A relação de causa e consequência entre as figuras importantes do rock tem me chamado a atenção a algum tempo. Ontem (domingo, dia 10/11), no programa do SBT, De Frente com Gabi, João Gordo, vocalista da banda Ratos de Porão há 31 anos e ex-apresentador da MTV e da Rede Record, figura inteligentíssima, de raciocínio rápido, que conheci há uns 20 dias atrás no Jack, casa noturna que nada de braçadas em relação a outras (que trará Raimundos, Sepultura E Kid Vinil ainda este ano, dentre os mais famosos), contou um pouco de sua história na ótima entrevista sobre sua vida e carreira.
E na primeira parte do programa disse que sofreu muita opressão e repressão na sua infância pelo pai (e na época de ditadura), falecido recentemente, ex-policial militar, o que fez com que saísse de casa ainda muito jovem e montou sua banda que é contestadora, que fala de opressão e repressão, dentre outros temas, que embora escrito ao longo da sua longínqua carreira, serão atemporais, atuais, pois o país, apesar de estar numa "democratização", ainda sofre muito e não consegue evoluir, pela cultura do brasileiro. Os traumas nesse caso mostrou uma pessoa que venceu na vida, com muitas dificuldades por causa de seu estilo musical, o jeito meteórico de cantar e a relação com as drogas, ilegais e legais e na atitude crítica e repressora do pai.
No mesmo parâmetro, Axl Rose, vocalista de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, Guns ?n Roses, em uma entrevista à revista Rolling Stone, pela entrevistadora Kim Neely, no dia 2 de abril de 1992, conta que a gravidez indesejada da mãe e o abandono mais tarde e o desprezo do pai e abuso sexual na infância o fizeram entender as coisas erroneamente, numa total confusão em não saber discernir o certo do errado. Prova disso foi que o famoso vocalista achou até uma determinada idade que bater em mulher era uma coisa normal, e teve que fugir para não ter qualquer transtorno que o levasse à agressividade, à crueldade, à violência de modo geral.
Axl, como Slash conta em sua biografia (guitarrista e amigo de infância), moraram juntos um bom tempo na casa da mãe do guitarrista e compuseram muitas das canções de sucesso da banda. Mas o trauma não parou por aí. As várias prisões de Axl, em shows, no trânsito e atitudes como em São Paulo, quando, no hotel em ficou hospedado, uma fã pediu seu telefone e ele, descontrolado, jogou-o do alto do hotel, na sacada de seu apartamento, quase atingindo os fãs, mostra o quanto o exemplo familiar influencia na personalidade da pessoa.
Casos das autoritárias e opressoras mães e repressores pais (fazendo com que a educação religiosa distorcida castrem seus filhos) com os filhos, que acabam por terem um mecanismo de defesa, fuga nas drogas, "virarem" homossexuais (sem preconceito algum, pois dois dos meus melhores amigos são), saírem obrigados de casa, casando-se muitas vezes sem gostar, para não adoecer, para viver em paz, filhas engravidando para atingir os pais e outros absurdos mais, como em muitos casos. Nesses dois casos dos músicos citados, serviu para se encontrarem na música, mas deixaram traumas que, inconscientemente, são descontados em suas atitudes diárias.
Nem todo exemplo deve ser seguido e ter o cuidado, a cautela, na educação dos filhos, principalmente nesse mundo cão, de "repressão democrática", é fundamental para o sucesso e realização pessoal e profissional dos homens do amanhã.
Guto Guedes, poeta e músico