Cultura

Lô logo ali

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação/Pedro David

"Espero encontrar um público bem bacana para show deste domingo" 

A notícia publicada com exclusividade pelo JC Cultura, em 7 de novembro, causou surpresa: “É mesmo?” Sim, é mesmo: Lô Borges, 61 anos, vai cantar de graça para os bauruenses em pleno Jardim Botânico amanhã, a partir das 10h. A dica é chegar um pouco mais cedo e garantir bom lugar.

“Adoro natureza. Já fiz shows em parques e no Botânico do Rio. Neste ano, desse tipo, será o primeiro”, conta o fundador do Clube da Esquina, em entrevista por telefone. De Belo Horizonte, o autor de “Trem Azul” relembra passagem por Bauru em festival de 1997 (“Carlinhos Brown foi lá beijar a minha mão”), diz que sua música está ainda “mais beatle” (“Sou fã demais”) e anuncia uma novidade: vem aí seu songbook com 55 canções e partituras. Confira trechos da boa prosa equatorial com Lô:


JC – Quem vem com você para esse show batizado de “Lô Borges Duo”?

Lô – Vou com o guitarrista Henrique Matheus. É o mesmo que também está comigo quando tocamos com banda.

JC – Como é tocar em lugar com natureza por todos os lados?

Lô – Tem a ver com minha vida mesmo. Frequento a natureza. Sempre vou para a Serra do Cipó, um santuário onde tenho um lugarzinho meu lá. Tomo banho de cachoeira, faço trilha. Tocar na natureza é especial... Já fiz em parques e no Botânico do Rio. Será o primeiro show desse tipo neste ano.

JC – E o repertório para essa apresentação?

Lô – É um apanhado. Vai um pouco do “Clube da Esquina” ao “Horizonte Vertical”, meu álbum mais recente, de 2011. Muitas canções são emblemáticas para o público e para mim também. Procuro tocar as mais conhecidas e outras nem tanto com o mesmo carinho e a mesma intensidade. Vamos fazer “Girassol...”, “Trem Azul”, que foi gravada por Tom e Elis e tem muita relevância na minha trajetória, além de “Para Lennon e McCartney”...

JC – Estive com meu filho no show de Paul McCartney no Mineirão este ano e, na fila, todos comentavam: “Seria legal encontrar o Lô Borges por aqui”. Agora tenho oportunidade de perguntar: você foi?

Lô – É mesmo? Também fui com meu filho, o Lucas, de 15 anos. Sou fã demais dos Beatles e meu filho é beatlemaníaco desde os dois anos. Ele ficou supercomovido. Eu saí extasiado do show, imagina: um beatle em BH! Nunca tinha visto um show do Paul McCartney. Eu me deliciei.

JC – Suas músicas mais recentes parecem mais pop, mais diretas, mais “beatle”...

Lô – Minha música tem dado uma simplificada na questão harmônica. Você tem razão: está mais pop, sim. Está mais “beatle”, sim.

JC – Como é fazer música com os “novos mineiros”, como Samuel Rosa e Fernanda Takai?

Lô – É uma geração muito legal de interagir. Faz bem tanto pra eles quanto para mim. Fazemos com muita verdade e naturalidade. A música une as pessoas.

JC – Você se lembra de um festival em Bauru em 1997?

Lô – Foi uma noite de homenagem ao Clube da Esquina, foi muito legal. Com Beto Guedes, Flávio Venturini...

JC – Em uma das três noites o Carlinhos Brown participou e chegou a subir ao palco de surpresa para cantar “Travessia” a capela. Não sei se você estava naquela noite...

Lô – Verdade! Eu estava nessa noite. Brown é devoto das canções do Clube da Esquina. Entrou no camarim e beijou a minha mão... Foi divertido, uma super-homenagem...

JC – E amanhã você volta a ser o centro das atenções em Bauru. Como lida com os fãs?

Lô – É tranquilo. Espero encontrar um público bem bacana. Pode chegar, pode tirar foto...

JC – E o que vem de novidade para 2014?

Lô – Não anunciamos ainda, mas vou lançar meu primeiro songbook. Serão 55 músicas com respectivas partituras, tudo revisado. O público mesmo cobrava isso e será algo bem especial. 

  • Serviço

Lô Borges no encerramento da 5ª Temporada – 2013 do Projeto “Um Canto no Botânico”, neste domingo, 1/12, às 10h. Promoção: Jardim Botânico de Bauru, órgão da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura.

Curiosidade

* Muito antes de compor “Clube da Esquina 2” (com Milton Nascimento e Márcio Borges) e “Paisagem da Janela” (Lô Borges/Fernando Brant), um menino Lô Borges assistiu ao primeiro filme dos Beatles, “A Hard Days Night”, e tomou aquilo como estímulo musical. Ele e Beto Guedes fundaram a banda infantil “The Beavers”. Aos 16 anos, Lô teve uma primeira música gravada.


Solo fértil (discografia)

Clube da Esquina (com

Milton Nascimento) – 1972

Lô Borges (1973)

Via Láctea (1979)

Os Borges (1980)

Nuvem Cigana (1982)

Sonho Real (1984)

Solo (1987)

Meu Filme (1996)

Feira Moderna (2000)

Um Dia e Meio (2003)

BHANDA (2006)

Intimidade (2008)

Harmonia (2009)

Horizonte Vertical (2011)

 

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