Polícia

Homem é assaltado enquanto ?pega uma brisa? em frente à própria casa

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

O cabeleireiro Paulo César Faneco, 50 anos, estava tranquilo em frente da sua casa quando foi surpreendido com quatro coronhadas, três na cabeça e uma no rosto, por dois assaltantes na noite do último sábado.

“Foram me dando coronhada, me jogando para dentro e pedindo dinheiro”, conta a vítima. Assustado com a violência, o cabeleireiro optará agora pela mudança de hábito: “A gente tem que se trancar”, lamenta.

Além do medo, restaram as dores da violência contra Paulo, que sente ainda as pancadas na cabeça e no rosto.

Já eram 22h20 de um sábado com calor insuportável. Ele posicionou sua cadeira e colocou o umidificador na esperança de que houvesse a troca de ar seco do interior do imóvel com a brisa. Já havia posicionado do lado de fora sua mãe, portadora de Mal de Alzheimer. Na sequência, foi rendido por dois homens, um deles armado com um revólver.

Desde que nasceu, há 50 anos, o bauruense Paulo reside com seus familiares no imóvel da quadra 1 da rua Vereador Antonio Ferreira de Menezes, na Vila Falcão. Ele comenta que sua mãe tem hábito, muito comum dos antigos moradores de Bauru, de abrir o portão de casa para dar comida a moradores de rua e andarilhos. “Isso ela vai ter que cortar muito”, sentencia.

Moradores dos bairros mais tradicionais de Bauru, como Jardim Bela Vista, Altos da Cidade, Vila Pacífico, Independência, Vila Falcão, Vila Cardia, Altos da Cidade, Geisel, Redentor, entre outros, reconhecem as pessoas de rua e eventuais usuários de droga que costumam abordá-los.

Paulo tem certeza de que seus agressores não costumam circular nas imediações de sua casa.

Os homens obrigaram Paulo a dar R$ 300,00 em dinheiro, sua carteira com cartões bancários e documentos, como a CNH. Na sequência fugiram.

Conforme relatou a vítima para os policiais militares, os dois homens eram morenos, usavam bonés, camiseta e bermuda. O mais alto aparentava cerca de 1,80 metro de altura e era forte; o outro tem cerca de 1,65 metro de altura.

Vitrine para o mundo

Os moradores mais antigos de Bauru têm a rua quase como extensão de suas moradias. A rua é uma vitrine para o mundo. É comum subdimensionarem os riscos do hábito de ficar na porta de casa aproveitando a brisa e conversando com familiares, vizinhos e quem passa. Assim, há uma espontaneidade em seu modo de vida que já não combina com Bauru.

A bauruense Jurema Machado Ramos, 70 anos, mantém o costume de deixar o portão aberto e de ocupar a frente de sua casa com várias cadeiras para o bate-papo e pegar uma brisa.

A moradora da Vila Falcão costuma dar comida ou pão para os andarilhos que batem à sua porta, na quadra 8 da rua Campos Salles, onde reside há cerca de 12 anos.

Ela conta que não faz muito tempo teve um dissabor ao tentar ajudar uma pessoa vinda da rua. Ela cedeu um quarto nos fundos para um homem que parecia disposto a não dar problemas. “Ele voltou a usar droga e tive que mandá-lo ir embora”, comenta.

Jurema explica que a rua é uma diversão para ela, a cunhada Dulce Silva Ramos e a neta Silvia Vieira Ramos. Ela conta que de domingo para a segunda ficaram até cerca de 2h da madrugada aproveitando a brisa. “Daqui a pouco (16h30 de ontem) já vou para lá. O ar está parado”, comenta.

 

João Rosan

Jurema Machado Ramos diz ter tido dissabor ao tentar ajudar uma pessoa na rua

Extensão da residência

Juntar os vizinhos para um bate-papo é uma diversão para o casal Mauro Gonçalves de Freitas, 79 anos, e Irene Rosa de Freitas. Eles residem há 30 anos na quadra 15 da rua Wenceslau Braz, na Vila Pacífico. Toda tarde é sagrada. Cadeiras são colocadas do outro lado da calçada debaixo de uma árvore da praça em frente à Escola Estadual Stela Machado, na praça Samuel Brasil Reis. “Nosso lugarzinho é aqui. E os vizinhos vêm”, comemoram.

Mauro admite que, de uns tempos para cá, estranha a movimentação de alguns frequentadores da praça. “Não me sinto mais seguro como antes”, pontua.

O morador conta que sua presença para “uma fresca” diariamente rende no mínimo dois a três atendimentos a motoristas perdidos em busca de informação.

Comentários

Comentários