O Irã rebateu ontem acusações dos EUA de que teria provocado o fracasso das negociações do último fim de semana, em Genebra, na qual as partes chegaram perto de um acordo preliminar para romper o impasse acerca do programa nuclear iraniano.
Pelo Twitter, o chanceler Mohammad Javad Zarif se dirigiu ao secretário de Estado americano, John Kerry, para lembrá-lo do suposto racha na posição das potências que negociam com Teerã.
“Senhor secretário, foi o Irã quem destruiu mais da metade da proposta americana na quinta-feira à noite e a criticou publicamente na manhã de sexta-feira?”, questionou Zarif, numa aparente menção às objeções formuladas pela França antes mesmo do fim das conversas. A rejeição do chanceler francês, Laurent Fabius, à proposta dos EUA teve papel fundamental para impedir um entendimento. Paris considerou insuficiente a oferta, que exigia do Irã o congelamento de boa parte das atividades nucleares em troca de alívio modesto das sanções.
“Jogar com as palavras não mudará nada em relação ao que aconteceu entre o (P)5 + 1 entre as 18h de quinta-feira e as 17h45 de sábado. Isso só levará à deterioração da confiança (mútua)”, alertou Zarif, numa referência ao grupo de potências que reúne EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha.
A tese de racha no campo das potências foi corroborada por um diplomata russo consultado pela reportagem. “O rascunho da proposta americana agradava ao lado iraniano. (...) Mas como a decisão (...) depende de consenso, não foi possível chegar a um acordo final, infelizmente.”
Kerry, contudo, minimizou relatos de racha entre aliados e disse que os iranianos “não foram capazes” de aceitar a proposta. Em entrevista à BBC, afirmou que chegou-se “muito perto de um acordo.”