Marcos, acredito, pelos termos de sua carta sobre a iniciativa do Conselho de Pastores de Bauru em relação a projeto de lei sobre a distribuição de anticoncepcionais na rede pública de saúde, que você seja jovem e antes de qualquer comentário, quero parabenizá-lo por manifestar abertamente sua opinião, participando do debate através desta coluna de leitores, demonstrando ser um idealista que se preocupa com o futuro da sociedade e isto, por si só, já é digno de elogios.
Infelizmente, tenho opinião diferente da sua, o que não me impede de respeitar sua opinião e até tecer elogios. No entanto, acredito que você não fez a correta leitura da iniciativa dos pastores e também não entendeu que eles representam em seu conjunto algo em torno de 30% da população desta cidade e, se verificarmos a opinião deles, corresponde também à do papa Francisco e da Igreja Católica, chegando a 90% da população da cidade.
Tenho certeza de que eles, mais do que repetir dogmas encontrados em "livros de bronze", falaram de sua experiência do dia a dia de orientação pastoral com milhares de jovens e de utilização da Bíblia, e não é da era de bronze, mas é sim o livro mais lido no mundo e o primeiro a ser impresso por Gutemberg e mais ainda atual em seus ensinamentos.
Creio que você, ainda jovem, tenha que rever a aplicação das palavras "obscurantismo" e "mitológico", que não se aplicam de nenhuma forma nesta questão e ainda você quando usa palavras como estas, mal aplicadas, demonstrando, isto sim, um preconceito religioso. Este sim é sinal obscuro e que não é sintoma de nenhum avanço social e não foi por isto que fomos às ruas em 68 pedindo democracia e liberdade sem distinção de religião, de cor ou de ideias.
Aliás, para caminharmos para uma sociedade organizada (melhor planejada), para o bem comum, como você e todos nós desejamos, temos que atacar o mal pela raiz, ou seja, ensinarmos jovens como você que ha tempo para tudo, e que o iniício precoce da vida sexual tem consequências que são maiores que a gravidez (consequência física) e tem também consequências emocionais, como concordam os cientistas da saúde, ou seja, solucionar o problema distribuindo anticoncepcionais é apenas um paliativo, não uma solução.
Ademais, o resto é oportunismo da esquerda festiva e retrocesso apoiado por populistas, que desejam, contra a natureza de nosso povo, tornar este país em uma sociedade materialista, semelhante a uma imensa e sofrida Cuba, usando pessoas idealistas e bem intencionadas como você.
Márcio M. Carvalho