Se houve ou não algum tipo de irregularidade nas eleições do PT, ocorrida em 10/11/2013, não posso afirmar, mas também não duvido de nada. Dei uma passadinha rápida lá pelo local onde estavam sendo realizadas as eleições; não votei porque me desfiliei do partido em 2010, justamente por não concordar com as fraudes ocorridas nas eleições de 2009, quando eu fui eleito secretário do Partido sem ser candidato.
Nas eleições diretas do PT, elege-se o presidente, depois todos os membros das chapas concorrentes devem se reunir para, de forma proporcional, conforme os votos obtidos por cada uma delas, escolherem os membros do Diretório e da Direção Executiva.
Em 2009, eu concorri pela chapa que elegeu Sandro Bussola a presidente e, conforme combinado, eu seria seu vice, caso ele fosse eleito. Decorrido alguns meses da eleição, não se via nem falar em reunião para escolha dos demais membros. Foi então que comecei a cobrar o partido para que realizasse a segunda etapa das eleições. Já estávamos no segundo semestre de 2010 e nada de reunião e eleição. De repente, leio no JC que o Aloíso do Sindicato da Construção Civil estava assumindo a presidência do partido porque o Sandro estava indo para o DAE. Surpreso, procurei pelo Sandro e ele me informou que as eleições já haviam ocorrido e que eu fora eleito secretário do partido, mostrando-me a Ata da Eleição, com a minha assinatura, inclusive, comprovando o que eu já suspeitava de que haviam elaborado a Ata de Eleição e Posse e aproveitado do encontro de comemoração do 30º Aniversário do Partido e, na entrada do evento, colhido as assinaturas para "legalizar" a referida Ata. No mesmo dia já comecei suspeitar do que estava ocorrendo quando notei que algumas pessoas que entraram depois de mim assinaram num outro lugar diferente do meu. Imediatamente, peguei o livro que acabara de assinar para ler e quase fui agredido. Tomaram-no de minha mão e sumiram com ele dali.
Então, já que eu havia sido eleito secretário, fui atrás de tudo que se referia à Secretaria do Partido, mas jamais consegui botar as mãos em algum documento. Terminado o primeiro turno das eleições de 2010, me desfiliei do partido. O fato de estar desfiliado do partido não significa que deixei de ser petista. Aliás, sou muito mais petista que muita gente que vi votando no dia 10/11, que não sabe o que é política, muito menos para serve um partido político e vota cabrestiado. Parece-me que houve uma filiação em massa visando somente às eleições.
Não deixei o PT por causa do mensalão ou qualquer outra acusação que recaia sobre alguns de seus membros, até porque mensalão, mensalinho, caixa dois, etc, existem em todos os partidos e nos três poderes brasileiros. O que me importa é minha ideologia. Já participei de diversas campanhas políticas, junto com diversos partidos, e nunca vi discussão de plano de governo; o que se discute é forma para se ganhar a eleição, não importa como, e distribuição de cargos para "incentivar" os colaboradores, com algumas raríssimas exceções. Muitos famosos de Bauru davam dinheiro para campanhas do PT e pediam para que não fosse contabilizado.
Tião Camargo