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Entrevista da semana: Giuliano Tamura Aranha

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

Fotos/João Rosan

Com a esposa, Morela, e os filhos Gianpaolo e Gianluca

Ele descobriu o jornalismo ao lado do pai, com o gosto pela leitura de impressos. Cresceu discutindo os assuntos de destaque no cenário social, político e econômico do Brasil e do mundo com os colegas da escola. Mas foi nas ruas, de cara com a notícia, que Giuliano Tamura se apaixonou pela profissão: “Acho que o grande barato do jornalismo é a reportagem, seja impressa, no rádio ou na TV. É muito gostoso o contato com as pessoas na rua”, conta o repórter e apresentador do programa Tem Notícias, da TV TEM. Mas a Entrevista da Semana de hoje revela, também, o outro lado deste que é um dos nomes fortes do atual jornalismo de Bauru e região. 

Apaixonado pela língua italiana e por viagens, Giuliano realizou o seu primeiro sonho ainda no início da carreira: “A primeira viagem legal que consegui fazer com o meu dinheiro foi para a Itália. Fiquei em Florença, fiz um curso de italiano lá. Foi a realização de um sonho. Assisti a missa da Páscoa do ano 2000 com o Papa João Paulo II...”

Religioso, ele revela que está em um momento bastante espiritual, enquanto mostra a sua “coleção” de imagens santas compradas em viagens especiais ou trazidas por familiares e amigos.

A história de amor do jornalista é um capítulo à parte. Casado com a venezuelana Morela, com quem tem dois filhos - Gianpaolo, 9 anos, e Gianluca, 4 anos -, ele conheceu a esposa em um tour que fez pela Europa. O amor à primeira vista atravessou continentes, países e se concretizou com o “sim” ao altar, poucos meses depois. Leia os principais trechos da entrevista, a seguir.


Jornal da Cidade - Como começou a sua carreira no telejornalismo?

Giuliano Tamura Aranha - Na verdade foi por acaso. Formei-me no final de 1996, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), e fiz um teste na afiliada da Globo no Paraná, a TV Coroados, porque minha professora de telejornalismo havia encaminhado uma fita VHS minha. Passaram-se umas duas semanas e eu não fui chamado, mas já tinha até desencanado, porque queria trabalhar com jornalismo impresso. Bom, ligaram para mim umas três semanas depois do teste me convidando para cobrir férias na cidade de Cascavel, o que foi um prato cheio para quem estava se formando. 

JC - Nessa época você assinava Giuliano Aranha. Quando nasceu o Tamura?

Giuliano - Como eu disse, comecei a trabalhar em Cascavel, na Rede Paranaense de Comunicação (RPC), em uma sucursal de Foz do Iguaçu, exatamente no dia 4 de dezembro de 1996, um dia depois de apresentar o meu trabalho de conclusão de curso na faculdade. Não saí mais da televisão. Eu comecei assinando Giuliano Aranha e, quando cheguei na Globo de São Paulo, já em 2000, o Amauri Soares sugeriu a mudança para Tamura, nome que veio do meu avô materno. No começo foi estranho, porque eu era conhecido desde criança por Aranha. Mas acho que ficou até melhor (risos). No Paraná, trabalhei nas afiliadas da Rede Globo de Cascavel, Foz de Iguaçu, Curitiba e Maringá. Em São Paulo, atuei em Prudente, Bauru, Sorocaba, Jundiaí, São Paulo e, novamente, Bauru.

JC - Fazer jornalismo no Interior é diferente de fazê-lo em São Paulo?

Giuliano - Os desafios são os mesmos. O que muda, às vezes, é que uma coisa que acontece em São Paulo ganha repercussão nacional rapidamente. Lá, acompanhei casos como o sequestro da filha de Sílvio Santos, o caso do juiz Nicolau dos Santos Neto... Trabalhei em São Paulo na equipe da madrugada da Globo. Foi uma experiência sensacional. Uma vez entramos em uma favela, houve tiroteio e uma criança acabou morrendo. Um momento tenso, mas foi uma escola. Vim da Capital para o Interior e não me arrependo de jeito algum. Temos uma qualidade de vida invejável em Bauru. Todos gostamos, inclusive minha esposa, que sempre viveu na enorme (cidade de) Caracas.

JC - E quando você descobriu o jornalismo?

Giuliano - Eu sempre gostei muito de ler jornal. Meu pai assinava jornais em casa e eu era o primeiro a recolher o impresso diário, como ainda faço. E acho que foi isso que me despertou para o jornalismo. E depois, na escola, eu fazia parte de uma turma que lia muito e discutia os textos. Fui amadurecendo a ideia e prestei o vestibular. Para dizer que nunca pensei em ter outra profissão, talvez a ideia de fazer agronomia tenha passado pela minha cabeça em algum momento. Talvez.

