Tribuna do Leitor

Caixas eletrônicos: absurdo da modernidade


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Por mais boa vontade que tenha, não consigo deglutir certas medidas tomadas como benefício à população. Dentre elas, destaco a instalação de caixas eletrônicos em pontos desprotegidos de segurança policial. Que sentido tem um caixa eletrônico em cidades minúsculas, onde a guarnição policial não passa de mera fantasia, apenas para, com sua presença, coibir excessos corriqueiros do cotidiano e dar à população algum senso de conforto?

O simples visual de um caixa eletrônico traz à imaginação uma grande quantidade de dinheiro e, consequentemente, o delírio que esse dinheiro desperta na mente humana. Desse ponto de partida, a mente desvairada começa a ter vis e desenfreados pensamentos. Sendo o pensamento uma força incontrolável, rapidamente forma a imagem, no caso, a imagem do dinheiro farto e tudo o que ele proporciona.

Observando que, na solidão da noite, o visado caixa permanece desguarnecido de vigilância, a febre da cobiça passa a dominar aquela frouxa mente, eliminando qualquer resquício de nobreza que ainda poderia nela existir. Pronto. Revela-se, aí, o novo ladrão, capaz das maiores atrocidades para alcançar o objetivo. E se antes não se revelou, foi por falta de oportunidade, por falta de algo que, de tão oportuno, transforma-se num irresistível convite para o crime.

A partir do primeiro sucesso, esse cérebro só arquitetará projetos criminosos. Nada mais o deterá. Absurdo, portanto, os bancos instalarem caixas eletrônicos em locais incompatíveis. E que necessidade têm esses lugares de contar com esse equipamento? Em minha opinião de leigo no assunto, caixa eletrônico só seria instalado em locais de muita segurança e de real necessidade. Trata-se de um comodismo, cujo custo é maior do que o benefício para a população, deixando-a a mercê de bandidos.

Estamos voltando ao tempo do cangaço, quando bandos de facínoras tomavam pequenas cidades do nordeste, praticavam as maiores crueldades, matando e saqueando, sem que o acanhado contingente policial pudesse lhes fazer frente. Cidades com população abaixo de 30.000 habitantes deveria pedir a retirada desses equipamentos, pois só assim teria um pouco mais de sossego. Se hoje, com a brandura das leis penais, o Estado não consegue reprimir o crime, o que nos estará reservado para daqui a alguns anos, com a velocidade com que cresce a criminalidade, especialmente nessa modalidade?

Por outro lado, absurdo maior ainda é querer jogar os populares que aproveitaram a oportunidade e pegaram cédulas soltas pelas ruas na mesma vala dos bandidos arrombadores. Estes tinham o propósito de levar o dinheiro a qualquer custo, inclusive o de pôr fim à vida de quem tentasse lhes barrar o intento, enquanto aqueles nada mais faziam do que, à luz do dia e até por ingenuidade, beneficiar-se do acaso para colher aquilo que estava à mercê do vento.

É crime? Sem dúvida, é crime sujeito à punição, mas jamais comparável ao ato dos grandes criminosos. Julguemos com serenidade, para não cometermos injustiça.

Roldão Senger

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