Internacional

Diplomata filipino entra em greve de fome para pressionar o governo

Por Giuliana Miranda | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O diplomata Naderev "Yeb" Sano, chefe da delegação das Filipinas na COP-19 (conferência do clima da ONU), surpreendeu representantes dos 195 países presentes na reunião de abertura do evento e anunciou que está começando uma greve de fome nesta segunda-feira (11).

 

Sano foi às lágrimas durante o anúncio, que foi seguido por uma salva de palmas feita de pé pela delegação de vários países em desenvolvimento. Vários delegados gritaram em coro o nome do diplomata nas instalações do Estádio Nacional de Varsóvia.

 

Segundo o filipino, o jejum se estenderá durante toda a conferência, até que haja avanços concretos para a mobilização de verbas para países atingidos pelas mudanças climáticas.

 

No último sábado, as Filipinas foram atingidas pelo tufão Haiyan, de categoria cinco, o mais mortal da história do país. Oficialmente, a contagem de mortos ainda está nas centenas, mas especialistas falam em milhares de vítimas fatais.

 

O país asiático sempre esteve na rota de fenômenos naturais do tipo, mas, segundo especialistas, a frequência e a intensidade dos tufões está aumentando. As autoridades filipinas dizem que, agora, são em média 22 eventos desse tipo por ano, causando prejuízos materiais e a perda de vidas.

 

O chefe da delegação das Filipinas diz que o tufão do fim de semana atingiu a cidade de sua família e que ele ficou dias sem notícias de parentes e amigos.

 

"Em solidariedade com os membros da minha família que estão lutando em meu país para encontrar comida. Em solidariedade com o meu irmão, que não come há dias. Com todo o respeito, senhor presidente, e eu não quero ser desrespeitoso com a sua generosa hospitalidade. Mas eu estou agora começando um jejum voluntário até o fim desta conferência. Eu vou me abster de comer durante esta COP, até que negociações para garantir a mobilização de verbas no Fundo Verde do Clima avancem", disse o diplomata, antes de chorar.

 

No ano passado, o diplomata já havia chorado no plenário, também por conta de um tufão. Na ocasião, as Filipinas haviam sido atingidas por um tufão que deixou centenas de mortos e desabrigados.

 

"Eu estou ficando com medo de vir às reuniões do clima da ONU. Toda vez, é um desastre", disse outra representante da delegação das Filipinas, a diplomata Alicia Ilaga. Segundo ela, os países desenvolvidos estão mostrando muita "solidariedade, muitos apertos de mão", mas até agora, ninguém enviou financiamento.

 

O Fundo Verde do Clima foi proposto na conferência do clima de 2009, em Copenhague, e teve suas diretrizes aprovadas em 2011, em Durban. Os países desenvolvidos se comprometeram a doar dinheiro para financiar medidas de adaptação e mitigação nas nações menos desenvolvidas. Até agora, no entanto, não há decisões sobre o financiamento e a distribuição dos recursos. A decisão sobre um novo pacto do clima, que substituirá o Protocolo de Kyoto, ficou para 2015, em Paris. 

 

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