Internacional

Biden chega à Ásia para desarmar tensão

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, chega nesta semana à Ásia buscando um delicado equilíbrio entre a necessidade de acalmar as tensões militares com a China e a preocupação em apoiar o aliado Japão numa disputa territorial com Pequim.

O Japão reiterou ontem que Tóquio e Washington rejeitam o estabelecimento de uma zona de defesa aérea que inclui ilhas desabitadas que são alvo de uma disputa sino-japonesa no mar do Leste da China. No entanto, por orientação do governo norte-americano, três companhias aéreas dos EUA estão notificando Pequim ao sobrevoarem a nova zona de vigilância.

Washington disse no fim de semana que isso não significa uma aceitação da zona de vigilância da sua parte. Na semana passada, os EUA mobilizaram dois bombardeiros B-52 na área sem informar a China.

“O governo dos EUA já deixou claro que está profundamente preocupado com o estabelecimento da zona de identificação de defesa aérea, e que não irá aceitar as exigências da China a respeito das operações na zona”, disse o chefe de gabinete do governo japonês, Yoshihide Suga, em entrevista coletiva.

As duas maiores companhias aéreas japonesas estão seguindo a orientação do governo de não submeter seus planos de voo a Pequim. As autoridades sul-coreanas orientaram suas empresas aéreas a fazerem o mesmo, já que a zona de vigilância aérea também abrange uma rocha submersa reivindicada por ambos os países.

Hong Lei, porta-voz da chancelaria chinesa, disse que Pequim aprecia a orientação norte-americana às companhias dos EUA por notificarem a China sobre seus planos de voo, e criticou o Japão por “politizar deliberadamente” a questão.

Em visita a Tóquio hoje, Biden deverá reforçar a validade da aliança militar EUA-Japão que data da década de 1950. No entanto, dias depois ele chega a Pequim, um importante parceiro comercial dos EUA, com o qual tentará acalmar a situação de tensão.

“É especialmente importante... que continuemos a amplificar nossas mensagens de que estamos e sempre estaremos aí para os nossos aliados, e que há uma forma de as duas grandes potências nos EUA e na China construírem um tipo diferente de relacionamento para o século 21”, disse uma fonte graduada do governo Obama.

Washington não se posiciona acerca da soberania das ilhas, conhecida como Senkaku no Japão e Diaoyu na China. No entanto, reconhece o controle administrativo de Tóquio, e diz que o pacto de segurança entre EUA e Japão se aplica a esse território - situação que poderia arrastar Washington para um conflito militar que o governo Obama prefere evitar.


China acusa Japão de politizar questão

A China acusou ontem o Japão de querer politizar a criação de uma zona de defesa aérea que inclui áreas disputadas com Tóquio e Seul. A medida foi anunciada na semana passada de forma unilateral por Pequim e gerou forte atrito com os vizinhos e os Estados Unidos.

De acordo com o texto chinês anunciado em 26 de novembro, todos as aeronaves estrangeiras que entrarem no que a Pequim considera seu espaço aéreo no mar do Leste da China devem se identificar, apresentar seu plano de voo e manter comunicação por rádio.

Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hong Lei, afirmou que o país pede ao Japão que “detenha suas acusações sem fundamento, mostre uma atitude responsável e coopere para manter a ordem na zona”.

A declaração é uma crítica ao governo japonês, que pediu às empresas aéreas do país não avisar aos chineses caso passem pela zona disputada. Para Pequim, a decisão “não faz nenhum bem para a cooperação em aviação civil”.

“A zona de defesa aérea não está direcionada a nenhum país concretamente. Procura salvaguardar nosso território e não afetará a liberdade de voo. Esperamos que outros países nos entendam e cooperem conosco”, defendeu Hong.

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