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O velho sempre vem

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

Dizem que mudanças de gerações são contadas de vinte em vinte anos. Da mesma forma, a história tem predileção em ser cíclica e, assim, de tempos em tempos, copia coisas do passado. Às vezes, conservar é ser vanguarda - depende do ciclo dessa mesma história.

Tudo isso para dizer que é gostoso ver uma certa onda "retrô" viva por aí - tema, aliás, do "JC Bairros" de hoje. Não sou de saudosismos precoces nem tenho carteirinha do clube dos nostálgicos aborrecidos. Mas que há luz no passado, é claro.

Sou analógico por essência em meu caminho rumo aos 43 anos. Sigo conectado ao "agora", mas também satisfeito com a memória - minha e a dos outros. Quer prazer maior para um jornalista do que sentar com um entrevistado que tem apetitosas histórias para retomar e servir?...

A tal onda "retrô", na verdade, é bem moderninha. Uma atualidade feliz por recuperar elementos que recriam um passado, senão melhor, mais afetuoso.

A matéria da repórter Ana Paula Pessoto faz "resgate" (palavra antiga) disso: a barbearia de Bauru, novinha em folha, com navalha, toalha quente e decoração dos bons tempos; os secos e molhados; o dedicado alfaiate; o habilidoso sapateiro... Todos na ativa em quase 2014.

Sites estão recheados de mergulhos na cultura pop de outras décadas. E, antes do esquecimento, vale emergir: no fundo, coisas antigas são pura materialização de emoções represadas.

Mas, lembre-se: não há garantia de terrenos nivelados em túneis do tempo. Se vai recordar, pode (você) balançar. Vale o risco. Ou, como em frase atribuída ao cantor jamaicano Bob Marley: "Lembranças são confusas: umas me fazem rir, quando lembro que chorei. Outras me fazem chorar, quando lembro que pude rir."

O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC

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