Nacional

Dirceu, Genoino e Delúbio são transferidos ao semiaberto e dormirão na mesma cela

Por Filipe Coutinho | Folhapress
| Tempo de leitura: 9 min

Condenados no julgamento do mensalão, José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares já estão na ala do regime semiaberto e deverão dormir na mesma cela hoje (18), no complexo penitenciário da Papuda.

A informação foi repassada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que visitou os três membros da cúpula do PT durante o governo Lula. Segundo Suplicy, eles estão vestidos com roupas pessoais e dormirão na mesma cela. Suplicy relatou ainda que nas proximidades do local há uma cantina e um local para exercício físico.

"Eles já foram transferidos e foram muito bem tratados pelos servidores do sistema carcerário e pelos outros detidos, que compartilharam com eles lençóis e alimentos", disse o senador após a visita.

Suplicy relatou que Genoino, que tem problemas de saúde, chegou a cuspir catarro com sangue, mas ele já recebeu visita médica e está "bem melhor". O senador diz ainda que Genoino conversou "longa e carinhosamente" com familiares.

A Justiça do Distrito Federal decidiu na tarde de hoje que José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares deveriam ser transferidos da unidade especial do Complexo Penitenciário da Papuda - onde estão sob custódia provisória da Polícia Federal - ao CIR (Centro de Internamento e Reeducação), estabelecimento prisional do complexo que é destinado ao regime semiaberto.

             

Grupo hostilizado

Um grupo de cerca de vinte apoiadores, ligados ao PT e PC do B, foi hostilizado hoje nas proximidades do complexo penitenciário da Papuda, onde estão presos os réus condenados no mensalão, como José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

Um agente penitenciário, que estava de capacete e com um coldre na coxa, ameaçou descer e disse que não tinha medo dos apoiadores. Ele havia perguntado por que eles estavam ali e ouviu como resposta que o grupo estava em solidariedade aos companheiros de partido presos.

O agente então completou: "os mensaleiros?". Um dos petistas disse que considerava a expressão pejorativa, e o agente ameaçou descer.

Mais cedo, uma pessoa que passava de carro hostilizou familiares de Genoino enquanto eles conversavam com o grupo de petistas. A mulher do petista e os dois filhos não quiseram falar com a imprensa, mas relataram aos apoiadores que a principal preocupação era com o estado de saúde do ex-presidente do PT.

Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje (18) que os condenados presos pelo julgamento do mensalão tenham direito a cumprir a pena em regime semiaberto.

Lula falou brevemente com a imprensa ao deixar uma conferência sobre igualdade racial da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo. Durante a conferência sobre igualdade racial, o petista enfrentou uma pequena saia-justa.

O reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, enumerou ações do governo Lula de afirmação para a raça negra e destacou que ele nomeou o primeiro ministro negro do Supremo - justamente Joaquim Barbosa, que foi o relator do julgamento do mensalão e expediu os mandados de prisão dos condenados.

Lula demorou a aplaudir e só acompanhou quando integrantes da plateia começaram a bater palmas.

Genoino em casa?

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, enviou hoje (18) o pedido de prisão domiciliar apresentado pelo ex-presidente do PT José Genoino ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Agência Brasil

Barbosa quer a opinião do Ministério Público sobre prisão de Genoino

Ele quer a opinião do Ministério Público antes de decidir se manterá o condenado no complexo da Papuda ou, pela condição médica do petista, o mandará para a prisão domiciliar.

Genoino sofre de problemas cardíacos e passou por uma cirurgia há cerca de três meses. Em sua primeira noite na Papuda ele chegou a ser atendido por um médico particular devido a uma crise de pressão alta.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Wadih Damous, a prisão de Genoino tem "ilegalidade" e "arbitrariedade" porque seu estado de saúde requer atenção. "A sua prisão (de Genoino) em regime fechado por si só configura uma ilegalidade e uma arbitrariedade. Seus advogados já chamaram a atenção para esses dois fatos, mas, infelizmente, o pedido não foi apreciado na mesma rapidez que prisão foi decretada".

"É sempre bom lembrar que a prisão de condenados judiciais deve ser feita com respeito à dignidade da pessoa humana e não servir de objeto de espetacularização midiática e nem para linchamentos morais descabidos", completou.

Lamas

A defesa do ex-tesoureiro Jacinto Lamas entrou hoje (18) com um pedido de anulação da ata da sessão do STF que decidiu pela prisão imediata dos condenados do julgamento do mensalão.

Foi a partir da publicação dessa ata que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, determinou na sexta-feira a prisão de 12 condenados, entre eles o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) e o ex-presidente do PT José Genoino.

Segundo os advogados de Lamas, a ata não poderia ser publicada porque Barbosa teria prometido colocar em votação no plenário uma proposta de proclamação que deixasse mais clara a decisão tomada pelos ministros relativamente a quais réus poderiam ser presos.

Além disso, a defesa de Lamas também diz que a ata publicada por Barbosa não está de acordo com a decisão do plenário. Na visão dos advogados, Jacinto não poderia ter sido preso pois teria direito à apresentação de mais um recurso contra sua condenação.

 

Presos têm banho de sol diário e alimentação conforme prescrição médica

Márcio Falcão e Severino Motta/Folhapress

Os primeiros condenados do mensalão que cumprem pena em Brasília "recebem alimentação conforme prescrição médica e têm duas horas de banho de sol por dia", segundo informações divulgadas hoje (18) pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Segundo nota divulgada, os presos vão ser transferidos para outras unidades do complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, de acordo com o regime da pena. "Tal medida é necessária em razão das instalações do Depen possibilitarem apenas o cumprimento provisório da pena em regime fechado, em unidade prisional tipo cadeia pública", afirma o texto.

