Regional

Em Macatuba, polícia registrou quatro desaparecimentos neste ano

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A cidade de Macatuba é considerada tranquila, a se basear pelo baixo número de homicídios: um a cada dois anos. Índice de fazer inveja a muitos municípios. O aumento do uso de drogas, no entanto, tem movimentado a delegacia com o registro de desaparecimentos de pessoas. No primeiro semestre deste ano foram quatro casos e no segundo semestre, um. Embora o número não seja alarmante, preocupa a autoridade policial.

O delegado titular, Marcelo Bertoli Gimenes, diz que não há nenhum caso que denote um homicídio ou um crime de maior potencial ofensivo. Ele chama os desaparecimentos registrados de “alongam”. De acordo com Gimenes, as situações se repetem e, na maioria das vezes, com os mesmos protagonistas. 

“Normalmente são pessoas com envolvimento com drogas que se alongam dois ou três dias e que acabam sendo localizadas ou voltam para casa. Este tipo de situação tem aqui, temos alguns registros desde o início do ano. O desaparecimento de pessoas que nunca mais foram vistas ou que sugira um homicídio é raro.”

Cada cidade tem seu perfil de desaparecidos, ressalta o delegado. “Se uma pessoa desaparece na grande São Paulo, há uma grande chance de encontrá-la morta, especialmente em áreas onde a violência é mais grave. Aqui e na região, como o índice de homicídio é pequeno, o viés é o envolvimento com droga.”

Ele frisa que. Mesmo sabendo que a pessoa é viciada em drogas, a família registra boletim de ocorrência. “Eles ficam preocupados e querem que a polícia ache a pessoa e que ela volte para casa. São usuários que se alongam aqui ou na cracolândia de Bauru. Os desaparecidos de Macatuba, todos voltaram para casa.”

Há ainda os desaparecimentos de adolescentes que fogem para enfrentar a família. “As meninas se apaixonam por um rapaz e a família dela não concorda, não aprova o namoro e eles combinam de fugir. Fogem, normalmente, para Lençóis Paulista para a casa de parentes. Um primo, por exemplo. Acontece em menor escala, mas acontece.”

Em todos os casos, segundo Gimenes, a foto do desaparecido é distribuída no meio policial da cidade e dos municípios da região.

“Buscamos informações para saber onde a pessoa poderia ter ido. Qual cidade para onde ela poderia ter fugido. A própria família nos dá informações. A cidade maior mais próxima daqui é Lençóis, por isso, é mais comum, eles fugirem para lá.”


Mudança de procedimento

Os registros de desaparecimento de vítimas envolvidas com drogas fizeram com que perguntas chaves passassem a ser prioritárias na hora do registro do fato na delegacia de Macatuba, enfatiza o delegado Marcelo Bertoli Gimenes.

“Quando a família vem fazer o registro do desaparecimento, nós já perguntamos se a vítima tem envolvimento com drogas. Ou se tem problemas psiquiátricos. Todos os casos com o mesmo perfil de pessoas. Normalmente são jovens na faixa dos 20 aos 30 anos, do sexo masculino.”


Casos que se repetem

O delegado Marcelo Bertoli Gimenes lembra que um caso ocorrido recentemente em Macatuba mostrou que as situações se repetem. “Um rapaz desapareceu com o veículo da namorada. O sujeito ‘alongou’ com o carro. Fizemos um bloqueio e localizamos o rapaz e o carro. Ele estava em Lençóis Paulista. Trouxemos ele e o carro para Macatuba.”

Alguns meses depois, a moça retornou na delegacia para fazer um novo boletim. O namorado tinha desaparecido com o carro dela. “Ele pegou o mesmo veículo e foi de novo para Lençóis. A moça promete que vai largar o namorado, que usa drogas, mas não larga e o registro é feito. Isso acaba pesando nas estatísticas, sendo que não é um caso típico de desaparecimento. Cada caso é um e tem que ser analisado separadamente.” 

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