Bairros

Reza caseira

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

 João Rosan

A leitura bíblica, a oração entre grupos de cinco a 15 pessoas nas próprias residências, é uma vela de chama acesa entre as comunidades

O Papa Francisco, logo ao desembarcar no Brasil em junho passado e em especial ao participar da Jornada Mundial da Juventude, não por acaso reforçou pedido de seus antecessores para que os fiéis se multipliquem em atos de demonstração de fé com ações além da fronteira dos templos religiosos. A evangelização através de pequenas comunidades, grupos que reúnem de cinco a 15 pessoas toda semana na residência de um dos integrantes é um fenômeno multiplicador sólido da materialização da fé cristã.

Há tempos, os novos apóstolos de fé são milhares de cristãos que dedicam, toda semana, pelo menos uma hora da agenda para encontros em residências com a missão de orar.

E as células de oração caseira não são demonstração de evangelização além dos templos apenas entre católicos. Há anos, grupos de vizinhos, fiéis, amigos e famílias inteiras, mantém o hábito de, toda semana, se reunir em oração entre pentecostais, neopentecostais e espíritas.

A missa de domingo na igreja católica ou os cultos temáticos dos evangélicos nunca foram para esse universo de cristãos, de fato, o único e nem o principal elo de adoração a Deus entre os que acreditam. Em Bauru, as células se multiplicam em grupos e subgrupos em dezenas de bairros em encontros semanais regulares, em geral de uma hora cada um, para rezar.

Entre os evangélicos, a prática de realizar encontros de adoração ou de leitura bíblica em residências também mantém dois sentidos objetivos. Um deles é o de formar, no núcleo de várias denominações religiosas, evangelizadores multiplicadores. O outro é o de pastorear ovelhas, fazendo dos encontros nos lares uma oportunidade de conversão para os que estão distantes da fé. É, portanto, uma prática de “ampliar o rebanho”.

Nesta edição, o JC nos Bairros levantou exemplos, amostragens e depoimentos de como está a prática da atuação da “reza caseira” como elemento de fortalecimento da fé e, sobretudo, da prática cristã além dos domingos e dias santos, como aponta o livro bíblico. A realidade da consolidação desse hábito de oração é tal que, sem receio, é possível afirmar que há mais de uma célula de reza caseira em dezenas de bairros da cidade para cada boteco no mesmo quadrante.


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