"Os presos foram recolhidos à custódia federal do Depen no Complexo da Papuda em Brasília, em caráter provisório porque houve recusa da vara de execuções penais do Distrito Federal em receber os presos sem a carta de sentença", completou.

A reportagem apurou que os condenados têm direito a banho frio, beliche com colchão de espuma e almoço servido em marmitex de alumínio e colher de plástico. Nas celas também há uma pia, um cano com água fria que é usado para banhos e a chamada bacia turca no lugar da privada - a instalação sanitária fica rente ao chão.

No café da manhã a refeição para todos os presos foi pão com manteiga, café e leite. No almoço foi servido marmitex com arroz, feijão, carne, legumes e verduras. Eles fizeram a refeição usando colheres de plástico flexível.

Ao todo, nove condenados estão no complexo da Papuda. Entre eles estão o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), o ex-presidente do PT e deputado licenciado, José Genoino, e o empresário Marcos Valério, operador do esquema. As duas mulheres presas - Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural, e Simone Vasconcelos, ex-funcionária de Valério - estão na Superintendência da Polícia Federal. Todos aguardam a definição da Justiça sobre os locais definitivos onde cumprirão pena.

 

Aécio Neves diz que não comemora prisões

Agência Estado

Arquivo/Reuters

O senador Aécio Neves lamentou a prisão dos condenados mensaleiros

O senador, que preside nacionalmente o PSDB, disse lamentar que o presidente nacional do PT, Rui Falcão, tenha considerado as prisões como políticas. "Lamento que o presidente do PT confunda decisão da Suprema Corte com decisão política. Não contribui para a democracia um partido querer transformar esse caso em fato político", afirmou.


Na resposta, no entanto, Aécio rebateu apenas Falcão e evitou comentar a pergunta de jornalistas sobre a avaliação dele da afirmação do ex-ministro José Dirceu que, ao ser preso, pediu um julgamento semelhante para o mensalão mineiro.


Para o senador, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prender os condenados no mensalão "vai ao encontro de grande expectativa da sociedade brasileira, sobre o qual tinham provas definitivas", afirmou. "O que nos preocupava era o sentimento de impunidade, era o adiamento dessas decisões, mas, felizmente, as instituições são sólidas", concluiu.


Ao deixar o local reservado para entrevistas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, que subscrevia o que Aécio tinha dito sobre as prisões. Já o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), também em informação ao BP, afirmou que "decisão judicial se cumpre" e também evitou se aprofundar sobre as eventuais implicações ao PSDB, no julgamento do mensalão mineiro. "Não é questão político-partidária; é institucional", frisou.

 

Nome de Pizzolato já está na lista de procurados pela Interpol

Leandro Colon, Enviado especial/Folhapress

A Interpol incluiu hoje (18) o nome do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato entre os procurados em 190 países.

Em seu site, a Interpol informa que Pizzolato é procurado pelas autoridades brasileiras por estar condenado e menciona os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A polícia internacional ainda cita que ele fala as línguas portuguesa e italiana.

O STF (Supremo Tribunal Federal) condenou Pizzolato a 12 anos e sete meses de prisão por ter autorizado o repasse de R$ 73,8 milhões do banco para o esquema do mensalão.

A prisão dele foi decretada na semana passada, mas no sábado ele anunciou que havia fugido para a Itália, onde também tem cidadania. As autoridades brasileiras acionaram então a Interpol para que ele seja localizado.

Pelo tratado de extradição entre Brasil e Itália, nenhum dos dois países é obrigado a enviar quem tem cidadania local, mas o governo que negar o pedido tem de avaliar a abertura de um processo contra essa pessoa desde que o outro país remeta as informações necessárias.

Na carta que divulgou sábado, Pizzolato menciona o tratado e diz que está preparado para um julgamento na Itália. "Por não vislumbrar a minha chance de ter um julgamento afastado de motivações político-eleitorais, com nítido caráter de exceção", disse.

Em sua defesa, ele afirma que os recursos do Banco do Brasil foram aplicados em campanhas publicitárias, e não desviados para o mensalão. Mas ele mesmo recebeu R$ 336 mil do esquema, num envelope que disse ter entregue ao PT sem abrir.

 

Jefferson diz que pagou preço alto e cita câncer no pâncreas

Folhapress

O ex-deputado e delator do esquema do mensalão Roberto Jefferson disse hoje (18) que pagou preço alto, mas que tem a certeza que cumpriu sua missão. Jefferson foi condenado a cumprir pena de sete anos de prisão em regime semiaberto por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

"Se não me arrependi do que fiz, tampouco guardo mágoas. A certeza do dever cumprido me permite esperar com serenidade", escreveu ele em sua conta no Twitter.

A expectativa é de que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, determina as prisões de Jefferson e de mais seis condenados no mensalão hoje. Na sexta, foram expedidos 12 mandados de prisão.

Jefferson, que deve tentar um regime diferenciado de prisão por motivo de saúde, voltou a dizer que a descoberta do câncer no pâncreas foi seu pior problema no ano passado. "Para eliminar o câncer no pâncreas, passei por uma cirurgia que envolveu a retirada de parte de órgãos e mais de 500 pontos internos."

Ele aproveitou para agradecer as pessoas que enviaram mensagens de solidariedade e alfinetou os "detratores". "Agradeço a todos os que, por posts, torpedos, ligações e cartas, procuraram oferecer solidariedade. Aos detratores, desejo paz de espírito."   

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