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Entrevista da semana: Ricardo Coube

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

João Rosan

Apaixonado por esportes, pescaria e com uma agenda profissional sempre cheia, o empresário conta com o suporte da família para viver em equilíbrio

Aos 60 anos de idade, ele acumula diversas funções profissionais e afirma que o segredo está no equilíbrio das forças. “Acho que viver é uma arte e você precisa saber equilibrar todos os seus papéis de forma a estar bem com você, pessoal e profissionalmente”, afirma o empresário Ricardo Coube, personagem da Entrevista da Semana de hoje.

Diretor-presidente da Tiliform e atual presidente do Bauru Tênis Clube (BTC), ele ainda se divide entre as atividades na diretoria de entidades de classe como Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf), Associação Brasileira da Indústria Gráfica e (Abigraf) e Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG). “Um dos meus orgulhos é ver que a empresa da família já está nas mãos da quarta geração, algo difícil de acontecer no Brasil”.

Mas a vida de Ricardo não se resume a trabalho. Homem do esporte, ele coleciona histórias com o futebol, basquete e tênis. Tanto que, aos 13 anos de idade, foi convidado para jogar no Santos. A pescaria é outra paixão que rende bons “causos” e que você lê, a seguir.   


Jornal da Cidade - Ricardo por Ricardo.

Ricardo Marques Coube - Uma coisa de que me orgulho muito é de ter levado uma infância e juventude comuns, simples mesmo, apesar de ter estudado na escola onde meu pai foi presidente, na Fundação Educacional de Bauru, que deu origem à Unesp. Depois fiz engenharia no período em que ele foi prefeito... Enfim, apesar de toda essa responsabilidade de carregar o nome da família, até mesmo pela empresa, eu soube levar uma vida muito simples, sem nenhum privilégio. Não deixei de jogar o meu futebol, frequentava clubes com os amigos, andava a pé, de bicicleta pela ruas de Bauru... E eu acredito que isso contribuiu muito para a minha facilidade em lidar com as pessoas, o que eu aponto como uma virtude minha.     

JC - Você menciona a sua mãe no “nota 10”.

Ricardo - Sim. Dou “nota 10” para ela porque o meu pai faleceu em 1981 e ela soube ser o nosso elo de união. Eu sou o mais velho de uma família de sete irmãos e, na época, tinha 28 anos. Meu pai era uma pessoa aparentemente forte, saudável e teve infarto fulminante aos 53 anos. Era ele quem dava a nossa direção, educação, exemplo como empresário, político... E a ausência repentina dele poderia significar uma ruptura desse direcionamento. Mas isso não aconteceu. Estamos todos bem. Hoje, eu tenho uma satisfação muito grande na vida: trabalhar com dois filhos e um sobrinho. Sendo a Tilibra um projeto do meu avô e a Tiliform uma sucessora da Tilibra, a empresa está nas mãos da quarta geração. Esta é uma satisfação pessoal e profissional enorme. As estatísticas desse processo são extremamente baixas. No Brasil, é difícil encontrar uma empresa familiar que chegue à quarta geração, e com a vitalidade da nossa.

JC - Amizade é?

Ricardo - É outra coisa de que eu me orgulho muito. Tenho muitos amigos, valorizo e respeito demais o grupo de pessoas com as quais eu me relaciono no futebol, na sauna, na sexta, no sábado, no domingo... (risos)

JC - Você é o atual presidente do BTC. Quais são as prioridades da sua administração?

Ricardo - O que mais me satisfaz é termos montado a atual equipe: um grupo de pessoas que tem contribuído com a administração delegando e negociando funções e responsabilidades. Todos comprometidos e engajados com o clube. O grande mérito da nossa gestão será isso: um grupo novo, a renovação de estilo, de mentalidade e isso está sendo muito bom para o clube, está oxigenando no sentido de passar uma imagem de um grupo grande que cuida do BTC, o que faz com que o associado participe mais, opine, critique e todos ganham com esse envolvimento.   

JC - Qual é a sua trajetória na Tiliform?

Ricardo - A empresa nasceu em 1985, como um projeto de diversificação de negócios da Tilibra. Desde o começo, eu fui designado para ser um dos principais responsáveis da sua montagem. O negócio, na época, era um segmento muito atraente sobre os aspectos de mercado, rentabilidade... E é uma empresa que, muito rapidamente, posicionou-se e deu certo. Em 1989, por várias razões, inclusive familiares, quem sabe eu até faça um livro sobre isso, a minha mãe com os seus sete filhos negociou a nossa saída da Tilibra. Ficamos com a Tiliform, fazendas, imóveis e outras coisas que nos permitiram concentrar a atenção à Tiliform. E, desde 1994/95, eu e mais três irmãos administramos a empresa da família.  

