Polícia

Agressão ?a troco de nada? preocupa

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

“Do nada”. É uma expressão que não sai da boca da juventude hoje em dia. Ela simboliza tudo aquilo que surge de forma repentina e sem um motivo específico. Porém, quando falamos da violência se originando desse modo, a expressão é muito preocupante. A Polícia Civil acredita que um jovem agredido com um taco de beisebol em Bauru foi vítima de uma “brincadeira” (lê-se imbecilidade) sem qualquer causa.

Conforme o JC divulgou ontem, o estudante de 23 anos foi atingido por volta das 7h do último domingo.

“Eu voltava de uma festa a pé quando senti a pancada em minha cabeça. Acordei já no chão”, conta o universitário, cujo nome, por questões de segurança, foi preservado pela reportagem.

O caso lembra bastante o jogo (lê-se, novamente, imbecilidade) Nocaute, que vem preocupando os Estados Unidos e até já causou mortes por lá (leia mais abaixo).

O jovem bauruense estava acompanhado de um amigo, de 24 anos. Eles estavam na Getúlio Vargas nas proximidades da rotatória em direção à avenida Nossa Senhora de Fátima.

“Meu amigo disse que foi um Focus prata. Tinha quatro ocupantes. Os dois do lado do passageiro estavam com o corpo para fora do carro. Passaram rente à calçada e um deles atingiu minha cabeça com um taco de beisebol”, conta o universitário.

O golpe provocou cortes e machucou bastante o rosto do jovem. Ele foi socorrido por familiares e fez exames no hospital. Por sorte, não teve nenhum traumatismo. Restaram escoriações também em suas mãos e joelhos por conta da queda.

Mas o que teria gerado tal ato de violência desproporcional? “Foi do nada”, afirma a vítima. “Eu fiquei a festa inteira com uma menina que eu já estou há algum tempo. Então, não pode ser esse o motivo. Não tive qualquer desentendimento na festa e nem antes. Nada. Nadinha”, complementa.

Os agressores não levaram qualquer objeto do universitário e nem falaram nada durante ou após a ação criminosa. Apenas bateram na cabeça do jovem e foram embora. “Fiquei pensando o que poderia ter motivado isso. Mas não tive nenhuma rixa com ninguém. Acho que fizeram isso por diversão”.

Investigação

O delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ) que investiga o caso, Cledson do Nascimento, também acredita que o crime não teve qualquer motivação.

“Conversei com o jovem e seu amigo pessoalmente. Eles parecem pessoas tranquilas. Pelo que relataram, o crime realmente não tem uma lógica”.

Justamente isso preocupa bastante o delegado. “Temos que agir depressa para identificar os agressores e evitar que isso volte a ocorrer. Não é algo casual”.

A preocupação se justifica exatamente pelo jogo que assombra alguns bairros norte-americanos. Cledson do Nascimento crê que possa haver até um comportamento mimético.

“Vemos essas situações pela Internet. Há casos em que jovens passam pelas ruas atirando com armas de paintball ou de pressão em pessoas nas ruas. Acredito que possa ser algo semelhante. É uma violência gratuita mesmo”.

Violência gratuita, ou melhor, violência absurda, e que pode custar muito caro.

O caso foi registrado como lesão corporal, mas o delegado não descarta qualificar o crime como tentativa de homicídio. “Estamos procurando imagens das câmeras de segurança que possam ter flagrado o carro e também contamos com informações da população. O anonimato é garantido”, conclui.

Serviço

Quem tiver qualquer informação pode acionar o Disque-Denúncia da Polícia Civil, por meio do telefone 197, ou ligar direto na CPJ, por meio do 3235-6500.

Caso é associado à onda de agressões nos EUA

Se comprovado que o golpe com taco de beisebol não teve qualquer motivo, fica difícil não associar o caso bauruense à onda de agressões que vem ocorrendo nos Estados Unidos. Lá, pessoas já morreram vítimas da onda que ficou conhecida como jogo Nocaute.

Vídeos de câmeras de vigilância flagrando os casos absurdos podem ser encontrados na Internet. O padrão é semelhante. Uma vítima caminha tranquilamente quando um desconhecido se aproxima e o atinge com um soco. Enquanto a pessoa cai desmaiada, o agressor foge.

A polícia apurou que se trata de uma espécie de jogo e que já ocorre em várias partes do país. Washington e Nova Iorque são alguns dos locais onde os casos já foram flagrados pelo sistema de vigilância. Mais de cinco pessoas teriam morrido após as covardes agressões.

Nas redes sociais, no perfil do Jornal da Cidade, a notícia do jovem bauruense atingido logo gerou recorde de acessos e a associação com os casos americanos.

Difícil prevenção

A Polícia Militar (PM) fala do caso bauruense com muita cautela. Para o oficial de relações públicas do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Fabiano Serpa, é preciso ter a certeza que a agressão ao jovem realmente não teve motivos. “É algo que chama atenção. Essa violência gratuita não é comum em Bauru”.

Caso confirmado que se trata de uma agressão pelo simples fato de agredir, a polícia destaca que é difícil se prevenir. “É complicado. Se for algo aleatório, é difícil dar dicas. O que posso dizer é para evitar locais ermos e tentar não andar sozinho”, completa o capitão.

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