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Endereço é o que mais prejudica resgate

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

De um lado da linha, a tragédia em potencial. Do outro, um profissional tentando entender qual a situação. É assim a rotina de quem trabalha nos órgãos de resgate. Em Bauru, juntos, o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) recebem uma ligação a cada dois minutos. Além da prática mais do que idiota do trote (leia mais na página 16), as verdadeiras ocorrências encaram outro obstáculo: dificuldades de localização.

De janeiro até outubro, o Samu recebeu 109 mil chamadas. Ou seja, uma média de 366 ligações por dia. “Desse total, muitas são de orientações e não é preciso sequer enviar a ambulância. Em 10% dos casos, a viatura é enviada”, explica o coordenador do serviço, Carlos Eduardo Sacomandi.

Nessas situações, porém, uma dificuldade não é rara: o endereço do local que precisa do socorro. Mesmo com as ambulâncias equipadas com GPS, as ruas de alguns bairros ainda não foram devidamente mapeadas.

“A cidade vem crescendo bastante e temos essas dificuldades, principalmente, em alguns bairros periféricos. A rua não tem nome, por exemplo. É algo que dificulta bastante”, aponta o coordenador do Samu.

Ele exemplifica que a situação é frequente em bairros como Ferradura Mirim, Tangarás, Jardim Manchester, Jardim Helena, Jardim Silvestre, Parque da Nações e o conjunto de chácaras Santa Maria. “Em alguns casos, os minutos e segundos são essenciais em salvar uma vida”, alerta.

O Corpo de Bombeiros também enfrenta problemas com endereços, porém, por outro motivo. Os atendentes acabam esbarrando no nervosismo do solicitante que, comumente, não consegue passar informações precisas da ocorrência.

“As chamadas que recebemos envolvem muita adrenalina. Por exemplo, há um acidente em rodovia. A pessoa liga, porém, não passa o quilômetro correto. Como recebemos geralmente mais de uma ligação para relatar a mesma ocorrência, acabamos usando a segunda solicitação para dar mais precisão à primeira”, explica o 1º tenente Mário Augusto Damiati, oficial de relações públicas do 12º Grupamento de Bombeiros.

Dados de 2013 apontam que os bombeiros recebem uma média de 330 ligações por dia. “Desse total, mais de 70% é mesmo de resgates, como quedas, acidentes de trânsito com vítimas, atropelamentos, entre outros. Por isso, é importante a localização precisa”.

O tenente Damiati destaca que, além de informar o endereço exato, é muito importante dar um ponto de referência. “Todas as nossas viaturas também são equipadas com GPS”.

Mas o endereço não é a única informação que pode ser fundamental para um atendimento bem sucedido. A natureza da ocorrência também precisa ser explicada de forma objetiva para que o socorro adequado seja enviado.

“A pessoa precisa se acalmar e dizer exatamente o que está ocorrendo. Se é um incêndio ou um acidente, por exemplo. É a natureza da ocorrência e a gravidade que define o tipo de viaturas e os profissionais que vamos enviar. É o que chamamos de trem de socorro”, informa o tenente Mário Damiati.

E o que fazer enquanto o socorro não chega? A recomendação prioritária é não tocar na vítima, exceto em casos em que ela esteja em risco iminente de morte. “Um exemplo é o caso de uma pessoa caída na rodovia”.

Outra recomendação importante é, enquanto a vítima ainda está consciente, tentar conseguir informações sobre seu quadro. “Ajuda bastante nosso serviço quando a pessoa descobre se a vítima é alérgica, se ela ingeriu bebida alcóolica e o que ela está sentido”, conclui o tenente dos bombeiros.

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