Tribuna do Leitor

Dia da consciência branca? Ou consciência humana?


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O famoso discurso de "tem que ter dia da consciência branca também" com "direitos iguais a humanos..." já está bem ultrapassado e sem sentido. Partindo do pressuposto de que a data que comemoramos não foi inventada ?do nada? para os negros; houve todo um contexto histórico e social para que ela exista, não foi por acaso. Assim como existem as leis que amparam especificamente a mulher (lei Maria da Penha) ou os estatutos (do idoso ou da criança e adolescente) nasceram por um determinado contexto vivido para ter este ?privilégio?m que ao mesmo tempo os tornam iguais.

Pois bem, em um Brasil de 500 anos, sendo eles 300, ou seja, mais da metade da história existente neste país é composta por um fato chamado escravidão. O que ?nada? mais era a vinda forçada e enganada do povo africano (em torno de 4 milhões ao total) para o Brasil onde eles eram obrigados a trabalhar gratuitamente e servir aos desejos e anseios dos seus patrões (sem contar dos maus tratos, espancamentos, estupros e etc vividos por eles). Que os mesmos (os patrões) não enxergavam eles como seres humanos, e sim como animais e muitas vezes nem isto.

Assim, em 1888, é promulgada uma lei que proíbe a escravidão dos negros, e os mesmos são descartados pelos seus patrões como um objeto velho e sem utilidade, deixando esses mesmos seres humanos à mercê da sorte, sem dinheiro, sem moradia, sem base para nada. Os que tiveram ?mais sorte? conseguiram morar em cortiços nas capitais, já os demais tiveram que se refugiar e construir suas casas ao pé da montanha, pois lá não pagavam impostos. E a lei foi só no papel, pois o preconceito não acabou junto com a assinatura da princesa Isabel.

Diante de uma desigualdade tremenda existida neste país (125 anos depois da Lei Áurea), os negros hoje, sendo maioria da população, ou seja, 51%, ainda vemos como está latente o preconceito com os seres humanos que são de uma cor mais escura, onde vemos cotidianamente a diferença de posições entre branco e negro. Onde estão os mesmos 51% de negros nas universidades? Nos hospitais? No Senado? Nas prefeituras? Âncoras de telejornais? Nos altos empregos? E... ainda falam mal das cotas, e menosprezam todo esse passado sangrento e humilhante vivido por eles. A dívida com o povo negro é impagável, o que eles sofreram e passaram não há dinheiro ou política pública que pague, apenas o tempo para amenizar a dor desses brasileiros.

Viva o dia da Consciência Negra! Viva a todos os que reconhecem o passado e respeitam o que esta data representa hoje. Quem sabe daqui alguns anos nos envergonharemos desta nossa sociedade que um dia pregou preconceito com um ser humano apenas por ele ter a cor diferente. Pois por dentro somos da mesma cor. Desde já agradeço, abraços.

Danilo Pedro Jovino - acadêmico de Ciências Sociais - Ciência Política

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