Tribuna do Leitor

As faces das palavras


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"Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo". Esta frase é de Clarice Lispector e é bem notório o poder que a palavra possue.

As palavras são ferramentas com as quais utilizamos para expressar ideias e expor opiniões. E, claro, com alto poder de convencimento, além da costumeira utilização em propagandas para o consumo de um produto, ou para a difusão de um discurso ideológico com fins de manipular um fato e transmiti-lo tendenciosamente por parte de seu emissor.

Entretanto, é importante analisar qual o objetivo de tal persuasão. Do ponto de vista benigno aos olhos de uma empresa, por exemplo, é louvável que a tenha funcionários persuasivos na venda de um determinado produto. O mesmo pode-se considerar para um advogado com o objetivo de defender o seu cliente, réu no tribunal do juri, nesta hipótese, além do convencimento por meio das palavras, o cenário torna-se uma peça teatral, determinando as falas às partes envolvidas.

Por outro lado, ardilosamente os psicopatas ou sociopatas também a utilizam em seus expedientes, respaldos no vocabulário obtuso, ambíguo, polissêmico, transgridem leis vitimizando-se do sofrimento alheio causado. A forma como esses personagens falam é convincente a ponto de eles deixarem sua própria identidade para assumir o papel que criam com o objetivo de alcançar o desejado. Contudo, tendo em vista esse poder bigúmeo das palavras o indivíduo sabedor do exercício da manipulação triunfará maquiavelicamente a seu favor.

O convencimento, tanto para o bem quanto para o mal, utilizar-se-a de palavras e boa oratória por parte de quem fala. Por tudo isso, volta-se à frase inicial de Lispector: "A palavra é o meu domínio sobre o mundo, ou seja, é o instrumento que utilizo para alcançar o que realmente quero e sabendo como manipula-lá."

Dalila Giovanna Bersa

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