Fotos: Éder Azevedo |
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Aparecida Rodrigues aproveita o dia de folga com os filhos Nycolas, Nivaldo e Anny em piscina do Sesc de Bauru |
Picolé, piscina, ventilador ou água de coco. Tanto faz o artifício, mas o bauruense precisou recorrer a muita “ajuda” para enfrentar a onda de calor que atingiu a cidade nas duas últimas semanas. Porém, depois de dias seguidos com temperaturas ultrapassando a casa dos 30 graus, deve voltar a chover forte a partir de hoje.
O alívio virá depois de 13 dias de calor intenso, com mínimas que chegaram a 21,9 graus durante a madrugada e máxima de 35,3 graus, recorde do ano batido no último dia 11 de novembro. Neste dia, a sensação térmica na cidade chegou a 41 graus.
O meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Carlos Figueiredo, explica que as temperaturas mais elevadas do ano ocorrem, habitualmente, durante a primavera. Mas o calor incomoda mais durante verão porque a estação é acompanhada por chuvas frequentes, que aumentam a umidade relativa do ar e o transtorno aos moradores.
“O problema é que, em 2013, estamos tendo mais chuvas do que o registrado nos últimos anos. Tivemos chuvas no inverno e agora, durante a primavera, o que tem provocado a mesma sensação de desconforto que ocorre durante o verão”, explica Figueiredo.
Segundo ele, é este o fenômeno que explica o motivo de os moradores estarem sentindo tanto incômodo nos últimos dias. Mas, a partir de hoje, o calor deve diminuir com a chegada de uma frente fria que se aproxima e permanece sobre o Estado ao menos até amanhã.
As temperaturas oscilam entre 21 e 32 graus e, segundo o meteorologista, há até mesmo possibilidade de tempestade para a tarde de hoje. No fim de semana, a chuva dá nova trégua, embora não estejam descartadas pancadas isoladas no final da tarde. “As temperaturas voltam a subir e acredito que, até o final do mês, podemos ter novo recorde de temperatura do ano”, adianta.
Saúde
A onda de calor que persistiu durante duas semanas em Bauru não provocou aumento no volume de atendimentos nas seis unidades de urgência e emergência da cidade, que se mantém em cerca de 1,3 mil por dia.
Mas o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Sabbag, alerta que, nesta época do ano, é preciso atenção redobrada, já que alguns problemas de saúde costumam ser detectados com maior frequência devido às altas temperaturas.
No Pronto Atendimento Infantil (PAI), por exemplo, cresce a quantidade de crianças acometidas por diarreia e vômitos, geralmente por estarem com desidratação ou gastroenterite. “Elas, geralmente, são mais descuidadas, bebem água em qualquer lugar, levam a mão suja à boca e, portanto, são mais vulneráveis”, pontua Sabbag.
O mesmo ocorre com os idosos, que, segundo o diretor, consomem menos água do que a média dos adultos. “Portanto, nesta época do ano, estes dois grupos merecem cuidado especial”, completa.
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Água para refrescar
O verão nem começou e clubes de serviço da cidade já estão recebendo um número maior de associados em suas piscinas. Um exemplo é o Serviço Social do Comércio (Sesc) de Bauru, cuja área de lazer aquático tem sido intensamente frequentada até mesmo durante a semana.
Na tarde de ontem, a repositora Aparecida Rodrigues, 34 anos, aproveitou o dia de folga para levar os filhos Nycolas, 5 anos, Anny Karolliny, 7 anos, e Nivaldo, 11 anos, para brincar nas piscinas do clube.
Além de diversão, o passeio serviu para espantar o calor, que chegou a 33,2 graus no período da tarde. “Há um mês, estou vindo todo domingo. As crianças adoram. O difícil é convencê-las a ir embora ao fim do dia”, brinca.
Já a comerciária Mara Regalin, em excelente forma aos 49 anos de idade, aproveita os dias quentes para colocar o bronzeado em dia. “O calor melhora até o meu humor, além de ser uma excelente fonte de vitamina D. Adoro tomar sol, mas não abro mão do protetor solar, dos óculos de sol e do chapéu”, ensina.
