Por mais estranho que possa parecer o título acima o mercado se depara com o que podemos denominar de preguiça empresarial. São agentes econômicos que reclamam que o mercado está ruim, mas não fazem absolutamente nada para reverter este quadro. Sua prioridades nas organizações são no mínimo questionáveis. Se perdem na operação, optando pela administração de bombeiros (correndo para apagar incêndios) ou se estabelecem em uma área de conforto que os remete a uma preguiça inadmissível.
O mundo dos negócios está fervendo. Tem empresas inaugurando suas unidades. Empreendimentos sendo lançados. Cursos de aperfeiçoamento profissionais sendo oferecidos, palestras orientativas, encontros empresariais, feiras de negócios, enfim, um cem número de atividades e muitos empresários e até mesmo profissionais de comando estão literalmente parados "vendo a banda passar".
Existe algo pior do que está inércia: a crítica a quem alcança resultados. Normalmente estes profissionais colocam (com muita inveja) "que sujeito de sorte, conseguiu atingir o sucesso", Sorte? Em muitos casos, muito trabalho. É fácil ter sorte: trabalhe arduamente, estabeleça estratégias, motive a equipe, arrisque o capital, se aprimore profissionalmente, a tendência é que "a sorte venha mesmo".
Não raramente os agentes econômicos acomodados se queixam da ocupação de espaço de outras empresas ou empresários, mas invariavelmente não movem uma palha para ocupar os espaços disponíveis. Este comportamento gera um ciclo vicioso nas organizações: o exemplo passivo da liderança contamina seus colaboradores, que contaminam os operários, que produzem com desânimo, que derrubam o astral da equipe de vendas, que levam a empresa a perda de clientes, rentabilidade e entram em processo de contaminação. A reversão deste quadro vem da liderança. É preciso puxar a fila. Para sair da zona de conforto é preciso ser estrategista, querer fazer mais com menos, elevar o moral da equipe, estabelecer desafios e colher os resultados.
Na prática, um empreendimento pode até não dar certo, mas jamais isso deve ocorrer por falta de vontade, por preguiça, por não ter estratégia e trabalhar para que esta seja entendida e praticada por todos. O final de ano se aproxima. O planejamento das empresas está a todo vapor. É preciso inovar, reinventar-se e mudar o comportamento.
Tudo isso acontece com a somatória de pequenas atitudes, começando por eliminar a preguiça existente. Avalie friamente se você, líder, não está acomodado nesta zona de conforto. O primeiro passo para mudar é admitir e o segundo é rever suas prioridades e trabalhar fortemente para que o status quo seja alterado. Em tempo de forte concorrência, em mercado competitivo não há a menor chance de sucesso se a preguiça for a tônica na gestão dos negócios. Reflita.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC