Centenas de venezuelanos se reuniram na frente das lojas da rede Daka, anteontem à noite, depois que o presidente Nicolás Maduro ordenou, a “ocupação” da revendedora de eletrodomésticos. Segundo ele, a medida se deve ao fato de a loja cobrar preços dez vezes mais altos do que o que o governo considera normal.
“Já ordenei imediatamente a ocupação dessa rede, para colocar os produtos à venda para o povo a preço justo”, anunciou Maduro em cadeia nacional de rádio e televisão. Gerentes de duas lojas da rede foram detidos.
Na quinta-feira, a Guarda Nacional venezuelana prendeu o repórter Jim Wyss, do “Miami Herald”, em San Cristóbal, próxima à fronteira com a Colômbia, para onde venezuelanos vão em busca de burlar os rígidos controles cambiais do governo. O governo não informou o motivo ou o paradeiro de Wyss.
Segundo o jornal “El Tiempo”, que se opõe ao presidente, o discurso colocou as lojas “à beira do saqueio”. Segundo o “El Mundo”, os produtos das lojas foram vendidos a “novos preços”. Televisores de 32 polegadas, vendidos a 17 mil bolívares (R$ 6.246) antes da intervenção, passaram a ser vendidos a 2,5 mil bolívares (R$ 914).
Em qualquer país do mundo, lojas que cobram caro arriscam perder clientes e vendas para seus concorrentes. Na Venezuela, em meio a uma crise econômica e a uma guerra de propaganda do governo contra a flutuação do câmbio, os preços viraram questão de Estado.
A inflação venezuelana, de acordo com o índice oficial divulgado quinta-feira pelo Banco Central do país, foi de 54,3% no ano até outubro, com os preços subindo 5,1% entre setembro e outubro. Fora dos índices oficiais, a história é diferente.
Como a Venezuela depende de importação para praticamente todos os produtos, a desvalorização do câmbio que vem ocorrendo desde o início do ano afeta fortemente a economia.