Quioshi Goto |
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Avenida Nações Unidas tem um trecho que precisa de melhorias localizado entre avenidas Duque e Rodrigues Alves |
Veículos em todos os lugares. E muitos veículos. O contexto atual do trânsito bauruense demonstra que há nítido desequilíbrio entre o crescimento exponencial da frota e a criação de novas vias de acesso. Como Bauru é um polo regional, a chegada do fim do ano potencializa o problema. Porém, enfim, o poder público começa a se mexer para “desatar” uma das mais importantes vias da cidade: a Nações Unidas.
A avenida foi tema de ampla reportagem publicada no JC no último dia 20. Na matéria, o setor de engenharia de trânsito da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) apontou quais os gargalos que precisam ser resolvidos de forma prioritária para garantir maior fluidez. Após a publicação, o poder público começou a se mobilizar para – tentar – resolver a questão.
Um dos pontos mais problemáticos e que precisa ser trabalhado já é o trecho da avenida compreendido entre a Duque de Caxias e a Rodrigues Alves. Ali, além de o trânsito ficar travado por várias vezes durante o dia, a grande quantidade de carros se torna um risco crescente aos motoristas.
Só nessa extensão, que compreende sete quadras, entre 2012 e este ano, foram registrados 39 acidentes médios e graves. “E não estamos falando de colisões pequenas, que também são numerosas. Essa quantidade de 39 acidentes médios e graves é grande e realmente preocupa”, reconhece o presidente da Emdurb, Nico Mondelli.
Por isso, o órgão se reuniu com a Secretaria Municipal de Obras para buscar soluções até o fim do ano. E as reformas agora parecem que vão finalmente virar realidade. A promessa é de já dar início aos trabalhos na próxima semana.
O primeiro gargalo que o poder público promete resolver é o cruzamento da Nações com a Conselheiro Antônio Prado. Nesse ponto, atualmente, quem vem pela via pode fazer a conversão pela esquerda.
Com isso, formam-se, por vezes, filas enormes na avenida. Outro reflexo negativo é que motoristas que seguem pelas ruas paralelas encaram uma a missão muito difícil – às vezes impossível – em atravessar para o Jardim Higienópolis e também na travessia inversa.
“Nesse ponto, iremos proibir a conversão e instalar semáforos. Cada semáforo custa R$ 20 mil”, aponta o engenheiro da Emdurb Aníbal Ramalho, especialista em projetos viários.
A pasta de Obras promete pavimentar já na próxima semana a rua Borba Gato. Como a conversão na Nações será proibida, o motorista precisará passar por essa via para contornar o quarteirão, que funcionará como “alça” a quem quiser fazer retornos e acessos. “Já na próxima semana começaremos o recape e outras melhorias na Borba Gato”, aponta o titular da Secretaria de Obras, Sidnei Rodrigues.
Com a nova possibilidade de cruzar a via, a Emdurb e a Obras irão fechar o canteiro da rua Constituição. Em simultâneo, a promessa é “casar” essas reformas viárias no trecho com o fim de mais um gargalo, que é o estacionamento, na direção bairro-Centro, entre as quadras 13 a 17 da Nações. Ali, será proibido parar veículos para dar mais fluidez ao trânsito.
Em seguida
Logo em seguida, ainda este ano, as mesmas mudanças da Nações Unidas com a Conselheiro Antônio Prado serão feitas também no cruzamento da avenida com a Benjamin Constant. A alça de acesso será passando pela rua Professor José Ranieri.
A terceira etapa, que ainda precisa de uma visita técnica ao local para confirmar a viabilidade, será nas quadras 16 e 17. O ponto é problemático, pois há intersecção dos veículos que vêm da Duque de Caxias com aqueles que vêm pela Nações. E ainda tem um retorno logo à frente. “A nossa proposta é diminuir o canteiro central daquele ponto em frente ao Paulistão e construir baias de desaceleração nos dois sentidos. É uma espécie de quarta pista”, completa Nico Mondelli.
‘Parte alta’ da avenida precisa de melhorias
Apesar do foco inicial de trabalhos no trecho compreendido entre a Duque de Caxias e Rodrigues Alves, a Nações Unidas precisa de reformas em outros pontos. A chamada “parte alta” da avenida também apresenta constantes congestionamentos.
“Logo depois da reportagem publicada no dia 20 pelo JC, conseguimos melhorar o fluxo de trânsito da Nações com a rua Guilherme de Almeida e a Caetano Sampieri”, relata o engenheiro da Emdurb Aníbal Ramalho.
Nesses pontos, tanto o acesso para dentro quanto para fora da avenida ficam comprometidos nos dois sentidos, com os carros se entrelaçando nos mesmos espaços de acesso entre os dois semáforos.
“Gastamos R$ 12 mil com os dois controladores ali. É uma tecnologia que controla o tempo e direciona melhor a demanda. Dá mais sincronia. É algo que já melhorou o trânsito naquele ponto”, explica o engenheiro.
Porém, a região ainda necessita de mais melhorias, principalmente por quem vem das marginais e tenta acessar a avenida. Um dos exemplos é quem passa em frente à Cohab e quer entrar na Nações.
O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, afirma que os acessos serão melhorados. “E isso será feito nas marginais dos dois sentidos. Em breve, a região ganhará uma nova agência bancária. Por isso, vai ser preciso fazer novas obras”.
Mais para “cima” também há problemas. Outros dois pontos que a Emdurb afirma não depender só da empresa é na intersecção da Nações Unidas com a rua Iolanda da Silva Gamba e no retorno e acesso ao Camélias. É algo que deve ser feito com a abertura da nova avenida: a Água Comprida.
“Ali é um ponto que precisamos estudar melhor. Realmente, vai ser preciso obras viárias para mudar. Mas, em um primeiro momento, queremos melhorar o trecho da Nações entre a Duque e a Rodrigues”, argumenta o titular da Secretaria de Obras, Sidnei Rodrigues.
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Mudanças não devem alterar características da via
A proibição de conversões e a instalação de vários semáforos não irão mudar a característica principal da avenida Nações Unidas. É o que garante a Emdurb. O poder público aponta que via pode até ficar um pouco mais “interrompida”, porém, não perderá sua função primordial: ligar bairros.
“A Nações Unidas é uma avenida arterial. Essas alterações não modificarão esse caráter”, explica o engenheiro Aníbal Ramalho.
Ele esclarece que há certo desentendimento na característica principal da via. Muitas pessoas acreditam que é uma via rápida, porém, pela legislação, não é. “Bauru não possui nenhuma via rápida. A via rápida é aquela que se assemelha a uma rodovia. Não tem cruzamentos e nem passagem de pedestres. O que temos na Nações é uma via arterial. E isso não vai mudar”, finaliza Aníbal Ramalho.
Mais complicado
Um dos pontos mais complicados são os cruzamentos da Nações com a Ezequiel Ramos e Presidente Kennedy. Com as intervenções realizadas recentemente, surgiu uma situação crítica no trecho em frente ao Teatro Municipal de Bauru, onde o acesso e as conversões são muito tumultuados.
“Ali, é algo que precisam de semáforos, porém, de outras obras também. É algo mais complexo de ser resolvido. Porém, já existem projetos”, afirma o engenheiro da Emdurb Aníbal Ramalho.

