Fotos/Divulgação |
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Leonardo Carvalho foi um dos escolhidos para interpretar o jovem Pelé |
Em pouco mais de uma hora o capitão da Suécia, Nils Liedholm, marcou dezenas de vezes seguidas contra o gol do brasileiro Gilmar, em plena final da Copa do Mundo. Câmeras filmaram tudo, enquanto os jornalistas à beira do gramado, de terno, gravata e chapéu sob o sol a pino, exibiam feições sempre de inédita surpresa. Ao redor, o silêncio das arquibancadas desertas.
A cena irreal aconteceu no estádio do América, no Rio de Janeiro, e para alívio dos torcedores brasileiros, não passa de ficção. É lá, e nos campos do Bangu e da Portuguesa carioca, que estão sendo reconstituídas as principais partidas da Copa do Mundo de 1958 para o filme “Pelé”, cinebiografia sobre os anos de formação do “Rei do Futebol” que, entre outros pontos, abordará sua infância vivida em Bauru.
As filmagens, que começaram há duas semanas e seguem em ritmo acelerado até o final de novembro no Rio – não haverá filmagens em Bauru, conforme o JC Cultura já divulgou –, contam com uma estrutura hollywoodiana para encenar repetidas vezes e nos mínimos detalhes os lances mais dramáticos da campanha que levou o Brasil ao seu primeiro título mundial. Foi quando o garoto Pelé se consagrou, aos 17 anos, como gênio da bola e se tornou o jogador mais jovem a marcar em uma final de Copa do Mundo.
“Fisicamente menor do que a maioria dos homens em campo, ele certamente tinha menos experiência de vida do que boa parte dos que estavam no estádio”, disse um dos diretores, Jeff Zimbalist, à Reuters. “É um garoto que tem que amadurecer e aprender o seu lugar no mundo mais rápido do que qualquer ser humano que eu consiga imaginar”, descreveu Jeff sobre o personagem.
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Seu Jorge atuará no longa como o pai de Pelé, Dondinho |
Pelé na área
Envolvido desde os primeiros momentos no projeto que tem por trás o produtor Brian Grazer (“Uma Mente Brilhante”, “J. Edgar” e “Frost/Nixon”), Pelé também é produtor-executivo do filme e esteve recentemente no set. Ele, que já contracenou no cinema com Grande Otelo (1971), Silvester Stallone (1981) e os Trapalhões (1986), está confirmado como ator, mas não teve o papel revelado.
Pelé opinou também no casting. Uma busca em três continentes por dois garotos que fossem realmente parecidos com ele quando criança e adolescente, bons de bola e, preferencialmente, falassem inglês, língua original de todo o script.
Chegou a ser disseminada uma campanha oferecendo mil dólares para quem encontrasse as pequenas réplicas de Pelé. Acabaram achando Leonardo Carvalho e Kevin de Paula mais perto do que esperavam, nos arredores do Rio de Janeiro.
Jogador de base no clube fluminense Tigres, Kevin exibiu habilidade em campo contra a Suécia, repetindo um duplo drible do chapéu quantas vezes os diretores acharam necessário. Para atuar fora de campo, ele e Leonardo, sem poderem ser fotografados ou entrevistados, recebem a preparação de profissionais experientes em longas como “O Lado Bom da Vida”, premiado com o Oscar de melhor atriz em 2013 (Jennifer Lawrence).
A mesma atenção é dispendida ao exército de jogadores profissionais e amadores que foram convocados em clubes locais para compor as seleções completas de França, Rússia, Hungria, União Soviética e País de Gales, além de Brasil e Suécia.
Os atletas, por sua vez, ajudam atores como Fernando Caruso e Seu Jorge, que interpretam respectivamente os fundamentais Zito e Dondinho (pai de Pelé), mas admitem não conseguir sequer fazer uma única embaixadinha. Outro brasileiro confirmado está Rodrigo Santoro (“300” e “Simplesmente Amor”), no papel de locutor.
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Os diretores Michael Zimbalist e Jeff Zimbalist: irmãos têm no currículo documentários sobre Pablo Escobar e músico do AfroReggae |
Grandes recursos, mínimos detalhes
Estimado pela mídia brasileira em cerca de 15 milhões de dólares, o orçamento não foi confirmado oficialmente. Por meio da empresa pública RioFilmes, o município do Rio de Janeiro investiu 1 milhão de dólares em “Pelé”.
O trabalho cenográfico, capturado pela fotografia do nomeado ao Oscar por “Cisne Negro” Matthew Libatique, traz todas as minúcias características em uma produção dessa dimensão.
O figurino, creditado a Inês Salgado (“Cidade de Deus”), por exemplo, além de confeccionar réplicas idênticas de todos os uniformes da época, conseguiu achar um artesão capaz de fabricar dezenas de chuteiras com as mesmas técnicas utilizadas na década de 1950. O resultado, para alguns jogadores/atores, são pés em frangalhos, após horas a fio repetindo a mesma jogada que levou ao primeiro gol da Suécia.
“As chuteiras são bem desconfortáveis, no sol elas juntam calor, queimam o pé. Fica todo mundo se perguntando como é que eles conseguiam. Faz a gente achar que aquela conquista devia valer por três”, disse Caruso, durante as filmagens no campo do América.


