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Sumiço no PR motiva ato em Bauru

Por Vitor Oshiro | Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

“Olho para meu filho menor, de 3 anos, e penso que poderia ser ele”. É a justificativa que a professora Dulcinéia Perez Mortari, 48 anos, dá por ter organizado o ato que será realizado no próximo domingo motivado pelo sumiço do menino paranaense João Rafael Kovalski, de 2 anos. O 1º Ato pelos Desaparecidos visa refletir sobre o tema.

O encontro ocorre a partir das 14h30 no parque Vitória Régia. Simultaneamente, ações semelhantes serão realizadas por todo o Brasil. É uma iniciativa gerada após o caso de João Kovalski, que ganhou repercussão nacional. O garoto desapareceu no Paraná no dia 24 de agosto (leia mais abaixo).

“Após esse caso, a iniciativa foi de fazer um ato em cada cidade neste domingo. Criamos o evento nas redes sociais e estamos convidando as pessoas a participarem. Levaremos panfletos, cartazes e camisetas”, explica Dulcinéia Mortari.

A professora tem três filhos, com idades de 3, 15 e 17 anos, e afirma que só o fato de ser mãe já é motivo suficiente para tentar ajudar.

“Penso na dor que a mãe daquele garoto está sentindo. Passar dia após dia e não ter notícias dele. E imaginar que um ser indefeso pode estar por aí é algo muito triste. Então, resolvi ajudar”.

Apesar de o cerne do ato ser o caso de João Kovalski, os encontros ao redor do País que serão realizados neste domingo objetivam levantar a discussão sobre os desaparecimentos e tentar ajudar as famílias que passam por dramas semelhantes.

“A ideia é que esse encontro ajude outras pessoas. Então, quem teve um desaparecimento na família deve comparecer. Pode levar a foto da pessoa sumida, seja ela uma criança, um adulto ou um idoso”, completa a professora Dulcinéia Mortari.

‘Efetivos’

O delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines, explica que os números de desaparecimentos na cidade não convergem com a realidade. É que, de acordo com ele, existe grande subnotificação nos reencontros.

“As pessoas registram só o desaparecimento. Quando a pessoa reaparece, a família não vai na delegacia fazer o registro. E isso nos atrapalha bastante, pois o caso fica em aberto”, revela.

Ele afirma que, nos últimos meses, a cidade, inclusive, não registrou nenhum dos chamados casos desaparecimentos efetivos.

“A maioria dos registros são de pessoas envolvidas com drogas ou com problemas familiares. São casos em que voltam pouco depois. Não há aqueles desaparecimentos efetivos, como casos de raptos de crianças, por exemplo”, conclui Martines.

  • Serviço

O ato motivado pelo sumiço do menino paranaense João Rafael Kovalski será realizado neste domingo, a partir das 14h30, no parque Vitória Régia, em Bauru. Quem quiser mais informações é só entrar no Facebook e procurar pela página do “1º Ato pelos Desaparecidos”.


Caso João Rafael

João Rafael Kovalski, de 2 anos, foi visto pela última vez no quintal de sua casa em Adrianópolis, região metropolitana de Curitiba, no dia 24 de agosto. Desde então, a família começou uma verdadeira saga em busca de qualquer notícia do garoto.

A polícia trabalha com duas hipóteses: rapto ou morte acidental devido à queda em um rio que fica próximo a casa em que o menino mora.

A família de João, que acredita em sequestro, espalhou vários cartazes pela região e iniciou uma grande campanha nas redes sociais. A página no Facebook já tem 183 mil seguidores.


‘Caminho de Volta’

Um dos projetos de apoio mais conhecidos para reencontrar desaparecidos é o Caminho de Volta.

Criado em 2004, o projeto foi desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) com a finalidade de auxiliar as famílias de crianças ou adolescentes desaparecidos.

Por meio de instrumentos tecnológicos, como banco de dados e coleta de material biológico, as equipes tentam a localização. Ainda é ofertado apoio psicológico aos familiares quando os desaparecimentos decorrem de desentendimentos.

Fone e site

Para saber mais, contato com a equipe é feito por meio do telefone (11) 3061-7589 ou no site http://www.caminhodevolta.fm.usp.br.


Polícia Civil: só em outubro, 77 boletins do gênero no município

De acordo com dados da Polícia Civil, só em outubro foram realizados 77 registros de desaparecidos em Bauru. Desses, foram feitos 34 boletins de ocorrência (BO) para noticiar os reencontros dessas vítimas.

“Mas essa diferença não é de desaparecimentos efetivos. São de pessoas que voltam, porém, os denunciantes não avisam a polícia. Pedimos que a pessoa faça isso. É muito importante”, apela o delegado Ricardo Martines.

Em setembro, dos 69 desaparecidos, o registro oficial é de que 47 voltaram para a casa. “Deixamos um investigador só para cuidar de casos de desaparecidos. Ele liga e orienta a pessoa a comunicar a volta. Do contrário, o número de registros de reencontros seria ainda menor”.

Outra orientação da polícia é para acabar com o mito das 24 horas. Existe, até hoje, a lenda de que é preciso esperar esse período para notificar um sumiço.

“A orientação não é essa. A família pode registrar a partir da hora que notar o desaparecimento. Só pedimos, novamente, para que também registrem o reencontro. Isso pode ser feito, inclusive, pela Delegacia Eletrônica”, finaliza Martines.

 

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