Polícia

Trecho da Nações se torna armadilha para adolescentes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A recorrência com que roubos a pedestres, especialmente jovens, têm sido registrados na região da avenida Nações Unidas está preocupando a polícia. No último domingo, em menos de três horas, dois assaltos vitimaram adolescentes que caminhavam pelo mesmo trecho da via.

Ilustração

Roubos a pedestres na região da avenida Nações Unidas preocupa a polícia

Os roubos ocorreram na noite do último domingo na quadra 17 da avenida, dentro do trecho entre o parque Vitória Régia e o cruzamento com a avenida Rodrigues Alves, área em que os registros costumam ser mais frequentes, segundo a Polícia Militar. Em um dos casos, dois garotos de 16 e 17 anos chegaram a ser trancados dentro do banheiro de um posto de combustíveis (leia mais abaixo).

E adolescentes, por se locomoverem a pé e serem mais interessados em tecnologia, são os alvos preferenciais dos criminosos, que abordam pedestres com a intenção de se apropriar de dinheiro e smartphones.

“Além do parque Vitória Régia, aquela região abrange outras praças, onde os jovens param para conversar ou namorar. Distraídos com a namorada ou por caminharem manuseando o celular o tempo todo, eles se tornam alvos fáceis”, aponta o capitão Alan Terra, coordenador operacional do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I).

Segundo ele, o trecho da Nações é o mais visado porque funciona como corredor de fuga para os ladrões, geralmente usuários de crack que levam os pertences das vítimas para serem trocados por drogas nas imediações da linha férrea. “Estes aparelhos eletroeletrônicos pequenos possuem uma grande demanda no mercado negro. A receptação é imediata”, pontua.

Em grupo

De maneira geral, os criminosos agem em grupo e simulam estar armados, demonstrando para a vítima a existência de um objeto por baixo das vestes. Neste contexto, a preferência por adolescentes se consolida porque eles possuem menor força física.

“Mesmo desarmados, em grupo, os assaltantes conseguem se impor e subjugar rapidamente a vítima. As agressões ocorrem, geralmente, quando a pessoa tenta reagir ou quando não possui o bem desejado pelos criminosos”, diz o delegado da Central de Polícia Judiciária, Kleber Granja.

Depois que concluem o assalto, o caminho percorrido pelos aparelhos eletroeletrônicos roubados é rápido. Segundo Granja, em um assalto registrado recentemente, o celular de um garoto de 14 anos passou das mãos do ladrão para o receptador e deste para o comprador final em menos de seis horas.

“O roubo ocorreu na hora do almoço e, às 18h, o smartphone já tinha passado nas mãos de três pessoas. O equipamento só foi recuperado porque era dotado de sistema de rastreamento. O fluxo é muito rápido e, geralmente, é difícil recuperar o bem. Portanto, é um crime que nos preocupa”, frisa.


Em dois anos, crime cresceu 32%

Em apenas dois anos, a quantidade de roubos a pedestres cresceu 32% nas áreas centro e sul de Bauru, onde este tipo de crime ocorre com maior frequência. As 256 ocorrências registradas entre janeiro e novembro de 2010 saltaram para 339 no mesmo período de 2012. O número, no entanto, caiu em 2013.

As polícias Civil e Militar são unânimes em afirmar que o aumento está atrelado à expansão do consumo de crack ao longo dos últimos anos. Outro motivo que impulsionou o crime foi o crescimento do interesse do mercado negro por smartphones, tablets e outros equipamentos eletroeletrônicos de tecnologia sofisticada.

Como os indicadores começaram a sair de controle, a Polícia Militar redistribuiu as equipes de patrulhamento, com foco nas regiões onde os roubos a transeuntes eram mais frequentes. O resultado, em 2013, foi a diminuição dos índices em 12% na comparação com 2012.

“Fizemos a análise das estatísticas em um trabalho conjunto de inteligência policial com planejamento operacional. Reorganizando o trabalho preventivo, conseguimos reduzir os índices”, afirma o oficial de relações públicas do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Fabiano de Almeida Serpa. Entre janeiro e novembro de 2013, foram registradas 299 ocorrências desta natureza nas regiões centro e sul de Bauru, uma média de um roubo a cada dia.


Rastreamento e bloqueio

Para inibir o roubo de celulares, a recomendação das polícias Civil e Militar é para que todas as pessoas tenham em mãos o número do Imei (Identificação Internacional de Equipamento Móvel) do aparelho, que permite que cada celular tenha um número único, como se fosse um chassi de carro ou um código de série. 

O Imei pode ser encontrado na caixa do aparelho, na nota fiscal ou no espaço destinado à bateria. Quando o número é bloqueado, as funções que dependem da operadora, como ligações e conexão com a Internet, ficam indisponíveis.

Para efetuar o bloqueio, basta acionar a operadora de telefonia o mais rapidamente possível. Outra orientação é dotar o aparelho de sistema de rastreamento por GPS, para que ele possa ser localizado em caso de furto. 

Em caso de abordagem, mesmo que o criminoso não pareça estar armado, a recomendação é jamais reagir e tentar manter a tranquilidade para memorizar detalhes das características físicas dos criminosos, que depois podem auxiliar na identificação dos autores do assalto.

Outras dicas são optar por transitar em ruas movimentadas e mais bem iluminadas e evitar utilizar o celular em via pública para não se distrair ou mesmo chamar a atenção de criminosos.

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