Essa frase está pichada numa parede residencial no bairro Jardim Panorama. Com o conforto de ligar uma TV pelo controle remoto, ficamos passivamente recebendo as notícias, sem nos preocuparmos com o conteúdo, veracidade e importância. Repetimos em nossas rodas sociais essas informações, como se fossem fidedignas. Questionamos: quem publicou inicialmente essas informações? Quem as leu e interpretou, para depois resumi-la e colocá-la no ar? Quais os verdadeiros propósitos em divulgar essas informações? Que público visa atingir?
Qual a força de divulgação dessa notícia e que benfeitorias ou estragos produzirá? Realmente não nos preocupamos com isso. Assino duas revistas, com edições semanais. As notícias publicadas diferem totalmente, quanto ao otimismo e o pessimismo nos atos do governo. Em qual das duas acreditar? Os próprios advogados estão questionando esses recursos jurídicos, que têm por finalidade, somente adiar as sentenças. Tudo isso mostra a dualidade que vivemos diariamente.
Entre as palavras sim e não, temos muitas intermediárias, como quem sabe, talvez, penso que, acho que, ainda não sei, e outras empregadas, quando não temos a certeza entre os conflitantes sim e não. Nesse triste episódio, para a história do Brasil, sobre o julgamento do mensalão, vemos duas posições antagônicas, uma colocando os mensaleiros como vilões e outra como heróis políticos. Ora um técnico de futebol eleva o clube, ora esse mesmo técnico é o responsável pelo fraco desempenho, desse mesmo time que dirige (exemplos: Felipão, Mano Menezes, Murici, Tite, Luxemburgo, Renato Gaúcho, etc). A Copa do Mundo será benéfica ou um tremendo prejuízo para os cofres públicos? O bandido que comete um crime é um marginal ou uma vítima do sistema social?
Qual o balanço que fazemos das reais consequências dos movimentos sociais que vivemos nesse 2013? Para que formemos nossa opinião é preciso filtrar as informações, depurar as paixões ambíguas, e não nos deixar levar pela inflamação daquele momento. Com a evolução tecnológica muito rápida, estamos outorgando a outras pessoas, a reflexão que deveríamos fazer.
É muito cômodo acessar a internet ou a TV e nos colocarmos a par do que acontece no mundo, em poucos segundos. Assim seremos considerados como uma pessoa "por dentro" dos acontecimentos. Quando vejo à noite o noticiário na TV e a comparo com a mesma notícia pela Internet, encontro a mesma superficialidade das informações, mas essa mesma notícia impressa numa revista semanal normalmente desce a informações mais substanciais, facilitando a tomada de consciência do problema e das consequências. Para que tudo aconteça, é necessário que tenhamos escolas que ensinem os alunos a pensar, expor seus pontos de vista, e ter professores preparados para ajudar seus alunos a encontrar o caminho. Os psicólogos não apresentam soluções para os problemas de seus pacientes, sendo sua função estimular que os próprios pacientes encontrem soluções para os seus problemas.
A mente humana é tão poderosa e manipuladora que uma mentira deslavada pode ser defendida como uma verdade, apaixonadamente, pelo seu pensador. Interessante observar que tanto os escândalos na vida pública quanto as promessas pré-eleições se multiplicam avidamente nos períodos que antecedem as eleições, mas que após as mesmas, caem num esquecimento tanto pelos candidatos como pelos eleitores. Vamos pensar mais e deixar a TV apenas como um meio de diversão, de manchete de notícias, mas que não substitua o nosso raciocínio, como diz a frase inicial dessa reflexão.
O autor, Arnaldo Pinzan, é professor na FOB-USP e membro do Lions Clube de Bauru Centro