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Mãe espera por filha desaparecida

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

Não passa um dia sequer sem que Leandra Leite da Silva sinta falta do cheiro, da voz e do olhar da filha Bruna Cristina da Silva Moço, que desapareceu aos 6 anos, em 2.000, quando a família de Bauru vivia em Birigui. Os 13 anos de ausência, iniciados no momento em que menina saiu de casa para comprar ovos em uma mercearia próxima e sumiu, não foram capazes de amenizar em nada a dor extrema com que ela passou a conviver.

 

Éder Azevedo

Leandra Leite da Silva participou do ato por ter perdido a primogênita; no detalhe Bruna Cristina da Silva Moço que desapareceu aos 6 anos, em 2.000, quando vivia em Birigui

O depoimento, ainda muito emocionado, foi prestado ontem a um pequeno grupo que participou, no Parque Vitória Régia, do 1º Ato pelos Desaparecidos. Simultaneamente, ações semelhantes foram programadas por todo o Brasil, em uma iniciativa provocada pelo caso de João Kovalski, que ganhou repercussão nacional. O garoto desapareceu no Paraná no dia 24 de agosto.


Já a bauruense Bruna sumiu no dia 19 de setembro de 2.000, por volta das 16h30. Em meia hora, a mãe estranhou o fato da garota não ter voltado e iniciou as buscas, até hoje em vão. “Ela nem chegou à mercearia. Conhecíamos o dono, que não a viu por lá”, comenta Leandra. Após cessarem os dias de buscas, ela iniciou uma vigília em frente à própria casa, que levou  meses. “Eu ficava até altas horas no portão, esperando”, relembra.



Desespero


Além dos cartazes distribuídos e pregados pela cidade, Leandra peregrinou por outras cidades, se aproximou das Mães da Sé, registrou o caso em sites e foi até ao programa do Gugu pedir que a ajudassem a encontrar a filha. “Cheguei a pedir a Deus para que me levasse. Depois me arrependi porque tenho outros filhos”, comenta.


Bruna era a primogênita. Além dela, em 2.000, Leandra já tinha a Carla de 3 anos e Joseph Charles, de 2 anos, que ainda mamava no peito. “Meu leite secou, na época. Até hoje choro em qualquer lugar. No trabalho, numa loja, na rua. Às vezes, tenho vontade de comprar alguma coisa para ela”, comenta a mãe, que carrega uma corrente cujo pingente é um coração com o nome da filha desaparecida.


Leandra teve outras duas filhas depois do desaparecimento, Tamara e Julia. A caçula, de 8 anos, a acompanhou ontem no ato. “Amo todos os meus filhos iguais, mas um não substitui o outro. Bruna ainda é muito presente em casa. Falo sempre dela com os irmãos”, comenta Leandra.


Ela retornou a Bauru, de onde tinha partido para Birigui por questões de trabalho, alguns anos depois do sumiço para ficar próxima da família. Atualmente, mora no Parque Roosevelt, com os filhos.



Serviço


Quem puder de alguma maneira ajudá-la a localizar Bruna pode fazer contato pelo telefone 14 99769-9523

 

“A Justiça falhou com a gente”

Leandra Leite da Silva não se conforma em ter esperado 24 horas para registrar o desaparecimento da filha, como foi orientada na ocasião. Na opinião dela, o equívoco da espera somado à falta de estrutura da polícia, foram determinantes para que Bruna não tenha voltado para a família ainda.


“A Justiça falhou com a gente, mas Deus não falha”, afirma. Atualmente, tenta não perder de vista os outros filhos. Todos têm celular e recebem ligações constantes da mãe durante o dia, comenta. “A dor é tão grande que não posso mais perder nada”, diz.


Nestes anos todos, segundo Leandra, várias pistas surgiram, inclusive a hipótese de Bruna estar na Bolívia. Ela relembra do sumiço de uma menina no mesmo período em que Bruna, também em Birigui.


Conforme o JC publicou em maio de 2007, um taxista de Bauru ajudou a polícia a encontrar uma menina de 6 anos, que estava desaparecida há anos. A mãe da menina, Luzinete dos Santos Silva, disse que filha, Beatriz dos Santos Silva, havia sido levada por uma cigana de nome Percília Nicolichi semanas após o nascimento, em 2000. Ela contou que, na época, enfrentava dificuldades financeiras e a cigana ofereceu-se para cuidar da menina. Porém, não conseguiu ter a criança de volta.

 

Mobilizações terão continuidade

Embora o 1º Ato pelos Desaparecidos tenha sido tímido em Bauru, ele cumpriu com seus objetivos, segundo confirmou a organizadora Dulcinéia Mortari. A professora tem três filhos, com idades de 3, 15 e 17 anos, e afirma que só o fato de ser mãe já é motivo suficiente para tentar ajudar.


Além de ressaltar a causa, ela distribui cartazes, e nesta semana pregará outros, de João Rafael Kovalski, de 2 anos, visto pela última vez no quintal de sua casa em Adrianópolis, região metropolitana de Curitiba, no dia 24 de agosto. Desde então, a família iniciou uma saga em busca de qualquer notícia do garoto.


A polícia trabalha com duas hipóteses: rapto ou morte acidental devido à queda em um rio que fica próximo a casa em que o menino mora. A família de João, que acredita em sequestro, espalhou vários cartazes pela região e iniciou uma grande campanha nas redes sociais.



Alerta Amber


No ato de ontem, Dulcinéia também chamou atenção para o Alerta Amber, instrumento capaz de ser acionado pelas famílias que enfrentam o drama e pelas pessoas e órgãos públicos dispostos a ajudar. Idealizado após o desaparecimento de uma menina nos Estados Unidos, que foi posteriormente encontrada morta, ele prevê que, depois do comunicado do desaparecimento de uma criança, os veículos de comunicação, por exemplo, sejam imediatamente avisados e encarregados de divulgar informações com nome, fotos e características das crianças, bem como qualquer pista que leve a encontrá-la.


Um número é disponibilizado para que pessoas interessadas em ajudar possam ligar e dar mais informações que ajudem a solucionar o caso. “As três primeiras horas são fundamentais para evitar qualquer tragédia”, destaca Dulcinéia. Ele pede que as pessoas assinem a petição disponibilizada na rede mundial de computadores para que um sistema semelhante seja criado no Brasil. De acordo com ela, em solo verde amarelo existe o site ‘Meu filho sumiu’, mas não com o mesmo objetivo.

 

 

 

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