Tribuna do Leitor

Avaliações externas: quanto vale a nossa educação?


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As avaliações externas instituídas pelos governos federal e estadual no final do século XX vêm promovendo a construção de uma cultura avaliativa no interior das escolas brasileiras, tirando assim a centralidade do processo avaliativo da sala de aula e das figuras do professor e aluno, passando-as também, para a comunidade e gestão escolar, incluso, diretores, coordenadores pedagógicos e supervisores de ensino.

Essas avaliações não surgiram do nada e nem nos levam ao nada. Após o alcance da democratização do acesso à educação, proposto pela Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Unesco), as preocupações passaram a considerar além da questão dos números de matrículas, os resultados que se relacionam diretamente aos investimentos financeiros empreendidos, traduzidos em forma de uma possível aprendizagem por parte dos alunos.

E de lá para cá, muitas avaliações foram criadas, uma verdadeira avalanche de provas, exames, índices: Prova Brasil, Enem, Enade, Encceja, Ideb, em nível nacional; e Saresp e o Idesp em nível estadual, no caso de São Paulo.

Por trás de tudo isso, vemos inúmeros profissionais da educação sendo cobrados aos cumprimentos de metas e à espera de um bônus salarial.

Quando o Mec/Inesp projeta uma meta de Ideb 6 para o ensino fundamental em nível nacional para todo o sistema, no ano de 2022, esse verificado em especial pela prova Brasil, o que me passa a mente é o quão os nossos educadores, professores, gestores e alunos são segregados ao fracasso. Creio que podemos mais que isso!

O que se observa é um cabo de guerra entre Estado e suas avalições externas e a Escola e seus agentes. A equipe gestora e professores não precisam se pautar totalmente na Teoria Geral da Administração, nem dormir com Paulo Freire na cabeceira da cama. Também não podemos ser hipócritas e acreditar que as avaliações externas e seus resultados podem ser as redentoras da crise educacional na atualidade, nem também que as mesmas têm sido o norte de sua desilusão.

Parece-nos que o intuito hoje dos gestores é de assegurar a eficiência e eficácia de suas unidades, assim como o administrador faz com seu empreendimento, ou seja, quanto mais altas as pontuações nas avaliações externas e as colocações nos rankings, mais satisfeitos ficam os mesmos e mais valorizados eles e suas equipes são. Mas sejamos franco uns com outros: que profissional não deseja resultados ou não viva em função dos mesmos?

O "X" da questão é simples: não devemos recair na ideia utópica do fim das avaliações externas, nem também utilizá-las como mera troca de mercadoria.

Uillians Eduardo Santos, graduando do curso de pedagogia na Unesp, campus de Marília

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