Um homem procurou a Central de Polícia Judiciária (CPJ), ontem, para acusar a Maternidade Santa Izabel de negligência no atendimento do parto de sua esposa, durante a madrugada. Regis Cristóvam Faleiro Prates contou à reportagem que a filha deles nasceu com asfixia na sala de pré-parto, sem a presença de um médico, e precisou ser reanimada.
Ela está entubada e, de acordo com ele, em estado grave. A assessoria de imprensa da maternidade rebate a acusação e informa que dois médicos obstetras estavam no hospital, preparados para qualquer intercorrência.
Segundo Regis, ele e a esposa, Gisela Rodrigues de Almeida, 29 anos, teriam ido à unidade às 5h de anteontem, pois ela estava com contrações e perdendo líquido amniótico. O médico plantonista teria examinado Gisela, que estava grávida de 38 semanas, e dito que ela não estava com dilatação necessária para o parto, que o líquido seria urina e mandou os dois de volta para casa.
Por volta das 18h, segundo Regis, eles voltaram ao hospital e a mulher foi examinada por dois médicos. Duas horas depois, ela teria sido levada à sala de pré-parto, mas não teria recebido auxílio. O pai da criança contou que a última checagem de dilatação foi feita à 1h de ontem e que as enfermeiras divergiram na resposta.
Uma delas teria dito que a dilatação estava em sete centímetros, mas, em seguida, outra teria dito que estava com cinco. Uma enfermeira teria medicado a paciente com um remédio para acelerar a dilatação. Regis também afirmou que não foram feitos os procedimentos necessários para o parto e que ele precisou dar banho na esposa.
Em seguida, por volta das 4h, a mulher, que estava com a bolsa estourada, começou a dar à luz no quarto, sem a ajuda de um médico. Apenas uma enfermeira chegou e teria segurado a cabeça da criança por alguns minutos, até que uma médica obstetra chegasse ao local.
Assim que chegou, contou o pai, a médica tirou a criança e fez os procedimentos necessários. “Ela ficou preocupada quando perguntou para a enfermeira há quanto tempo a criança estava assim, e já tirou logo”, disse o pai.
A criança teria nascido sem sinais vitais, segundo Regis, e precisou ser reanimada com massagem cardíaca e injeção de adrenalina. “A enfermeira disse que estava tudo bem, mas eu vi o rosto da minha filha ficando roxo”. Samira, nome que os pais deram à menina, está internada em estado grave e entubada. Ela nasceu com 3,8 quilos. Gisela passa bem.
Regis contou que a enfermeira que fez o parto teria dito que é comum realizar o procedimento sem a presença de um médico no quarto e que o profissional é acionado apenas quando há alguma complicação. Ainda teria acrescentado que realizou sete partos naquele dia e que apenas a filha dele teria ficado “enroscada”.
Depois que a médica fez os procedimentos do parto, ainda teria esperado o pediatra chegar para socorrer a criança. O caso foi registrado como omissão de socorro e exposição ao perigo.
Família espera resposta
Gisela falou à reportagem que estava muito abalada e que aguardava notícias da filha. “Entreguei a Deus, espero logo que ela fique bem”, lamentou a mãe. O casal visitou a filha na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e teve a informação que ela está em estado grave.
A avó da criança disse que Gisela tem outras duas filhas, de 8 e 12 anos, que nasceram de parto normal, também na maternidade. “A irmã estava esperando a Samira em casa, estava tudo pronto”, contou a avó da criança, Sueli Rodrigues Brandão.
A mulher, que mora no Parque Bauru, teria feito o pré-natal na Unidade Básica do Núcleo Geisel e a criança estava saudável nos quatro ultrassons realizados.
Hospital afirma que protocolo foi seguido de maneira correta
Segundo a assessoria de imprensa da Maternidade Santa Izabel, administrada pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), o protocolo de assistência ao paciente foi seguido corretamente, segundo prevê o Ministério da Saúde. Diz, ainda, que é comum que o trabalho de parto seja realizado por uma enfermeira obstetra.
Na sala de pré-parto, equipada com camas PPP (pré-parto, parto e pós-parto), preparadas para acolher qualquer uma das três situações, a paciente teve a evolução de dilatação e afinamento do colo esperados e ficou em trabalho de parto em companhia do seu marido - como preconiza a filosofia de partos humanizados. Esclareceram que, ao atingir dilatação de seis centímetros, foram feitos exames e administrada medicação.
Plantão
O vice-presidente da Famesp, Antônio Rugolo Jr., ainda afirmou que havia pediatras e obstetras de plantão no momento e que as enfermeiras têm treinamento de reanimação neonatal, ou seja, a criança não estava desassistida.
A enfermeira que realizou o parto tem treinamento e é autorizada pelo Código de Ética do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) a realizar partos vaginais de baixo risco sem a necessidade de médico obstetra, desde que este esteja presente na maternidade. Como houve uma desproporção entre o ombro e o canal de parto, o profissional foi acionado e concluiu o procedimento em dois minutos.
Segundo a assessoria, a manobra foi executada com rapidez e, portanto, o quadro de asfixia do bebê não se justifica por eventual demora no atendimento. Segundo Rugolo, exames estão sendo realizados para tentar identificar, por exemplo, se já havia alguma patologia intrauterina, que poderia levar a um sofrimento fetal.