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Irã não exige que se reconheça seu direito ao enriquecimento de urânio

Folhapress
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O Irã declarou publicamente uma significante concessão dias antes de uma nova rodada de negociações sobre seu programa nuclear com seis potências mundiais em Genebra.

 

Desde o início das negociações, o país tem afirmado que tem o direito de enriquecer urânio, do que os Estados Unidos e seus aliados discordam.

 

O Irã continua insistindo que tem o direito ao programa, mas agora diz que as potências já não precisam de reconhecer publicamente esse direito, abrindo caminho para contornar essa disputa e se concentrar em medidas mais práticas do acordo.

 

Na quarta-feira, Irã e o grupo 5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia , China e a Alemanha) começam a terceira rodada de negociações em um mês, duas semanas depois de terem chegado perto de um acordo inicial que iria refrear a atividade nuclear do Irã, em troca de alívio limitado de sanções impostas contra o país.

 

É o mais recente sinal de uma nova abordagem pragmática do Irã para a questão nuclear. É improvável que Teerã pare completamente o enriquecimento de urânio. No entanto, deixando de lado uma demanda que não faz nenhuma diferença prática, o país pode se preocupar com a questão mais urgente: um abrandamento das sanções que paralisam a economia iraniana.

 

Menos de dois meses atrás, o presidente Hasan Rowhani condiciou qualquer acordo ao reconhecimento pelos Estados Unidos e seus aliados de tal direito. Mas, com os dois lados na esperança de selar um acordo nas reuniões que começam quarta-feira, Teerã modificou suas exigências no domingo.

 

"O direito de enriquecimento de Teerã permanece inegociável", disse o chanceler Mohammad Javad Zarif, citado pela agência de notícias Isna.

 

"Mas não vemos necessidade do reconhecimento disso", completou.

 

Apesar dos sinais anteriores de que o Irã está pronto para um acordo, essa concessão foi uma surpresa.

 

O ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Mark Fitzpatrick, considerou a medida um desenvolvimento muito significativo, pois representa uma concessão chave do Irã e uma maneira de superar um grande obstáculo para um acordo.

 

É improvável que Rowhani tenha agido sem a aprovação do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

 

Caminho Aberto

 

"O caminho para a resolução da disputa sobre o programa nuclear do Irã está aberto", disse Zarif hoje.

 

"As potências mundiais deveriam aproveitar uma "oportunidade histórica" de fechar um acordo".

 

Em um vídeo de cinco minutos divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores na véspera das conversações, Zarif disse que havia uma chance de acabar com o impasse, desde que as potências ocidentais tratem o Irã em um "pé de igualdade" e não procurem impor a sua vontade sobre os outros.

 

Falando em Roma antes de voar para Genebra nesta noite, Zarif afirmou que há muitas possibilidades para uma conclusão bem-sucedida das negociações com as seis potências mundiais desde que haja boa fé e vontade política para resolver os problemas de todos os lados.

 

"Estou disposto a aceitar progresso sério em vez de um acordo, mas estou certo de que, com a vontade política necessária, podemos fazer progressos e até mesmo chegar a um acordo", disse ele.

 

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