Política

Estela e Bussola medem forças hoje

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O PT realiza hoje, em todo o País, seu Processo de Eleição Direta (PED), cuja repercussão incidirá diretamente no pleito de 2014. Em Bauru, a militância participará de uma das disputas mais acirradas da história do diretório municipal, polarizadas pela vice-prefeita Estela Almagro e pelo presidente do Legislativo local, Sandro Bussola.

Ambos integram a corrente majoritária do partido denominada “Construindo o Novo Brasil” (CNB). No entanto, ela apoia o marido e ex-vereador José Carlos de Souza Batata, que encabeçou a chapa “Construindo uma Nova Bauru”. Já o vereador trabalha para transformar Cláudio da Construção em seu sucessor como presidente do diretório local, com a chapa “Construindo um PT para todos”.

Uma terceira chapa denominada “Virar à Esquerda; Reatar com o Socialismo” foi inscrita para o pleito de hoje, quando será definido o nome de quem comandará o partido na cidade. Trata-se de Fabrício Genaro, assessor do vereador Roque Ferreira. Integrante da Esquerda Marxista do PT, ambos defendem chapas independentes da ala majoritária.


Disputa

Desde o período que antecedeu as inscrições, foi a queda de braço entre Estela e Sandro Bussola que agitou o meio petista. Enquanto a vice-prefeita articula para manter a já histórica hegemonia que exerce sobre o partido, Sandro Bussola tenta lhe impor derrota nas urnas ou no campo político.

Como as 36 cadeiras do diretório municipal serão distribuídas entre membros dos três grupos, proporcionalmente ao resultado da eleição, mesmo que Cláudio da Construção não vença, poderá representar dificuldades a Estela.

Se a composição do diretório contar com número considerável de integrantes da chapa apoiada por Sandro e pela de Roque, Batata corre o risco de enfrentar obstáculos na condução da legenda na cidade, se eleito.

Neste caso, o grupo de Sandro sairia do pleito de hoje com uma vitória política. Nas urnas, teria de contar com 50% dos votos mais um. Se nenhuma das três chapas obtiver o percentual, haverá na cidade um inédito segundo turno, no dia 24 de novembro.

A possibilidade, porém, é tida como muito remota. Nos bastidores, militantes apontavam Claudio da Construção com 40% dos votos, embora aliados de Estela estimassem o adversário de Batata com percentual muito inferior.

Cláudio da Construção, com o apoio de Sandro Bussola, conquistou o apoio de Jorge Moura (PT), que cogitou lançar candidatura própria. Já Batata aglutinou o grupo organizado pelo superintendente do INSS, Josué Lopes, que também ensaiou candidatura própria.


Importância

A eleição dos diretórios municipais é considerada estratégica para a vitória de Alexandre Padilha como governador do Estado de São Paulo e para a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Além do presidente dos diretórios locais, hoje também serão definidos os presidentes estadual e nacional da sigla.

No caso do Estado, o ex-prefeito de Osasco Emídio de Souza é dado como eleito em Bauru, assim como Rui Falcão, que tenta a recondução como presidente nacional da sigla. O mandato é de quatro anos.

 

  • Serviço

As eleições começam às 9h e se prolongam até às 17h, no prédio do Iesb/Prevê, com entrada pela quadra 3 da rua Alfredo Ruiz, no Centro. A expectativa é que o resultado saia por volta das 19h.


Quem é quem

O candidato a presidente do diretório local, Cláudio da Construção (PT), era do grupo da vice-prefeita Estela Almagro. Contou com ela para ganhar as eleições do Sindicato da Construção Civil há quase duas décadas e, depois, de forma estrutural e política, trabalhou na candidatura da vice, que também foi presidente do diretório local do PT.

Cláudio recebe o apoio de Sandro Bussola, que entrou para o meio político por intermédio do casal Estela e Batata. Marido e mulher defendem, por exemplo, mais vida orgânica ao PT em Bauru.

Sandro foi assessor de Batata quando vereador e o derrotou nas urnas. Apesar da militância comum do grupo integrante da CNB e da posterior cisão, a expectativa para hoje é de disputa, mas não de conflito.

Já a Esquerda Marxista defende a ruptura das políticas de alianças, fim das práticas características de “partidos de direita” e o fim das campanhas eleitorais milionárias. No âmbito municipal, o grupo critica a participação do partido no governo Rodrigo Agostinho (PMDB). Em Bauru, o PT conta com 1.497 filiados em condição de voto, de um total de aproximadamente 2.200. A eles serão disponibilizadas três urnas acompanhadas por seis fiscais cada.

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