Cinco homens armados com uma metralhadora e revólveres assaltaram a residência de um policial civil aposentado, de 74 anos, no início da manhã de ontem, no Jardim TV, zona Norte de Bauru. O crime aconteceu por volta das 7h30, quando a vítima foi abordada em frente a sua casa por homens que chegaram em um Jetta preto.
Após manter o policial e sua esposa de 70 anos reféns por aproximadamente 40 minutos, o grupo fugiu sentido rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, levando joias e cinco armas que o agente guardava em sua casa: uma espingarda calibre 12, uma carabina puma, um revólver calibre 22, um revólver calibre 38 e a pistola 380 que a vítima portava no momento da abordagem. Todas estavam municiadas e guardadas em coldres.
A Polícia Militar (PM) foi acionada por vizinhos que viram o carro fugindo do local.
Viaturas das bases Leste e Sudeste e o helicóptero Águia da PM foram acionados para patrulhar a área, mas ninguém foi preso até o fechamento desta edição.
Policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ) também estiveram no local.
“Já temos a descrição dos envolvidos e trabalhamos com a hipótese de ser gente tanto da cidade quanto de fora. Quem fez isso sabia o que queria, eles já entraram pedindo as armas”, afirma o delegado Kléber Granja.
A Polícia Científica esteve no local colhendo as impressões digitais e rastros deixados pelo grupo.
O assalto
Como de costume, o policial aposentado Durval Júlio carregava uma pistola 380 em um coldre preso à cintura enquanto acompanhava, da calçada, mais um dia de trabalho de homens que instalavam uma antena de telefonia ao lado de sua casa, localizada na quadra 8 da rua Forte Grassi.
O serviço teve início há cerca de um mês e o terreno onde a torre está sendo instalada foi alugado pelo policial aposentado para uma empresa de engenharia da cidade.
“Eles chegaram num carro, me abordaram e já pegaram a pistola. Outros dois abordaram o pessoal que estava trabalhando e fizeram eles jogarem todos os celulares no mato. Enquanto isso, três deles me levaram lá para dentro e abordaram minha esposa também”, conta Durval.
No interior do imóvel, o pedido dos bandidos era claro. “Eles chegaram perguntando onde as armas estavam escondidas e onde estavam o ouro e o dinheiro do aluguel do terreno. Também nos perguntaram se tínhamos filho ou mais parentes policiais”, comenta a esposa do policial e professora aposentada, Mariza Léa Marques Júlio.
Durante os momentos de terror, o casal foi amarrado com fita na sala da casa e, mediante as ameaças, acabou revelando ao trio o local onde as armas do policial aposentado estavam guardadas.
Em seguida, eles trancaram as vítimas e fugiram junto com outros dois homens no Jetta levando as armas municiadas, a chave de um dos dois carros que estavam na garagem, duas correntes de ouro, uma pulseira de pérolas e até mesmo uma aliança do casal.
Instantes após a saída dos bandidos, o casal conseguiu se soltar e pedir ajuda, mas os vizinhos já haviam ligado para a polícia. Apesar do susto, ninguém se feriu.
“Isso nunca tinha acontecido antes conosco. Eu digo para ele não ficar na rua, mas toda manhã é assim. Dá um pouco de medo, mas fazer o quê? Vamos seguir em frente e deixar a polícia investigar”, lamenta Mariza.
Acerto de contas?
Em rápida conversa com a reportagem, o policial aposentado comentou que no momento em que eram amarrados, um dos assaltantes comentava que a vítima seria perigosa e que já havia prendido e matado várias pessoas na cidade. “Eles nem sabem o que estavam dizendo”, suspira o policial, que atuou por vários anos no 3º Distrito Policial.
Via de fuga
A residência em questão é localizada próxima a ruas de terra do bairro que dão acesso à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, fato que, segundo a Polícia Militar, foi determinante para a fuga.
“É um local ermo e fica próximo à rodovia e a vários trevos que levam a cidades como Lins, Marília e São Paulo. Isso dificulta o trabalho da polícia. Além disso, quando a ocorrência foi repassada ao Águia, não tínhamos informação sobre o modelo do carro, que só foi informado depois”, comenta o tenente da PM, Eduardo Rezende.