Segundo Everton Marim, monitor de esportes do Sesc de Bauru, o número de associados que procuraram a unidade para renovar o exame dermatológico obrigatório para frequentar as piscinas do clube aumentou consideravelmente nas últimas semanas.
“Da mesma forma, o volume de inscrições para os cursos de hidroginástica e natação também cresceu”, cita. Devido à chegada da alta temporada, a equipe de salva-vidas da unidade também foi reforçada.
Fotos: Malavolta Jr. |
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Natã Crivari diz que a venda de ventiladores disparou nas últimas semanas |
Comércio lucra com tempo quente
Se o calor é motivo de incômodo para muitos bauruenses, para muitos setores do comércio as altas temperaturas são motivo de comemoração. Nas lojas de eletrodomésticos, a venda de ventiladores, bem como climatizadores e aparelhos de ar-condicionado, disparou nas últimas semanas.
“Por conta do preço, os ventiladores ainda vendem mais, mas os climatizadores – que refrescam e umidificam o ar – também têm uma procura bastante elevada”, comenta Natã Crivari, gerente de uma loja do Calçadão da Batista de Carvalho. No estabelecimento, os ventiladores são comercializados a uma média de R$ 150,00; os climatizadores, a R$ 250,00; e os aparelhos de ar-condicionado, a R$ 1,1 mil.
Em outra loja, os preços seguem a mesma tendência. O gerente Fábio Migliorini explica que, por terem valores razoáveis, os aparelhos de ar-condicionado têm sido uma opção cada vez mais frequente até mesmo da classe média.
“Geralmente, o consumidor não desiste da compra em função do preço, mas pelo fato de o equipamento funcionar apenas com 220 volts, o que demanda adaptação na rede elétrica da casa. Mas, de maneira geral, as vendas de ar, climatizador e ventilador vêm crescendo muito e assim devem se manter até o começo do ano que vem”, observa.
Uma das clientes que jamais abre mão deste tipo de recurso é a segurança Márcia Silva Souza, 38 anos. “Calorenta” convicta, ela conta que, nos últimos dias, tem dormido com dois ventiladores ao redor da cama.
“Tenho duas filhas, então, são, no mínimo, quatro aparelhos em casa. Se um quebra, no dia seguinte já tenho de comprar outro”, comenta.
Em dias de folga, Márcia diz que chega a tomar quatro banhos por dia e, quando sai às ruas, não abre mão da garrafinha de água e de um sorvete para refrescar, assim como fez ontem, quando foi ao Calçadão com a filha Débora Karoline Barbosa, 20 anos. “Eu sofro muito no verão, então tenho que dar um jeito para amenizar”, diz.
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Guilherme Santana e sua mãe garantem a renda da família com a barraca |
Caldo de cana ou água de coco
Há 19 anos instalada no Calçadão da Batista de Carvalho, uma barraquinha que comercializa caldo de cana e água de coco também tem lucrado com o calor. Segundo o responsável pelo negócio, Guilherme Santana, 28 anos, o movimento de pessoas chega a aumentar 30% nesta época do ano.
“Quando não chove e faz bastante sol e, principalmente, aos sábados, as vendas são bastante intensas. A gente praticamente não para. Nossa família vive apenas disso”, diz ele, que conta com a ajuda da mãe, Izabel Ferreira Santana, para atender a clientela.
Todos os dias, com exceção dos domingos, eles permanecem na barraca das 7h30 às 18h. Pela manhã, Guilherme revela que o consumo de água de coco é maior e, durante a tarde, crescem as vendas de caldo de cana, oferecido nos sabores limão, abacaxi e maracujá.
“Água de coco é mais saudável, sem muito açúcar. Já o caldo de cana ajuda a repor as energias no final do dia”, explica. Os preços, de acordo com o tamanho do copo, variam de R$ 2,00 a R$ 5,00.



