Pedro Ribeiro Nardes, um tropeiro nascido em Paranapanema, no ano de 1791. Em 1834, passou por Bauru e, com o objetivo de desbravas novas terras, enfrentou os índios que viviam por aqui. (TCU). Ele é um dos principais personagens do livro “Ribeiro Nardes: Uma família do Brasil”, de autoria do atual presidente do Tribunal de Contas da União, João Augusto Ribeiro Nardes, que será lançado em Bauru na próxima sexta-feira.
“Meu trisavô foi pioneiro nas terras onde está hoje a cidade, que eu ainda não conheço. O episódio é relatado pelo historiador Celso Prado. Ele foi dado como morto, inclusive em uma carta destinada ao então governador porque sumiu depois do confronto com os indígenas”, conta o ministro do TCU.
Apesar do que fora registrado oficialmente, com o auxílio da pesquisadora Janice de Franceschi, João Augusto soube de passagens do trisavô pelo Estado do Paraná, em 1836, dois anos após a passagem por Bauru. “Ele atuou na consolidação do território nacional, principalmente o do Rio Grande do Sul, muito disputado por portugueses e espanhóis”, conta.
A ideia de vir a Bauru surgiu após contato com os vereadores Raul Gonçalves Paula (PV) e Lima Júnior (PSDB), quando ambos estiveram em Brasília (DF), em abril deste ano. “Combinamos que quando o livro estivesse pronto, iria lançar aí”, conta o ministro do TCU.
Os dois parlamentares, aliás, estão se encarregando de montar a agenda de João Augusto Ribeiro Nardes em Bauru, organizando ainda o lançamento do livro, que ainda não tem local e horário definidos.
Apesar da intensa pesquisa genealógica - que durou três anos -, o autor afirma que o livro não tem a pretensão de exaltar sua família. A história de seus ancestrais, porém, se mistura à do próprio País e do processo de miscigenação.
A narrativa tem início em 1540, no Brasil colonial, com os antepassados portugueses dos Ribeiro Nardes, e passa pela saga dos escravos indígenas, dos tropeiros, dos cristãos novos e dos bandeirantes.
A obra é prefaciada pelo imortal da Academia Brasileira de Letras Marcos Vinicius Vilaça e teve o resumo de orelha feito pelo ministro José Manuel Durão Barroso, presidente da Comunidade Europeia.
“Este livro resulta de uma sadia obstinação. O passado social do Brasil aqui lateja”, escreveu Vilaça. “É uma história rica, que deverá ser aprazível não apenas para os Ribeiro Nardes, mas para outros tantos leitores que encontrarão nela algum proveito, se não o auxílio na descoberta de suas próprias origens”, diz Janice.
Cor da pele
João Augusto Ribeiro Nardes conta que, quando criança, seus irmãos o chamavam de “Nego Pacheco” por ter a pele mais escura que os demais, em referência a um trabalhador de umas das fazendas da família, que era negro e tinha o sobrenome Pacheco.
A brincadeira, que considera inocente, despertou no hoje ministro do TCU, ainda jovem, a dúvida se seria, de fato, filho da mãe descendente de alemães.
“Embora tendo respondido que sim quando questionada por mim, continuei me questionando o porquê de ter a tez mais escura que meus irmãos. Ao longo da minha vida de adulto, a tonalidade da pele passou a me intrigar cada vez mais, não mais por receio, mas por uma imensa curiosidade e, mais do que isso, por necessidade de conhecer minhas origens. Isso eu só descobriria pesquisando sobre a história de minha família. Foi o que fiz”, explica.
O autor
João Augusto Ribeiro Nardes é gaúcho, natural de Santo Ângelo, nascido em 1952. Formado em Administração de Empresas, fez pós-graduação e mestrado em Política de Desenvolvimento, em Genebra, na Suíça, onde também estagiou na Organização Internacional do Trabalho (OIT). Também se especializou em Estatística do Trabalho e Política de Emprego Hachioji, no Japão.
Aos 19 anos, foi eleito vereador em sua cidade natal. Em 1986 ganhou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde ficou por dois mandatos. Elegeu-se deputado federal por três legislaturas e, em 20 de setembro de 2005, tomou posse como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Atualmente, preside também a Organização Latino-Americana e do Caribe de Entidades Fiscalizadoras Superiores (Olacefs).