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Pai acusa Maternidade de negligência em parto de esposa

Renata Marconi
| Tempo de leitura: 5 min

Um homem procurou a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, nesta quarta-feira (13), para acusar a Maternidade Santa Izabel de negligência no atendimento do parto de sua esposa, durante a madrugada. Regis Cristóvam Faleiro Prates contou à reportagem que a filha nasceu na sala de pré-parto, sem a presença de um médico e precisou ser reanimada. Ela está entubada em estado grave, de acordo com ele.

Em nota oficial (leia íntegra no final da reportagem), a assessoria de imprensa da Maternidade Santa Izabel informou que, às 17h53 de hoje (13), o bebê está estável, com frequência cardíaca normal e segue internado na UTI Neonatal

Malavolta Jr.

Em frente à Maternidade, o pai e a avó da criança aguardam informações sobre o estado de saúde dela

Segundo Regis, ele e a esposa, Gisela Rodrigues de Almeida, 29 anos, teriam ido à Maternidade às 5h de ontem, pois ela estava com contrações e perdendo líquido.

O médico plantonista teria examinado Gisela e dito que ela não estava com dilatação necessária para o parto, que o líquido seria urina e mandou os dois de volta para casa.

Por volta das 18h, segundo Regis, eles voltaram ao hospital e a mulher foi examinada por dois médicos. Duas horas depois, ela teria sido levada à sala de pré-parto, mas não teria recebido auxílio.

O pai da criança contou que a última checagem de dilatação foi feita à 1h de hoje e que as enfermeiras divergiram na resposta. Uma delas teria dito que a dilatação estava em 7 centímetros, mas, em seguida, outra teria dito que estava com 5. Régis também afirmou que não foram feitos os procedimentos necessários para o parto e que ele precisou dar banho na esposa.

Em seguida, por volta das 4h, a mulher, que estava com a bolsa estourada, começou a dar à luz no quarto, sem a ajuda de um médico. Apenas uma enfermeira chegou e teria segurado a cabeça da criança por alguns minutos, até que uma médica obstetra chegasse ao local. Assim que chegou, contou o pai, a médica tirou a criança e fez os procedimentos necessários. “Ela ficou preocupada quando perguntou para a enfermeira há quanto tempo a criança estava assim e já tirou logo”, disse o pai.

A criança teria nascido sem vida, segundo Regis, e precisou ser reanimada com massagem cardíaca e injeção de adrenalina. Samira, nome que os pais deram para a menina, está internada em estado grave e entubada. Ela nasceu com 3.800 kg. A mãe Gisela passa bem. O caso foi registrado como omissão de socorro e exposição ao perigo.

Segundo assessoria de imprensa da Maternidade, o protocolo de assistência à paciente foi seguido corretamente, segundo prevê o Ministério da Saúde. Diz, ainda, que é comum que o trabalho de parto seja realizado por uma enfermeira obstetra.

Leia nota oficial na íntegra

Esclarecimentos da Famesp

"Em relação à paciente Gisela Rodrigues de Almeida, a Maternidade Santa Isabel, administrada pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), esclarece que foi oferecida toda a assistência protocolar rotineira. Na sala de pré-parto, equipada com camas PPP (pré-parto, parto e pós-parto), preparadas para acolher qualquer uma das três situações, a paciente teve a evolução de dilatação e afinamento do colo esperados e ficou em trabalho de parto em companhia do seu marido - como preconiza a filosofia de partos humanizados. Esclarecemos que ao atingir dilatação de 6 cm não é recomendada a administração de medicamentos e, por isso, só resta à equipe deixar a mulher em condição confortável para aguardar o parto naturalmente. O protocolo de admissão, no entanto, foi seguido com coleta de exames, puncionado acesso venoso e administração de medicação. As atuais diretrizes humanizadas de condução do trabalho de parto reforçam a necessidade da diminuição das intervenções no processo do trabalho de parto, de forma a torná-lo o mais natural possível, mas em momento algum a atenção assistencial foi reduzida.

Sobre a alegação de que o parto foi feito na sala de pré-parto sem a presença de um médico, informamos que a Maternidade atende hoje às exigências e protocolos técnicos e de humanização estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Dois médicos obstetras ficam sempre no plantão da maternidade, in loco, preparados para qualquer intercorrência e as profissionais de enfermagem do setor são habilitadas e pós-graduadas com título de enfermeira obstetriz, autorizadas pelo código de ética do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), para realizar  partos vaginais de baixo risco sem a necessidade de presença de um profissional médico obstetra (desde que este esteja presente na maternidade).

Ao nascimento, houve uma desproporção entre o ombro e o canal de parto e, imediatamente, a enfermeira obstetriz solicitou a presença do médico que, rapidamente, fez a manobra necessária, concluindo o parto em 2 minutos. O quadro de asfixia do bebê não se justifica num parto de 2 minutos, como foi o caso. Por isso, estão sendo realizados exames que poderão identificar, por exemplo, se já havia alguma patologia intrauterina, que poderia levar a um sofrimento fetal. 

A Maternidade ressalta que, desde o princípio, a família foi devidamente orientada sobre todos os procedimentos e se coloca à disposição para outros esclarecimentos.

O protocolo de indução de parto foi seguido adequadamente, com administração de medicação via vaginal as 20h10, quando a paciente já apresentava 3 cm de dilatação cervical. Uma hora da manhã, quando deveria ser administrada a segunda dose da droga de indução, a paciente já apresentava 5cm de dilatação, o que segundo o protocolo exclui a indicação de continuidade de droga via vaginal. Às 04h50 a paciente evoluiu com dilatação total sem nenhuma intercorrência até o momento e deu-se início ao parto."


 

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