Polícia

Pedofilia: PF faz apreensões em Bauru

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação/Polícia Federal

Operação envolveu 400 policiais federais em 11 Estados; 20 pessoas foram presas

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã de ontem, a Operação Glasnost, uma das maiores ações já realizadas no Brasil no combate à pedofilia. Entre a centena de pessoas envolvidas com os crimes, dois alvos foram na região. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido em Bauru e outro em Jaú. Ambos não foram presos, porém as diligências resultaram no recolhimento de computadores e dispositivos de armazenamento.

De acordo com a PF, a operação demandou dois anos de investigação. Nesse período, foram identificadas cerca de 100 pessoas envolvidas com a produção e o compartilhamento de imagens relacionadas à exploração sexual de crianças e adolescentes na Internet. Além dos alvos da ação deflagrada ontem, mais de 200 suspeitos continuam sob investigação.

Na região de Bauru, 20 policiais atuaram na operação, que começou por volta das 6h. Segundo o delegado da PF José Fernando Amaral Júnior, foram dois alvos. “Foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Como não foi localizado nada em um primeiro momento, essas pessoas foram até a delegacia, prestaram depoimento e foram liberadas”, explica.

Contudo, computadores, pen drives e cartões de memória dos dois foram apreendidos. “Esses equipamentos passarão por perícia”, afirma o delegado, complementando que as investigações continuam na região.

Além do Estado de São Paulo, a Glasnost foi deflagrada nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Alagoas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Bahia e Goiás. A assessoria de comunicação da PF informou que os alvos na região foram realmente em Bauru e Jaú.

No total, foram expedidos em todos os Estados pela Justiça Federal cerca de 80 mandados de busca e apreensão, 20 medidas de condução coercitiva e um mandado de prisão preventiva. 400 policiais federais participaram da operação.

Até bebês

Em nota emitida pela assessoria de comunicação, a PF afirma que, além de fotos e vídeos de crianças e adolescentes, os investigados pelo País compartilhavam imagens até de bebês. Muitas das vítimas eram abusadas por adultos, que, depois, enviavam para seus contatos no Brasil e exterior.

Entre os suspeitos, já foram identificados, até o momento, três abusadores sexuais. Um dos investigados é acusado de abusar sexualmente da própria filha, de apenas 5 anos, e compartilharia esses abusos na Internet com outros pedófilos ao redor do mundo.

A PF afirma que, em todos os casos de abusos, foram tomadas providências imediatas. Além dos que estão em território nacional, as investigações identificaram também brasileiros residentes nos Estados Unidos. Eles estão sendo acompanhados com a colaboração do FBI.

Ao fim do dia, a polícia informou que, ao todo, 20 pessoas foram presas em todo o Brasil. 19 foram detidas em flagrante e uma por mandado de prisão preventiva. Junto com o Paraná, São Paulo teve o maior número de presos: sete pessoas.


Por que Glasnost?

O nome da operação é algo que deve soar comum à maioria de vestibulandos. Junto com a “Perestroika” (que significa “reestruturação”), “Glasnost” foi uma das importantes mudanças políticas tentadas pelo governo de Mikhail Gorbatchev à frente da extinta União Soviética.

A palavra quer dizer “transparência”. Além disso, ela foi escolhida porque, de acordo com a PF, a maior parte dos investigados utilizava servidores russos para a divulgação de imagens de menores na Internet e para realizar contatos com outros pedófilos ao redor do mundo.


Perfil diversificado

Entre todos os alvos da operação nacional, o que chamou a atenção foi o perfil dos abusadores. De acordo com a PF, há pessoas de todas as idades e profissões, incluindo um policial militar, um oficial da Aeronáutica, vários professores, bem como um chefe de grupo de escoteiros.

Para não atrapalhar as investigações, o delegado José Fernando Amaral Júnior não emitiu detalhes sobre o perfil dos dois alvos de Bauru e Jaú. Ele se limitou a dizer que não se encaixam em policiais, professores, oficiais e chefes de escoteiros.

“Nas investigações que fazemos continuamente por aqui, vemos coisas indescritíveis. Coisas que chocam muito. E vemos que são pessoas com todos os perfis. São investigados de todas as faixas etárias e de todas as classes sociais”, completa o delegado.

Em fevereiro, conforme o JC divulgou, a Justiça Federal de Bauru condenou dois homens por pedofilia. Em investigações distintas, ficou comprovado que ambos compartilharam e armazenaram fotos e vídeos de crianças e adolescentes nus e em cenas de sexo explícito.

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