Regional

Região tem poucos casos de pessoas desaparecidas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Diariamente, de 50 a 60 pessoas desaparecem no Estado de São Paulo, o que representa de 1,5 mil a 1,8 mil pessoas por mês, segundo estatísticas da Delegacia de Pessoas Desaparecidas, ligada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Para ajudar a reverter esse quadro, o Ministério Público de São Paulo oficializou sua adesão ao Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID) - cadastro idealizado pelo MP do Rio de Janeiro que deve se tornar um banco de dados nacional em 2014 - e lançou uma campanha publicitária no início deste mês.

O desaparecimento de pessoas nas cidades de pequeno porte da região de Bauru é um registro raro nas delegacias. Em Presidente Alves, por exemplo, há pelo menos 15 anos não é registrado um caso de desaparecimento. O município, com pouco mais de 4 mil habitantes, mantém hábitos simples e as famílias têm suporte para superar as crises, segundo o delegado Márcio Alves.

Em Macatuba, os desaparecimentos são movidos, em sua maioria, por pessoas viciadas em drogas. Segundo o delegado Marcelo Bertoli Gimenes, depois de alguns dias elas retornam para casa. Esses casos também figuram nas estatísticas, embora não sejam situações de desaparecimento que denotem crime contra a vida.

As questões familiares também aparecem como motivo de desaparecimento, comenta Gimenes. “Os jovens se apaixonam e, se a família não concorda, então eles fogem de casa com o namorado. Normalmente vão para a cidade de Lençóis Paulista na casa de parentes e logo se comunicam com a família.”

O caso mais emblemático da região completou 10 anos. Conforme noticiado pelo Jornal da Cidade na época, aconteceu no distrito de Brasília Paulista, região de Piratininga. Um menino de 2 anos desapareceu em um domingo e até hoje não foi encontrado. O distrito, que tem pouco mais de 150 habitantes, no dia do fato acolhia um torneio de futebol e estava com cerca de 500 visitantes.

O Ministério Público do Estado de São Paulo quer reforçar a seriedade com que trata desse tema adotando um programa que possa reunir o maior número possível de notícias de desaparecimentos de forma a, além de aclarar a realidade dos números, perceber eventuais pontos em comum (como motivos, locais e características das vítimas) e utilizá-los para efetivo combate do problema, nas suas mais variadas áreas de atuação.

Com o objetivo de conscientizar a população sobre a gravidade do problema e incentivá-la a se engajar no combate ao desaparecimento de pessoas, a campanha criada pela VML, agência do Grupo Newcomm, promoverá o endereço virtual www.mpsp.mp.br. O MP-SP fará a gestão do site, incluindo a atualização do cadastro no Estado, e ainda será um órgão articulador entre as diversas instituições voltadas ao enfrentamento do problema e a sociedade civil.

O esforço publicitário também terá como missão evidenciar o papel do MP na sociedade e esclarecer quais são as suas funções. O MP é uma instituição pública autônoma, a quem a Constituição atribuiu a incumbência de defender interesses sociais. O filme mostra a angústia de uma mãe que perde a filha em um parque de diversões, sob a locução “O que ela está sentindo agora, algumas mães sentem pelo resto da vida”. Ao final, o órgão reforça seu compromisso com a população: “Faça valer sua cidadania. Conte com o Ministério Público de São Paulo”.

 

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