Alex Mita |
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Cabo Oseias Silva com o labrador Stive, de 5 meses: farejador |
A Polícia Militar (PM) contará, em menos de dois meses, com um reforço especial nas suas ações preventivas em Bauru. Stive, um cão farejador da raça labrador, de 5 meses, está participando de um treinamento que visa a busca de materiais explosivos.
Trata-se de uma preparação inédita no Interior e que objetiva aumentar a segurança em situações como visitas de autoridades ao município, principalmente com a aproximação da Copa do Mundo de 2014.
“É um treinamento que exige muita técnica por envolver um alto grau de periculosidade. Qualquer movimento ou toque que haja dele com o material nessa hora, pode acabar acionando o explosivo”, ressalta a subtenente Eliete Tavares Ramos, diferenciando o adestramento em questão dos demais treinamentos.
“Bauru é a primeira cidade do Interior a ter esse tipo de treino. Somente a central do canil da PM em São Paulo possui cães treinados para essa ação”, completa o treinador, cabo Oseias Silva.
Apesar de pioneiro no Interior, o canil de Bauru não poderá treinar cães de outras cidades. A subtenente Eliete Ramos explica que, caso outros canis tenham esse interesse, os respectivos policiais devem fazer cursos na Capital. “Lá é o centro que dissemina as informações”, explica.
Ação
Apesar de se parecer mais com uma brincadeira no início, o treinamento exige muita dedicação, agilidade e persistência dos técnicos.
“Para ele, é como se estivesse brincando, ele fica agitado. Nessa hora, o controle e a atenção ao cão são essenciais para que ele consiga assimilar o treino da forma correta”, comenta Oseias.
Com um brinquedo em mãos, o treinador esconde, sob um tijolo de concreto, uma bomba com baixo teor explosivo, com menos de dois gramas de pólvora.
Em seguida, pronuncia as palavras de ordem ao cão, algumas delas em alemão.
Menos de 20 segundos depois, Stive senta-se em frente ao local onde detectou o odor do explosivo.
“Geralmente, os cães costumam deitar quando encontram o objeto. Mais alguns treinamentos e ele estará pronto para atuar”, comemoram o cabo e a subtenente diante dos resultados de quase dois meses de treinamento diário.
O próximo passo, conforme o cabo, é acostumar Stive com a variação do componente-base dos explosivos. “A pólvora negra, a cordel e a dinamite gelatinosa. Cada base possui um odor específico”, detalha Oseias.
Capturas na mata
Fuga de marginais em mata, sequestro e desaparecimento de pessoas. Em dois meses, esses tipos de crime terão um novo agente em cena. Apache, um pastor alemão farejador de 3 anos, está sendo treinado para missões assim como a que resultou no encontro do corpo do menino Joaquim por cães da PM, à beira de um rio, em Barretos, nas últimas semanas.
Por muito tempo, Bauru teve um cão com tal treinamento, mas ele acabou morrendo há dois anos. Desde então, o canil, que atualmente possui 18 cães entre pastores, labradores e um beagle, não possuía mais o serviço.
“Demos o mesmo nome para esse, Apache. Em um mês de treinamento ele evoluiu muito e em breve estará nas ruas”, avalia Oseias.
O treinamento, conforme explica o cabo, ocorre em três etapas: a individual, que consiste em submeter o cão a algumas caraterísticas do fugitivo ou da vítima, como o odor; a adicional, com pistas de objetos relacionados aos procurados como cigarro e bebida; e a circunstancial, que aguça a percepção do animal diante de pistas no próprio local, como pegadas e galhos quebrados, por exemplo.
Para se ter ideia da agilidade de Apache, em apenas um mês de treinamento, em uma breve simulação feita à reportagem na manhã de ontem, ele encontrou, em menos de 30 segundos, uma bolsa e um agente que havia se embrenhado em meio ao matagal existente atrás do canil, em um espaço de aproximadamente 50 metros.
“O método utilizado no caso do menino Joaquim foi o mesmo. Eles entregaram uma veste do garoto e o cão farejador foi encontrando as pistas junto à polícia, até que chegou ao corpo”, comenta Oseias.
