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Ex-diretor do BB foge para Itália

Folhapress
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Condenado a 12 anos e 7 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por seu envolvimento com o esquema do mensalão, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato fugiu do Brasil para a Itália e anunciou ontem que pedirá novo julgamento, agora por um tribunal italiano.

Pizzolato passa a ser procurado pela Interpol. Segundo o delegado de plantão da PF Marcelo Nogueira, uma foto de Pizzolato foi enviada para todas as polícias do mundo em um sistema chamado de Difusão Vermelha.

Uma equipe da Polícia Federal esteve na casa do petista para buscá-lo anteontem, mas a família disse que não sabia o paradeiro dele. Ontem, parentes do ex-diretor do BB divulgaram nota à imprensa afirmando que Pizzolato está na Itália há 45 dias.

O advogado Marthius Lobato, que defendeu Pizzolato no processo do mensalão, disse que só soube ontem que ele estava na Itália e que não sabe como ele deixou o País. Segundo ele, Pizzolato, que tem cidadania italiana, teve seus dois passaportes retidos pela Justiça no ano passado.

Lobato, que declarou sua participação no caso encerrada, distribuiu uma nota deixada por Pizzolato, em que o petista critica a maneira como o processo do mensalão foi conduzida pelo Supremo Tribunal Federal e anuncia que pedirá novo julgamento.

“Por não vislumbrar a minha chance de ter um julgamento afastado de motivações político-eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi consciente e voluntariamente, fazer valer meu legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um tribunal que não se submete às imposições da mídia empresarial, como está consagrado no tratado de extradição Brasil e Itália.”

Pizzolato foi condenado por ter autorizado o repasse de R$ 73,8 milhões do Banco no Brasil para o esquema do mensalão, que distribuiu milhões de reais a políticos que apoiaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2005. Pizzolato recebeu R$ 336 mil do esquema.

O ex-diretor do BB disse durante o julgamento que esse dinheiro era destinado ao PT e que os recursos repassados pelo Banco do Brasil foram aplicados em campanhas publicitárias, e não desviados para o esquema do mensalão.

Se Pizzolato for localizado na Itália, o Ministério da Justiça poderá entrar em contato com a Corte Suprema italiana pedindo sua extradição. Dificilmente a Itália irá aceitar o pedido, porque Pizzolato também é cidadão italiano. A situação tende a se complicar por causa da recusa do Brasil, em 2010, em extraditar o italiano Cesare Battisti, condenado na Itália por quatro atentados terroristas ocorridos durante a década de 70.


“Minha vida foi devassada”

O advogado Marthius Sávio Cavalcante Lobato entregou à imprensa carta escrita por Henrique Pizzolato. Leia os principais trechos:


“Minha vida foi moldada pelo princípio da solidariedade que aprendi muito jovem, quando convivi com os franciscanos, e essa base sólida sempre norteou meus caminho. Nos últimos anos, minha vida foi devassada e não existe nenhuma contradição em tudo o que declarei, seja em juízo ou nos eventos públicos que estão disponíveis na Internet.

Por não vislumbrar a minha chance de ter um julgamento afastado de motivações político-eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi consciente e voluntariamente, fazer valer meu legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um Tribunal que não se submete às imposições da mídia empresarial, como está consagrado no tratado de extradição Brasil e Itália. Agradeço com muita emoção a todos que se empenharam com enorme sentimento de solidariedade cívica na defesa de minha inocência.”

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