca frequente da água destinada a animais domésticos.

 

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