JC - Já li alguns artigos seus neste jornal e em alguns sites. Escrever também é hobby?

Ricardo - Sim. Durante noves meses eu escrevi sobre empreendedorismo, empresariado, mercado de trabalho e outros temas atuais para os domingos do JC. Eu estudo e leio muito e participo de vários eventos em São Paulo por ser diretor de entidades de classe, como Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf), Associação Brasileira da Indústria Gráfica e (Abigraf) e da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG). Fora isso, eu também gosto muito de escrever sobre política.

JC - Por falar em política, por que a “nota 0” para o governo petista?

Ricardo - Este é o tema de meu próximo artigo (risos). Acho que o modelo de governo da Dilma, herança do ex-presidente que ela sucede, está trazendo uma grande desesperança sobre o futuro do País, principalmente para os jovens. Acho que o Brasil perdeu aquele encanto, aquela promessa do país onde o futuro já chegou. Correios mal das pernas, Petrobras, também. Ela é estatizante. Quem governa um país com 40 ministros? Ela governa com quatro ou cinco, mas tem 40. É um cabidão de empregos que está custando caro para o Brasil.   

JC - Você nunca quis ser político?

Ricardo - Querer, não. Eu já fui convidado, mas nunca fiz questão. Gosto de política e entendo o peso que ela tem para qualquer cidadão do mundo, de modo especial para o brasileiro, que depende muito do Estado. Gosto de política, leio bastante, converso muito sobre, mas não tenho nenhum projeto pessoal na área.

JC - Você é um homem do esporte, certo?

Ricardo - Sou. Aos 13 anos de idade eu já jogava no futebol amador de Bauru, que na época era extremamente competitivo, onde os bairros tinham paixão pelo seu time e tal. Também joguei basquete na Luso, com o privilégio de ter sido campeão do Interior em todas as categorias de base pelas quais passei. Eu fui bicampeão do Noroeste, amador, na época, em uma geração de jogadores em que todos se tornaram profissionais. Parei com o esporte por causa da faculdade de engenharia civil. Ah, quando tinha uns 13 anos, fui convidado para jogar futebol no Santos, com aquele time campeão, Pelé no auge... Mas meu pai preferiu que eu não fosse. Na época, o futebol não era o que é hoje e tudo mais. Ainda jogo, mas só pelada, ao lado do tênis. Não abro mão de praticar esportes.   

JC - Grandes histórias de pescador?

Ricardo - Temos um grupo que há 20 anos pesca no Amazonas. Fora isso, eu sempre pesco com o meu amigo Renato Amantini, que é o professor da nossa geração. Vamos pescar em rios que ele indica ou no mar. São pescarias com todo o aparato profissional. Sendo assim, tenho várias histórias de pescarias. Já aconteceu de eu estar tirando um peixe grande da água e um jacaré atacar o meu peixe. Isso já aconteceu no Pantanal, com a gente em um barco pequeno. Precisei cortar a linha (risos).   

JC - A sua agenda está sempre cheia. Qual é a sua válvula de escape?

Ricardo - Eu cultivo a música sempre que posso, principalmente quando estou na estrada. Sou apaixonado por música e ela descansa a minha mente. O relacionamento com a minha esposa, Marcela, também tem sido algo prazeroso. É uma nova motivação, que me fez dar uma repaginada e faz com que eu consiga conciliar todas as minhas obrigações profissionais de forma equilibrada. Esse apoio que eu tenho em casa tem me feito muito bem. Acho que viver é uma arte e você precisa saber equilibrar todos os seus papéis de forma a estar bem com você, pessoal e profissionalmente. O equilíbrio das forças é o segredo.

Perfil

Nome: Ricardo Marques Coube

Idade: 60 anos

Cidade: Bauru

Esposa: Marcela Carneiro da Cunha

Filhos: Ricardo, Luís Edmundo e Laura

Hobby: Pescaria, esportes e música

Livro de cabeceira: Leio principalmente livros e revistas da Escola de Marketing Industrial 

Filme preferido: Gosto de filmes bons, não tenho um preferido

Estilo musical predileto: Músicas da década de 1970

Time: São Paulo e Noroeste

Para quem dá nota 10: Para a minha mãe, Lucy

Para quem dá nota 0: Para a presidente Dilma e sua base aliada

E-mail: diretoria@tiliform.com.br 

 

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