O prédio que teve um apartamento incendiado na tarde do último domingo passará por uma reavaliação de um engenheiro particular.
O estudo detalhado das possíveis consequências resultadas do incêndio foi solicitado pelo síndico do condomínio. Agentes da Defesa Civil estiveram anteontem no local e apontaram que os danos causados no imóvel, que teve o interior completamente destruído, aparentemente não teriam afetado a estrutura do prédio.
“A própria Defesa Civil nos recomendou isso. Queremos atestar que realmente não há riscos para os demais moradores do prédio. O apartamento ficou completamente destruído e sem condições de habitação. Também pretendemos registrar um boletim de ocorrência contra o autor, afinal ele colocou em risco os outros condôminos”, afirma o síndico do prédio, Antônio Mainini, ressaltando que o caso gerou mobilização dos demais moradores.
Atualmente, o Residencial Ícaro possui aproximadamente 450 habitantes. O bloco do imóvel em questão é composto por 16 apartamentos.
“Foi um susto para todos nós. Só deu para pegar a bolsa e descer”, conta uma professora de 31 anos, vizinha do apartamento, que pediu para não ser identificada.
O laudo que atesta se a estrutura do prédio ou dos demais apartamentos acabou danificada em virtude do episódio deve ser emitido ainda nesta semana, segundo o síndico.
Riscos
De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, o fato de o apartamento estar localizado no último andar evitou danos maiores.
“O calor acabou indo para a atmosfera. Se houvesse apartamentos acima provavelmente o dano teria sido maior. Um pequeno incêndio ou uma batida de carro são situações previstas no projeto e, normalmente, os prédios suportam. Mas é sempre interessante o acompanhamento de um engenheiro”, pontua.
Outra questão enfatizada por ele é o fato de o condomínio estar regular quanto às normas de segurança. “O sistema de alarme de fumaça e a presença de extintores estavam regulares. Esses itens são fundamentais nessa hora”, acrescenta.
Negativa?
Conforme o JC publicou na edição de ontem, o proprietário do apartamento e companheiro de uma mulher de 37 anos, que residia no local com os filhos de 18,15 e 13 anos, foi apontado como autor do incêndio. Ele teria fugido depois do crime.
A reportagem conseguiu contatar o acusado, Sérgio Graciani, de 45 anos, que é representante de vendas em Bauru. Ele negou a autoria do crime.
“Jamais incendiaria meu próprio imóvel. Não sei por que ela está fazendo isso. Nós discutimos e eu saí de casa. Estava na casa da minha mãe neste horário. Não estou foragido, eu estive lá por volta das 18h do domingo. Ninguém tem prova de nada. Vou deixar a polícia apurar os fatos”, diz Graciani.
A ex-companheira do acusado, Carla Silva Rocha, 37 anos, contudo, sustenta que o fato ocorreu e que teria sido provocado por ele após uma briga entre o casal.
“Ele ligou no meu celular hoje (ontem) e pediu desculpas. Perguntou se estávamos bem e disse que não sabe o que deu nele. Disse também que irá acertar todo o prejuízo e que já conversou com o síndico”, afirma a mulher, descartando reatar o relacionamento.