Política

Tucanos querem investigar empresas ligadas a cartel em outros Estados

Por Fernanda Odilla | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de trocarem acusações e críticas sobre o caso Siemens, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e senadores do PSDB estão, nesta terça-feira (3), frente a frente no Senado discutindo as denúncias de fraude em licitação de trens e pagamento de propina por empresas que fizeram negócios como governo de São Paulo. 

 

A audiência acontece na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde Cardozo foi para falar da polêmica em torno do caso Siemens. 

 

Dizendo estar com o caso "engasgado na garganta", o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) questionou o ministro sobre o motivo pelo qual contratos firmados apenas São Paulo e Distrito Federal são os principais alvos das investigações conduzidas pelo governo federal. 

 

O senador tucano afirmou que os cinco executivos da Siemens que firmaram o acordo de leniência com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aparecem no Diário Oficial da União como signatários da empresa alemã em pelo menos 33 outros contratos firmados com estatais federais nos últimos dez anos. Juntos, afirmou Nunes, esses contratos superam os R$ 500 milhões em áreas de trens e energia. 

 

"Acredita que estes senhores que, de certa forma, são aliados do Cade no esclarecimento de crimes que eles assumem ter cometido contra o Estado de São Paulo, na condição de criminosos arrependidos em busca de perdão, não cometeram os mesmos tipos de delitos nos contratos com o governo federal? A perversidade é só de São Paulo?", questionou o senador. 

 

"Essa intervenção de São Paulo deve chegar a outras praças onde essa mesma empresa atuou", completou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). 

 

Sem polemizar, Cardozo, por sua vez, se limitou a pedir que denúncias sejam encaminhadas a ele para que repasse o pedido de investigação à Polícia Federal. "A instauração do inquérito do Cade foi a partir da Siemens que trouxe. O senhor tem vários dados significativos que devem ser apurados também", afirmou o ministro. 

 

As acusações contra políticos tucanos vieram a público após a divulgação de documentos que foram entregues à Polícia Federal pelo próprio ministro da Justiça. Atribuída a um ex-diretor da Siemens, parte da papelada aponta a "existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos [Mário] Covas, [Geraldo] Alckmin e [José] Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM". 

 

Ainda sob análise da PF, a documentação indica que o secretário do governo Alckmin Edson Aparecido (Casa Civil) recebeu propina do lobista Arthur Teixeira, acusado de intermediar o pagamento de comissões de empresas que atuam no mercado de trens. São citados na denúncia como pessoas próximas do lobista secretários de Alckmin e também o senador Aloysio Nunes. 

 

Questionado se conhecia o lobista, Cardozo afirmou que se por acaso encontrou com ele, não se lembra. "Às vezes a gente é apresentado a gente do bem ou do mal. Não sei se é o caso. Não foi algo seguramente que me marcou. Do Arthur, sinceramente, não me lembro, faz mais de uma década", disse. 

 

"Eu me senti atingido por um vazamento de um documento cuja autoria não sei se foi esclarecida, cujo suposto autor. Eu creio que fui mais ofendido que vossa excelência nesse fato. Eu fiquei com um carimbo ruim", reclamou o tucano ao ministro. 

 

Cardozo afirmou que determinou que se apurasse o vazamento dos documentos e criticou a prática. 

 

A polêmica em torno das versões em português e em inglês das denúncias, que gerou troca de críticas e acusações entre tucanos e petistas, não foi abordada pelos senadores. O ministro fez questão de esclarecer que "são documentos diferentes dirigidos a pessoas diferentes". "Não significa que foi forjado", afirmou. 

 

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