JC - Vida de repórter...

Giuliano - Muitas reportagens me tocaram. Uma delas, inclusive, foi noticiada no Jornal Nacional e mostrou a história de um homem que doou um rim para a sua ex-mulher. A pessoa que precisava do órgão não tinha compatibilidade com ninguém da família, mas teve com o pai de seus filhos. Isso foi muito legal. Outra matéria que me marcou bastante foi sobre o reencontro de dois irmãos no Lauro de Souza Lima. Separados da família por quase 50 anos, eles se reencontraram por causa do nome da mãe. Foram muitas.

JC - Algumas renderam prêmios?

Giuliano - Sim, inclusive uma reportagem me marcou pelo inusitado. Mostramos um túnel com mais de 150 metros construído em uma penitenciária de segurança máxima de Avaré para uma tentativa de fuga. A gente conseguiu entrar no túnel e a matéria foi para o Fantástico. Recebi o prêmio das melhores reportagens do ano da TV TEM. Mas, o que mais me toca são as notícias boas. A imprensa está impregnada de coisa ruim, de tragédias. E tem tanta coisa boa acontecendo. As pessoas estão me cobrando isso. Acho que precisamos repensar o modo de trabalhar.

JC - Quem é o Giuliano Tamura fora da TV?

Giuliano - Tenho paixão pela língua italiana, tanto que a primeira viagem legal que consegui fazer com o meu dinheiro foi para a Itália. Isso lá no começo da minha carreira. Fiquei em Florença, fiz um curso de italiano lá. Foi a realização de um sonho. Assisti a missa da Páscoa do ano 2000 com o Papa João Paulo II, na Praça de São Pedro, em ano de Jubileu... Foi muito legal. Agora, com os meninos, gostamos de ir ao clube, passear com a nossa cachorra... Também gosto de ficar em casa.   

Religioso, Giuliano vive uma fase centrada na espiritualidade

JC - Você é religioso?

Giuliano - Sou católico e estou em uma fase bem religiosa da minha vida, um momento bastante espiritual. Recentemente, eu e minha esposa participamos de uma edição do Encontro de Casais com Cristo (ECC). Uma experiência muito bacana.

JC - Qual é a sua história de amor?

Giuliano - É uma história muito louca (risos). Eu conheci a Morela em Madri, na Espanha, em 2002. Na época, eu trabalhava na Globo, em São Paulo, e achava que minhas férias estavam marcadas para março. Mas, não. O mês era janeiro. Eu tinha uma grana guardada e fui para a Europa. Fiz um tour por Portugal, Espanha, França e Inglaterra. Portugal eu fiz com um grupinho e, quando cheguei à Espanha, juntei-me a outro grupo onde a conheci. Ela é da Venezuela e também estava em férias. Passamos pela Espanha, França e Inglaterra com aquela paixão toda. Eu voltei da Inglaterra para o Brasil e ela seguiu o tour. Mas eu não parava de pensar nela. Ligava todos os dias para Morela e, quando ela voltou para a Venezuela, eu ainda tinha uns dias de férias e fui para lá. Eu fui assaltado no centro de Caracas e precisei ficar na casa dela, sem conhecer os meus sogros (risos). Mas foi um marco. Decidimos nos casar (em junho de 2002).      

JC - Apresentar ou ‘ir para a rua’?

Giuliano - Eu ainda gosto muito da rua. Acho que o grande barato do jornalismo é a reportagem, seja impressa, no rádio ou na TV. É muito gostoso o contato com as pessoas na rua. Eu comecei como repórter e fui ser apresentador sete anos depois. Ter experiência como repórter antes da bancada é legal porque você traz a tarimba da rua, a dificuldade dela, que é outra. E isso acrescenta muito ao trabalho do apresentador.


Perfil

Nome: Giuliano Tamura Aranha

Idade: 38 anos

Cidade: Itapetininga/SP

Esposa: Morela del Valle Alfonzo Arrivillaga

Filhos: Gianpaolo e Gianluca

Hobby: Leitura

Livro de cabeceira: A Bíblia

Filme preferido: “O Carteiro e o Poeta”

Estilo musical predileto: Eclético

Time: São Paulo (há três gerações)

Para quem dá nota 10: Para Jesus Cristo

Para quem dá nota 0: Para a intolerância

E-mail: giuliano.tamura@tvtem.com

 

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