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Mensalão: condenados a pena alternativa serão intimados por juiz

Por Mariana Haubert | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Os três condenados do mensalão que deverão cumprir penas alternativas aguardam uma decisão do juiz da Vepema (Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas) do Distrito Federal, Nelson Ferreira Júnior.

Como nenhum dos três condenados - o ex-deputado José Borba, o ex-secretário do PTB Emerson Palmieri e o ex-sócio da corretora Bônus-Banval Enivaldo Quadrado - têm residência em Brasília, a Vara expedirá uma Carta Precatória Intimatória à Justiça do Estado em que cada um mora para convocá-los a comparecer à audiência com o juiz. No entanto, ele pode determinar que um magistrado local realize a audiência.

As cartas de sentença condenatória dos três foram expedidas ontem pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

Agência Brasil

As cartas de sentença condenatória foram expedidas pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa

Quadrado foi condenado à prestação de uma hora diária de serviço comunitário durante 3 anos, 6 meses e 11 dias, além de pagar multa. Borba e Palmieri foram condenados a pagar 300 e 150 salários mínimos, respectivamente, a uma entidade assistencial. Ambos também estão proibidos de ocupar cargo ou função públicos durante o período da sentença de cada um.

O juiz recebeu as cartas de sentença do STF no início do dia de hoje (20). Ele terá que definir o tipo de trabalho comunitário que Quadrado exercerá e quais entidades serão beneficiadas com o pagamento das multas devidas por Borba e Palmieri.

             

 

Há um clima de "revolta muito grande", afirmam deputados após visita

Flávia Foreque/Folhapress

Uma comitiva formada por 26 deputados federais do PT visitou na tarde de hoje (20)  alguns presos do processo do mensalão, instalados no Complexo Penitenciário da Papuda.

O encontro durou cerca de 30 minutos e aconteceu em sala reservada para a conversa -estavam presentes o deputado licenciado José Genoino (PT-SP), José Dirceu, Delúbio Soares e Romeu Queiroz.

"O que notamos é um clima de revolta muito grande pelas circunstâncias em que a prisão ocorreu, completamente ao arrepio da legislação, aos procedimentos (...) normais", disse o deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA).

Entre os parlamentares que visitaram os presos estavam o ex-presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia (RS), a ex-ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes (ES), Fátima Bezerra (RN) e Vicentinho (SP).

Em nome dos demais petistas, Pellegrino afirmou que não houve críticas às condições da prisão, embora haja uma preocupação sobre a situação da saúde de Genoino.

"Até agora, as juntas médicas atestaram a gravidade da situação do deputado Genoino e atestaram que ele não pode estar custodiado aqui nessa unidade. Essa unidade não tem sequer um sistema de emergência", disse o congressista, que afirmou ser "precária" a situação do colega.

"Puxa-saco de ladrão"

Pouco depois da visita, houve discussão entre manifestantes do PT e mulheres que aguardam desde a manhã de hoje o momento de visitar filhos e maridos no complexo da Papuda, a partir da manhã desta quinta-feira. Elas começaram a gritar diante da visita feita pelos parlamentares.

Enquanto as mulheres estão posicionadas de um lado da via de acesso à penitenciária, petistas instalaram tendas do lado oposto, e colocaram ali bandeiras e mesas. Com os gritos de "puxa-saco de ladrão", a deputada federal Marina Sant'anna (PT-GO) se aproximou para conversar com o grupo.

"Eu não acredito mais em deputado, senador", disse uma mulher de 49 à parlamentar. Ela espera para encontrar o marido, preso na Papuda, e reclamou da possibilidade de parlamentares visitarem o local.

"É um direito seu [dizer isso]. A gente atravessou aqui só pra conversar", tentou dialogar a deputada. A recepção não foi boa. "Qual é a diferença [entre presos do mensalão e os demais]? Só porque tem nível superior, porque roubou do povo?", reclamou a mulher, que não quis se identificar.

             

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