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O fim da idade

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

O apresentador Jô Soares, 75 anos, comentou durante a semana, em seu programa, que a idade cronológica como a conhecíamos já não existe mais. Ele foi motivado pela juventude exibida por um entrevistado cinquentão. Disse, ainda, que tempos atrás um homem de 40 e poucos anos já era um "senhor", imagine só.

O tema "idade" exerce, de fato, um fascínio atemporal. Especialmente quando nos deparamos com gente do alto dos seus 70, 80 anos, a viver com qualidade e entusiasmo. Editor do suplemento "Bauru Ilustrado", aqui do JC, o jornalista Luciano Dias Pires toca sua independência de ir e vir com flagrante desenvoltura aos 86 anos. Admirável.

Sempre uso o exemplo de Ney Matogrosso, hoje com 72 anos. Espero não "gorar", mas impressiona sua vitalidade e estado de espírito sempre desperto, fora a perspicácia e carisma sempre em forma. Aliás, entre medalhões da MPB, é de se perder a conta de quantos estão muito bem após os sete ponto zero.

No cenário internacional não é diferente e o exemplo mais assombroso é dado pelo ex-beatle Paul McCartney. Aos 71 anos, segue na estrada com turnês grandiosas e shows com mais de três horas de duração. Com histórico de abusos etílicos e saúde um tanto quanto frágil desde a infância, seu colega Ringo Starr acaba de tocar no Brasil, feliz da vida aos 73.

Lá em casa está gravada a apresentação apoteótica de Bruce Springsteen, 64 anos, no Rock in Rio. O que foi aquilo?...

A indústria dos cosméticos, as habilidades da cirurgia plástica, a adesão a exercícios e uma alimentação decente fazem sua parte, mas o fato é que, se o mundo em si piora, as pessoas parecem seguir rumo contrário.

Ativas, influentes, satisfeitas e dedicadas, muitas não aparentam qualquer idade e, aos 42 anos, tiro o chapéu - e um sarrinho do tempo. Afinal, que idade nós não temos mesmo?

O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC

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